Copom: Banco Central reduz Selic para 14% ao ano após inflação desacelerar

Em votação unânime, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa básica de juros pela quarta vez consecutiva

Os diretores do Banco Central se beneficiam de uma perspectiva ligeiramente mais benigna para a inflação. (Foto: Arthur Menescal/Bloomberg)
Por Martha Beck - Beatriz Reis
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Bloomberg — O Banco Central cortou a taxa básica de juros em um quarto de ponto pela quarta reunião consecutiva, depois que novos dados mostraram crescimento econômico moderado e uma desacelação da inflação mais intensa do que o esperado.

Os membros do colegiado liderados por Gabriel Galípolo reduziram a Selic para 14% ao ano na noite de quarta-feira (5), como esperado por todos os economistas ouvidos pela Bloomberg. O movimento levou o afrouxamento acumulado desde março a 100 pontos-base.

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Em votação unânime, os formuladores de política monetária não ofereceram orientação futura (forward guidance) e disseram que as próximas decisões dependeriam dos dados recebidos.

“A magnitude total do ciclo de calibragem será estabelecida à luz de novas informações, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta”, escreveram no comunicado que acompanhou a decisão.

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Os diretores do Banco Central se beneficiam de uma perspectiva ligeiramente mais benigna para a inflação de curto prazo.

Os preços ao consumidor subiram menos que o esperado em junho e no início de julho, enquanto a atividade econômica perdeu impulso gradualmente, com o enfraquecimento dos serviços e da produção industrial.

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Ainda assim, as expectativas de inflação para o primeiro trimestre de 2028, atualmente o horizonte relevante para a política monetária, permanecem acima da meta de 3%, apesar dos juros restritivos.

“O fluxo de dados e notícias econômicas desde a última reunião do Copom foi amplamente favorável para as perspectivas de inflação”, escreveu Caio Megale, economista-chefe da XP, em um relatório antes da decisão. “Espera-se que a atividade econômica desacelere de forma mais clara ao longo do próximo ano.”

A inflação anual desacelerou para 4,52% no início de julho, ante 4,8% um mês antes, bem abaixo das previsões dos economistas numa pesquisa da Bloomberg. Os analistas ouvidos pelo Banco Central reduziram sua estimativa para a Selic no fim de 2026 para 13,75%, ante 14%, segundo a pesquisa publicada em 3 de agosto.

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A autoridade monetária enfrenta um equilíbrio delicado conforme os riscos externos obscurecem as perspectivas. O conflito no Oriente Médio mantém os preços do petróleo voláteis, enquanto o clima severo ligado ao El Niño aumenta o risco de custos mais altos de alimentos.

Um Federal Reserve com viés hawkish poderia fortalecer o dólar ante as moedas de mercados emergentes, incluindo o real, adicionando pressão aos custos de importação.

No cenário local, o desemprego caiu, mas os dados do mercado de trabalho apontam para uma criação de empregos mais lenta e um crescimento salarial mais moderado, ambos favorecendo a luta do Banco Central contra a inflação.

Ainda assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou bilhões de reais em estímulo fiscal e de crédito, reforçando o consumo enquanto busca um quarto mandato na eleição de outubro.

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