Bloomberg — Mônaco está entre os vários países prestes a sair da lista de observação de dinheiro sujo de um órgão global de supervisão financeira no próximo mês, o que marca uma reviravolta na sorte da cidade-estado que abriga a maior concentração de milionários e bilionários do mundo.
O principado da Riviera Francesa foi incluído na “lista cinza” do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) em junho de 2024, o que trouxe consigo um escrutínio mais rigoroso sobre as deficiências em seus esforços para combater fluxos de dinheiro ilegal.
No entanto, autoridades do órgão de fiscalização com sede em Paris constataram, desde então, avanços significativos, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
A Bulgária e a Costa do Marfim também devem ser retiradas da lista, afirmaram algumas dessas fontes, que pediram para não serem identificadas, uma vez que as deliberações são confidenciais.
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O resultado oficial só será divulgado no último dia da próxima sessão plenária do GAFI na capital francesa, em 30 de outubro, e nenhuma decisão definitiva foi tomada, afirmaram as fontes.
As inclusões na lista são determinadas com base em um consenso entre os membros do grupo, que inclui os EUA, o Reino Unido, a Comissão Europeia, a China, o Japão e a Índia.
As recomendações do órgão regulador são acompanhadas de perto por investidores globais, que se mostram cautelosos em realizar negócios em locais considerados deficientes em termos de regulamentação contra a lavagem de dinheiro.
As jurisdições adicionadas à lista exigem um monitoramento mais rigoroso, e a designação pode lançar sérias dúvidas sobre a integridade de seus sistemas financeiros.
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Um relatório do Fundo Monetário Internacional de 2021 constatou que os países incluídos na lista cinza sofreram “uma redução significativa e estatisticamente relevante nos influxos de capital”.
Um fundo negociado em bolsa que acompanha o índice de ações de referência da Bulgária registrou alta de 2,8% às 12h em Sofia. A Société des Bains de Mer, proprietária do cassino de Monte Carlo, também registrou alta com a notícia, com alta de 1,8% nas negociações em Paris às 11h.
Um porta-voz do GAFI não quis comentar as decisões de inclusão na lista.
A reunião plenária do GAFI em outubro será a primeira sob a presidência do funcionário britânico Giles Thomson. Desde que assumiu o cargo em julho, ele tem dado prioridade especial ao combate à fraude, incluindo esquemas fraudulentos.
A esperada retirada de Mônaco da lista ocorre em um momento em que a cidade-estado ainda se recupera de um plano de assassinato ocorrido em seu território no final de junho, o que desencadeou uma caçada humana em grande escala.
Desde que entrou na lista cinza, o principado endureceu suas leis e tem procurado demonstrar que é capaz de tomar medidas de fiscalização significativas. No início deste ano, seu órgão de fiscalização contra lavagem de dinheiro multou o UBS Group em € 6 milhões por uma série de falhas. Dois outros bancos, incluindo o Julius Baer Group, também foram multados.
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Um porta-voz do governo de Mônaco não quis comentar.
No caso da Bulgária, a inclusão inicial na lista cinza em 2023 ocorreu no auge das negociações do país para ingressar na zona do euro.
O Conselho da Europa há muito critica o país, que figura regularmente entre os mais corruptos da União Europeia. Mais recentemente, porém, autoridades do GAFI elogiaram as melhorias na supervisão baseada em riscos e nos controles de entrada no mercado para prestadores de serviços de ativos virtuais.
No início de setembro, o primeiro-ministro Rumen Radev se reuniu com representantes do GAFI para discutir o progresso do país.
Além de atender a todos os critérios formais, “temos outra garantia que nos coloca em uma posição sólida para retirar a Bulgária dessa lista vergonhosa — e trata-se da vontade política e das medidas adotadas pelo governo búlgaro no que diz respeito ao combate à lavagem de dinheiro, à economia paralela e à corrupção”, afirmou ele a um órgão governamental no final de agosto.
Por outro lado, o progresso da Costa do Marfim em matéria de supervisão bancária e verificação da titularidade efetiva recebeu elogios do GAFI, que anteriormente havia manifestado preocupações quanto à fiscalização e à aplicação da lei. Entre as medidas adotadas recentemente: uma pena de prisão de vários anos imposta a um influenciador local sob a acusação de lavagem de dinheiro.
“É altamente provável que tenhamos cumprido todas as condições, mas estamos aguardando as avaliações finais”, afirmou Amadou Coulibaly, ministro da Comunicação e porta-voz do governo da Costa do Marfim.
--Com a colaboração de Moses Mozart Dzawu.
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