Tesouro busca acalmar mercado sobre pedido de US$ 35 bi em emissões de títulos no exterior

Em entrevista à Bloomberg News, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, disse que o governo busca flexibilidade com o pedido de autorização ao Congresso; ‘Pedir um limite de US$ 35 bilhões não significa que eu vou emitir US$ 35 bilhões este ano, nem no ano que vem, nem no próximo’, disse

Ministério da Fazenda: autorização permitiria um aumento gradual do endividamento externo, afirmou o secretário do Tesouro Nacional. (Foto: Arthur Menescal/Bloomberg)
Por Martha Beck
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Bloomberg — O governo brasileiro busca mais flexibilidade, e não uma onda de vendas de títulos no exterior, ao pedir autorização do Congresso para emitir até US$ 35 bilhões por ano nos mercados internacionais, disse o secretário do Tesouro, Daniel Leal, em entrevista à Bloomberg News.

A autorização permitiria um aumento gradual do endividamento externo, afirmou Leal. Atualmente, os títulos emitidos no exterior representam cerca de 4% do total da dívida pública federal, abaixo do patamar de 7% que o Tesouro pretende alcançar no longo prazo.

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“Pedir um limite de US$ 35 bilhões não significa que eu vou emitir US$ 35 bilhões este ano, nem no ano que vem, nem no próximo”, disse. “É um limite bastante confortável, que dificilmente vamos atingir, principalmente nos primeiros anos.”


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Os comentários de Leal buscam aliviar as preocupações em torno do pedido bilionário do Tesouro ao Senado em um país que há anos convive com temores fiscais.

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Alguns participantes do mercado interpretaram a medida como um sinal de que o Brasil poderia acelerar excessivamente suas emissões de títulos no exterior.

Leal rebateu essa percepção, afirmando que ela pode distorcer os preços ao levar investidores a esperar uma oferta de títulos muito maior do que o governo de fato pretende colocar no mercado.

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O Brasil já captou cerca de US$ 10 bilhões nos mercados internacionais neste ano. “Aumentar a dívida externa não quer dizer ficar exposto ao dólar”, disse Leal. “Queremos aumentar com parcimônia e buscar os 7% no longo prazo.”

A distinção é importante para a maior economia da América Latina, que ficou marcada pela crise da dívida dos anos 1980, quando sua moeda despencou enquanto uma parcela muito maior de seus passivos estava denominada em dólares.

Brazil External Debt Rose 15.1% in June From Year Earlier | External debt as % federal public debt has declined slightly in same period

O peso da dívida disparou e os déficits fiscais se tornaram mais difíceis de financiar, contribuindo posteriormente para a hiperinflação à medida que as autoridades recorreram à emissão de moeda.

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O Tesouro argumenta que a situação financeira do Brasil hoje é fundamentalmente diferente, com um mercado de dívida doméstica profundo, câmbio flutuante e um colchão de mais de US$ 300 bilhões em reservas internacionais.

“Aprendemos com aquela experiência e agora o que queremos é colher os benefícios de ter dívida externa de forma controlada”, disse Leal, referindo-se à crise dos anos 1980. “Naquela época era um outro país.”

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O objetivo de aumentar a dívida externa é principalmente estratégico, afirmou. As emissões internacionais permitem ao Tesouro diversificar sua base de investidores, estabelecer curvas de juros de referência nos mercados externos e alcançar participantes em diferentes regiões.

Elas também podem reduzir os custos de financiamento, alongar os prazos e ajudar a atrair investidores estrangeiros para o mercado doméstico de dívida brasileiro. As emissões externas podem contribuir “marginalmente” para o financiamento dos passivos do governo, disse Leal, mas desempenham predominantemente o que ele chamou de papel “qualitativo” na gestão da dívida.

Grau de investimento

A ausência de uma classificação de grau de investimento para a dívida soberana brasileira torna as emissões no exterior mais desafiadoras, em parte porque restrições regulatórias impedem alguns participantes do mercado de comprar títulos do país, disse Leal.

Uma base menor de potenciais compradores pode elevar os custos de financiamento caso o Tesouro aumente excessivamente a oferta, afirmou.

“Logicamente atrapalha”, disse Leal sobre a classificação de crédito soberano do Brasil. “Você tem uma demanda menor por restrições regulatórias.”

Ainda assim, os títulos globais do Brasil são negociados em níveis muito semelhantes — e, às vezes, até melhores — do que os de países comparáveis que possuem grau de investimento, afirmou.

Essas condições dão ao Tesouro espaço para ampliar as emissões no exterior, desde que mantenha disciplina em relação ao volume de dívida colocado no mercado.

O retorno do Tesouro ao mercado de títulos em euros e os planos para uma emissão inaugural de Panda bonds na China fazem parte de um esforço mais amplo para atrair investidores estrangeiros e ajudar a estabelecer referências de preços que possam facilitar as captações externas de empresas brasileiras.

A emissão de Panda bonds poderá captar até 5 bilhões de yuans (US$ 741 milhões) em 2026. Neste ano, o Brasil já vendeu € 5 bilhões em títulos na maior operação de dívida global já realizada pelo país e em sua primeira emissão de títulos em euros em mais de uma década.

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