Boomberg — Keiko Fujimori está perto da vitória em sua quarta tentativa de chegar à presidência do Peru, mesmo estando atrás na votação dentro do país.
À medida que as autoridades contabilizaram nos últimos dias as últimas cédulas contestadas, a vantagem da candidata conservadora sobre o rival de esquerda Roberto Sánchez aumentou de algumas centenas de votos para mais de 36 mil.
Se a tendência se mantiver — o que é esperado, já que a maior parte dos votos ainda pendentes foi registrada em seus redutos eleitorais — Fujimori se tornará a primeira mulher eleita para liderar a nação rica em cobre, reforçando o movimento de fortalecimento da direita observado em outros países da região, como Chile, Bolívia e Equador.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Ela também poderá se tornar a primeira presidente eleita neste século no Peru a perder a votação dentro do próprio país. Com 99% dos votos apurados, Fujimori lidera no exterior por cerca de 80 mil votos, enquanto está 43 mil votos atrás no território peruano.
Leia também: Do Brasil acima da meta ao Equador em queda: a inflação em LatAm em maio
Uma margem igualmente estreita, de cerca de 40 mil votos, separou os finalistas nos dois últimos segundos turnos, quando Fujimori foi derrotada, sinal de como o país permanece profundamente dividido.
Seu programa pró-mercado e de combate rigoroso ao crime ajudou-a a conquistar 88% dos votos dos peruanos residentes em Miami e 90% dos votos em Tóquio.
No próprio Peru, houve apenas algumas áreas onde ela alcançou um nível de apoio semelhante. Já Sánchez venceu em quase três de cada quatro distritos e superou 90% dos votos em dezenas deles.

“A grande maioria das regiões votou contra ela”, disse Paulo Vilca, cientista político do Instituto de Estudos Peruanos, centro de pesquisa sediado em Lima. Isso significa que ela precisará superar as divergências com essas regiões para conseguir conter os protestos sociais, acrescentou.
Sánchez ultrapassou Fujimori na contagem de votos no dia seguinte ao segundo turno de 7 de junho, mas ela retomou a liderança após a chegada dos votos finais da Argentina.
Leia também: Dependência da China cria duplo risco para a América Latina, diz Moody’s
Desde então, as tensões se intensificaram, com Sánchez e seus aliados alegando irregularidades na recontagem dos votos do exterior e buscando anular votos registrados na Argentina e nos EUA, onde Fujimori lidera com conforto entre as grandes comunidades de expatriados peruanos. Observadores eleitorais afirmaram que a votação transcorreu normalmente.
Centenas de apoiadores de Sánchez marcharam em Lima no último fim de semana, e seu partido convocou uma nova manifestação para sexta-feira, com delegações esperadas de todo o país.
“Não aceitaremos um resultado que não reflita a vontade popular com total transparência”, afirmou o partido.
Além dos votos do exterior, que tradicionalmente tendem à direita, Fujimori também venceu na capital Lima, em partes do litoral e da Amazônia, como havia feito cinco anos atrás. Sánchez teve melhor desempenho nas regiões rurais andinas, onde seu aliado, o ex-presidente Pedro Castillo, venceu com ampla vantagem em 2021.
No entanto, Sánchez não conseguiu repetir o nível de apoio alcançado por Castillo, permitindo que Fujimori conquistasse dezenas de milhares de votos adicionais em algumas regiões andinas de inclinação à esquerda, como Cusco.
Herdeiro político
Sánchez concorreu como herdeiro político de Castillo e prometeu conceder perdão ao ex-presidente, que atualmente está preso por sua fracassada tentativa de tomar o poder.
Embora isso tenha ajudado sua campanha a avançar ao segundo turno, também pode ter afastado parte dos eleitores em potencial.
Leia também: Capital privado cresce na América Latina e movimenta mais de US$ 25 bilhões por ano
Por outro lado, o sobrenome Fujimori desperta forte rejeição entre muitos peruanos. Durante anos, muitos foram repelidos pelo legado de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru nos anos 1990 e foi preso por seu papel em assassinatos cometidos por esquadrões da morte.
No entanto, os eleitores mais jovens são menos influenciados pelo legado familiar, e o movimento antifujimorista que derrotou Fujimori nas três eleições anteriores está mais fraco do que antes, segundo o analista político Carlos Meléndez.
A controversa proposta de Fujimori de conceder perdão ao pai deixou de ser uma questão relevante quando ele morreu, em 2024, um ano após ser libertado da prisão por razões humanitárias enquanto cumpria pena de 25 anos.
“Isso ajudou o fujimorismo porque não havia mais dívidas a saldar”, disse Meléndez. “Não se concede perdão a um homem morto.”
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Guerra no Oriente Médio afeta turismo global, enquanto América Latina mantém crescimento
Bilionário Stanley Druckenmiller lidera o retorno de Wall St. às ações da Argentina
© 2026 Bloomberg L.P.








