Adeus, EUA? Canadá atrai pesquisadores de Harvard e MIT em meio a restrições de Trump

Governo canadense concedeu financiamento de US$ 362 milhões para que pesquisadores transfiram suas atividades para o país, incluindo professores de universidades de elite dos EUA

Vista de Toronto: grandes economias mundiais também buscam atrair os melhores acadêmicos dispostos a deixar os Estados Unidos (Credit Image: James MacDonald)
Por Nojoud Al Mallees
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Bloomberg — O Canadá concedeu a 64 pesquisadores internacionais um financiamento de 504 milhões dólares canadenses (US$ 362 milhões) para que eles transfiram suas atividades para universidades canadenses e promovam projetos em áreas como saúde e inteligência artificial.

Cerca de 48 desses pesquisadores foram atraídos dos Estados Unidos, inclusive de instituições de elite como a Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Outros 16 pesquisadores são provenientes de 12 outros países, incluindo o Reino Unido, a Alemanha, a China e o Japão.

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“Enquanto certos países estão cortando verbas para pesquisa e virando as costas à liberdade acadêmica, estamos apostando ainda mais na ciência e na pesquisa”, afirmou a ministra da Indústria, Melanie Joly, em Vancouver na quinta-feira (27).


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O esforço do Canadá para atrair os melhores talentos da pesquisa contrasta com os recentes cortes no financiamento federal dos Estados Unidos que, combinados com políticas de imigração mais restritivas e conflitos entre o governo Trump e universidades de ponta, levaram alguns acadêmicos a buscar oportunidades em outros lugares.

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Joly observou que 23 das cátedras de pesquisa também são ocupadas por canadenses que estão retornando ao país.

O anúncio faz parte de uma iniciativa que o governo do primeiro-ministro Mark Carney divulgou no ano passado para impulsionar as universidades canadenses, destinando 1,7 bilhão de dólares canadenses ao longo de 12 anos para recrutar mais de 1.000 pesquisadores.

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A maior parte desses recursos — 1 bilhão de dólares canadenses — foi destinada a atrair até 100 cátedras de pesquisa de renome mundial para instituições de ensino em todo o país.

Robert Asselin, diretor executivo da U15 Canada, que representa as principais universidades de pesquisa do país, afirmou que a capacidade do governo de atrair esses acadêmicos reflete a solidez das instituições de ensino superior do Canadá.

Ele também observou que mudanças nas políticas dos Estados Unidos fizeram com que os cientistas se sentissem menos apoiados, o que contribuiu para os esforços do Canadá em atraí-los.

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“Essa foi, sem dúvida, uma das razões pelas quais eles quiseram vir para o Canadá. Por isso, aproveitamos a oportunidade e estou muito feliz que isso tenha acontecido”, disse Asselin.

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Entre as novas cátedras de pesquisa está Sara Seager, uma renomada cientista planetária cuja saída do MIT para retornar à sua alma mater já havia sido anunciada pela Universidade de Toronto. O Canadá também contratou o professor James LeBeau, do MIT, um cientista de materiais.

Brian Kuhlman, pesquisador da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, cujo trabalho foi citado em relação ao Prêmio Nobel de Química de 2024, passará a integrar a Universidade da Colúmbia Britânica como titular de uma cátedra de pesquisa.

Também se dirigirá à UBC Curtis Huttenhower, professor de biologia computacional e bioinformática em Harvard, cuja pesquisa se concentra na interseção entre micróbios e saúde humana.

O governo canadense também prometeu, no ano passado, um caminho acelerado de imigração para titulares do visto H-1B, após a administração Trump ter decidido cobrar US$ 100.000 pelos vistos. Esse programa ainda não foi implementado.

Outras grandes economias mundiais também buscam atrair os melhores acadêmicos dispostos a deixar os Estados Unidos. A União Europeia também lançou sua própria iniciativa de € 500 milhões (US$ 583 milhões) para atrair pesquisadores e cientistas de todo o mundo.

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As novas cátedras de pesquisa receberão financiamento ao longo de oito anos para trabalhar em projetos em áreas prioritárias definidas pelo governo canadense, incluindo saúde, tecnologias digitais avançadas e meio ambiente.

“As novas cátedras e suas equipes promoverão projetos de pesquisa transformadores que possam ser aplicados e/ou comercializados por meio da conexão com receptores na indústria, no governo e na sociedade, ao mesmo tempo em que desenvolvem a próxima geração de profissionais altamente qualificados”, afirmou o governo sobre a iniciativa no ano passado.

O governo deve anunciar a próxima rodada de cátedras nos próximos meses.

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