Bloomberg — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai lançar um programa para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de famílias, somando-se a uma série de medidas para estimular o consumo em sua busca por aumentar a popularidade antes das eleições de outubro.
O plano deve ser anunciado esta semana, antes do Dia do Trabalho, em 1º de maio. Ele permitirá que os bancos renegociem dívidas com descontos de até 90%, segundo fontes familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O saldo restante seria refinanciado a juros mais baixos e com a garantia do FGO, um fundo privado que absorve parte do risco de crédito em empréstimos a pequenas empresas.
Leia também: AtlasIntel: Lula e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados em eventual 2º turno
O governo também está avaliando o uso de recursos da FGTS para apoiar o refinanciamento de certas dívidas, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo planos que não são públicos.
Um porta-voz do Ministério da Fazenda não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O programa terá como alvo um amplo grupo de eleitores: trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos e que possuem dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos.
O endividamento das famílias, que atingiu o recorde de 49,9% em fevereiro, tornou-se um tema central da campanha de Lula, que tem enfrentado dificuldades para conter o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de opinião.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro receberia 47,8% dos votos em um segundo turno, contra 47,5% de Lula, segundo pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg News publicada nesta terça-feira.
“A economia está indo bem, mas a sociedade brasileira está um tanto endividada”, disse Lula em um evento público no mês passado, alertando que o endividamento excessivo está deixando as famílias em situação financeira precária.
A medida retoma uma estratégia utilizada anteriormente no mandato de Lula. O chamado programa Desenrola, lançado em 2023, alcançou mais de 15 milhões de brasileiros e reestruturou R$ 53 bilhões em dívidas, segundo o Ministério da Fazenda.
O Desenrola é visto como uma das iniciativas de maior sucesso de Lula, de acordo com uma pesquisa da AtlasIntel de março.
A pesquisa mostrou que 75% dos entrevistados consideraram o programa uma medida positiva do governo, ficando atrás apenas do programa Farmácia Popular, que oferece medicamentos gratuitos.
O novo plano gerou preocupações em alguns setores da equipe econômica, onde as autoridades veem o risco de que programas repetidos de alívio da dívida possam incentivar o consumo e aumentar as pressões inflacionárias em um momento em que o banco central está conduzindo um ciclo de flexibilização cauteloso em meio à incerteza global.
-- Com a colaboração de Barbara Nascimento.
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
Goldman eleva projeção da Selic para 13,25% em 2026 diante do choque do petróleo
Gastos de brasileiros com viagens internacionais crescem quase 28% em março, aponta BC
IPCA-15 sobe 0,89% em abril, abaixo do esperado, e mantém incerteza sobre juros
© 2026 Bloomberg L.P.








