Bloomberg — Os EUA retaliaram os ataques iranianos contra as forças americanas com uma nova onda de ataques, intensificando um conflito que está se alastrando por todo o Oriente Médio.
Os EUA atingiram dezenas de alvos em uma operação de duas horas com o objetivo de enfraquecer a capacidade de Teerã de ameaçar as forças americanas, seus aliados árabes e a navegação comercial na região, de acordo com uma publicação do Comando Central dos EUA no X na quarta-feira.
Dois navios de gás natural liquefeito foram atingidos por projéteis na costa mediterrânea do Egito por volta da mesma hora e pegaram fogo. Uma empresa de segurança informou que os navios haviam sido atingidos por drones, mas não houve reivindicação de responsabilidade.
Os ataques aos navios-tanque foram os primeiros em águas egípcias desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em fevereiro. Durante grande parte do conflito, a retaliação de Teerã concentrou-se nos Estados árabes do Golfo Pérsico e na Jordânia, que relataram ter interceptado mais mísseis na manhã de quinta-feira. A Arábia Saudita e o Iraque também foram arrastados para esta nova escalada.
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Os EUA e o Irã haviam suspendido a troca de ataques no final da semana passada para dar uma chance à diplomacia e pôr fim à guerra. Essa trégua terminou na noite de terça-feira, quando Teerã realizou um ataque surpresa, disparando vários mísseis balísticos contra uma base militar americana na Jordânia. O ataque fez os preços do petróleo dispararem.
“Vamos atacá-los com toda a força, porque é a nossa vez de retaliar”, disse o presidente Donald Trump a repórteres na Casa Branca na quarta-feira. “Eles sabem o que está por vir.”
Não houve indícios de que os últimos ataques dos EUA tivessem como alvo infraestruturas civis, o que sinalizaria uma grande expansão da campanha militar.
Os preços do petróleo continuaram a subir na quinta-feira, com o petróleo Brent, referência do mercado, sendo negociado com alta de 0,9%, a US$ 91,52 o barril, às 6h41 da manhã em Londres.
Os preços da energia subiram no início da semana, quando os EUA e a Arábia Saudita atacaram milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, depois que Riade informou ter neutralizado drones lançados por grupos iraquianos que tinham como alvo suas instalações petrolíferas. Militantes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen também atacaram embarcações sauditas no Mar Vermelho após anunciarem um bloqueio contra o reino.
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Trump afirmou repetidamente que os EUA e o Irã estavam próximos de chegar a um acordo, mesmo com Teerã negando estar envolvida em negociações ativas com Washington. Permanecem diferenças significativas, com o Irã se recusando a atender às exigências dos EUA de garantir que a navegação comercial pelo estratégico Estreito de Ormuz permaneça ininterrupta.
Um conflito prolongado representa riscos políticos para o presidente dos EUA, cujo Partido Republicano enfrenta uma batalha difícil para manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro. Essas eleições dependerão em grande parte da economia, com os eleitores atribuindo notas baixas a Trump por sua gestão dessa questão.
A guerra provocou um aumento acentuado nos preços da gasolina nos EUA, uma vez que o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz foi efetivamente bloqueado. O estreito permanece praticamente fechado, com poucos navios passando por ele.
O secretário de Energia, Chris Wright, disse à Bloomberg Television em uma entrevista na quarta-feira que cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia saíram do Golfo Pérsico na semana passada, com metade dessa quantidade passando pelo Estreito de Ormuz. Antes do início da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do GNL do mundo transitava por Ormuz.
O Catar, por sua vez, enviou seu primeiro carregamento de GNL pelo estreito desde que um de seus navios-tanque foi atacado na via navegável há cerca de três semanas. A medida indica que a QatarEnergy pode estar retomando os embarques pelo estreito após suspendê-los quando o navio-tanque de gás Al Rekayyat foi atingido em 7 de julho.
O Centcom informou na quarta-feira que suas forças continuam a fazer valer o bloqueio dos EUA contra o Irã, que visa principalmente impedir que a República Islâmica exporte petróleo e derivados.
--Com a colaboração de John Harney, Meghashyam Mali, Jon Herskovitz, Stephen Stapczynski, Kanoko Matsuyama e Paul Abelsky.
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