Bloomberg — Há três anos, praticamente todas as grandes empresas dos Estados Unidos levavam explicitamente em consideração a diversidade ao selecionar novos conselheiros. Atualmente, a maioria não o faz.
Ao todo, 61 empresas do S&P 100 abandonaram critérios explícitos de diversidade para futuros membros do conselho desde 2023, de acordo com uma análise da consultoria ESGAUGE de registros e documentos de governança para a Bloomberg News. Os resultados mostram a extensão do recuo em relação à diversidade, equidade e inclusão nas salas de reunião dos conselhos corporativos.
A Apple (AAPL), a Alphabet (GOOGL), a Amazon (AMZN), a Starbucks (SBUX) e a Wells Fargo eliminaram as disposições de diversidade para conselheiros nos últimos três anos. Um investidor ativista conservador já havia identificado empresas como Goldman Sachs (GS), American Express (AXP), Johnson & Johnson (JNJ) e Deere (DE) como tendo abandonado tais critérios, mas os novos dados oferecem um panorama mais amplo dessa mudança.
“É sempre mais fácil derrubar algo do que construí-lo”, afirmou Heather Spilsbury, CEO da 50/50 Women on Boards, organização que defende a paridade de gênero nos conselhos de administração.
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O recuo começou em 2023 e se acelerou ao longo do último ano, à medida que o governo Trump tomou medidas para desmantelar programas de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) em órgãos federais, universidades e empresas contratadas pelo governo.
A ESGAUGE, que analisa registros corporativos, identificou empresas que haviam feito referência explícita a gênero, raça, etnia, minorias ou grupos sub-representados nos critérios de seleção para conselhos de administração e, em seguida, acompanhou quais haviam removido essa menção.
Seis empresas — Advanced Micro Devices, Capital One Financial, Microsoft (MSFT), Starbucks, Uber Technologies (UBER) e Wells Fargo — foram ainda mais longe, adotando critérios de diversidade semelhantes para a sucessão do CEO.
Todas, exceto a Microsoft, removeram essa menção desde então, de acordo com a ESGAUGE. A Starbucks e o Wells Fargo também retiraram os critérios de diversidade para novos conselheiros.
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A Starbucks retirou a menção de que exigiria “candidatos que refletissem origens diversas, incluindo, mas não se limitando a, diversidade de raça, etnia, nacionalidade, gênero e orientação sexual” para serem incluídos em sua lista de candidatos potenciais a CEO.
A AMD retirou seu compromisso de “incluir candidatas qualificadas e candidatos de diversas origens raciais e étnicas” em seu grupo de postulantes a CEO, embora ainda mantenha critérios de diversidade para conselheiros.
A proporção de empresas com disposições semelhantes à “Rooney Rule” — a política da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) dos EUA que exige que as equipes considerem pelo menos um técnico negro para vagas em aberto — também caiu drasticamente no último ano, passando de 58% para 12%, afirmou George Anderson, que colidera a prática de consultoria para conselhos de administração na América do Norte na empresa de recrutamento de executivos Spencer Stuart.

Nem todas as empresas abandonaram seus compromissos com a diversidade. A Microsoft continua priorizando “mulheres altamente qualificadas e indivíduos de grupos minoritários” para quaisquer futuras seleções de CEO. A Uber e a Capital One também estão entre as mais de 30 empresas que ainda mantêm critérios de diversidade para conselheiros, segundo mostram os dados.
A Microsoft, a Alphabet, a Amazon, a AMD, a Uber, a Starbucks e o Wells Fargo não quiseram comentar. A Apple e a Capital One não responderam aos pedidos de comentário.
O objetivo é eliminar políticas de DEI que possam introduzir preconceitos, afirmou Paul Chesser, diretor do Corporate Integrity Project no conservador National Legal and Policy Center, que tem trabalhado com a American Express, a Deere e outras empresas sobre o assunto.
Os conselhos de administração devem continuar buscando candidatos negros e mulheres, afirmou ele, mas sem critérios explícitos ou incentivos salariais que possam levar um grupo a receber menos consideração do que outro.
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Ao mesmo tempo, as empresas que enfrentam incertezas econômicas estão recorrendo cada vez mais a ex-CEOs para ocupar cargos nos conselhos — um grupo ainda dominado por homens brancos.
Ex-CEOs representaram 37% dos novos conselheiros nas empresas do S&P 500 neste ano, a maior participação desde o pico de 42% registrado em 2012, de acordo com a Spencer Stuart. As mulheres, por sua vez, representaram 29% dos novos conselheiros, uma queda em relação aos 46% registrados em 2023.
“As oportunidades gerais que estão disponíveis e visíveis para as mulheres diminuíram”, especialmente ao longo do último ano, afirmou Teresa Kong, diretora da Impax Funds — que promove investimentos em sustentabilidade — e membro de vários grupos que defendem a presença de mulheres nos conselhos. Kong, que foi nomeada uma das 50 mulheres “prontas para conselhos” pela 50/50 Women on Boards em 2024, ainda não conseguiu um cargo no conselho de uma empresa de capital aberto.
No entanto, ela continua animada com o fato de que as salas de diretoria estão mais diversificadas agora do que há cinco anos. “A semente já foi plantada. Às vezes, é preciso esperar até a chegada da primavera.”
--Com a colaboração de Ian King e Matt Day.
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