Bloomberg Línea — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
Com 96,60% das seções totalizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), às 20h56 deste domingo (4), Flávio tinha 47,50% dos votos válidos (54,7 milhões de votos), contra 44,61% de Lula (51,3 milhões).
Nenhum dos dois alcançou mais da metade dos votos válidos, condição exigida para encerrar a disputa no primeiro turno.
Em terceiro lugar ficou o escritor Augusto Cury (Avante), com 2,91%. Depois vieram Renan Santos (Missão), 2,27%, Ronaldo Caiado (PSD), 2,21%, e Zema (Novo), 0,28%.
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Lula concorre à reeleição tendo Geraldo Alckmin como vice e busca o quarto mandato. Flávio, senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem Alfredo Gaspar como vice. Ele foi indicado pelo pai, que foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), está impedido de concorrer antes de 2030 e foi preso em 2025.
O resultado repete o confronto de 2022, agora com outro integrante da família Bolsonaro. Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair, e venceu a etapa final por 50,90% a 49,10%.
Pesquisas e voto útil
Todas as pesquisas apontavam empate técnico e, portanto, segundo turno. No Datafolha divulgado no sábado (3), véspera da votação, Lula tinha 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 42% de Flávio, em empate técnico, segundo a Folha de S.Paulo. Na simulação de segundo turno, o petista marcava 47%, e o senador, 46%.
Flávio apostava no desfecho imediato. Depois de votar no Rio de Janeiro, pela manhã, pediu o “voto útil” de quem se opõe a Lula para encerrar a eleição neste domingo. O Citi também via essa possibilidade: em relatório recente, o banco avaliou que a rejeição de 45% para cada candidato poderia provocar um voto estratégico não captado pelas pesquisas.
Lula votou em São Bernardo do Campo (SP) e disse que o eleitor escolheria “entre o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie”.
Caso Master e crise no STF
A campanha foi marcada pelo escândalo do Banco Master e por uma crise no Supremo.
Flávio é investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes tributários em razão das tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Ele nega irregularidades.
O senador alcançou Lula em setembro, depois que o ministro André Mendonça tornou públicas mensagens que, segundo a PF, Vorcaro enviou a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que nega a relação.
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Na AtlasIntel de 10 de setembro, Flávio eliminou uma desvantagem de 4,5 pontos e passou a tratar a eleição como um referendo sobre o tribunal.
Lula reagiu com medidas voltadas à renda e às dívidas das famílias. O governo elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, proibiu as apostas online por medida provisória e anunciou R$ 15 bilhões para comprar até R$ 150 bilhões em dívidas em atraso de pessoas físicas.
Mercado mira o ajuste fiscal
Para o mercado financeiro, a questão central é o rumo das contas públicas. A dívida bruta deve fechar o ano em 83,1% do PIB, segundo o Goldman Sachs. A Kinea Investimentos, gestora do Itaú Unibanco, avalia que o vencedor herdará um dos maiores ajustes fiscais desde a redemocratização.
Investidores esperam oscilações acentuadas nos ativos brasileiros após a votação, segundo a Bloomberg News.
Cerca de 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a votar, o maior eleitorado da história do país.
Além do presidente, foram escolhidos governadores, deputados e 54 das 81 cadeiras do Senado, a Casa com poder para processar ministros do STF.
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