Bloomberg — O Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75%, e manteve os próximos passos da política monetária em aberto às vésperas das eleições.
A última decisão antes da disputa eleitoral trouxe alterações sutis no comunicado, lidas como levemente “dovish” por economistas.
O BC voltou a afirmar que o cenário atual é caracterizado por significativo aumento de incerteza, riscos elevados e desancoragem das expectativas — retirando o termo “adicional” do comunicado anterior.
A atividade econômica mostra “moderação gradual” na visão do BC, e não mais “sugere”. Além disso, o BC detalhou que o comportamento acontece “principalmente em setores mais cíclicos”, ponto visto como maior convicção de desaceleração do PIB.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O Copom também voltou a dizer que a magnitude total do ciclo de calibração virá “à luz de novas informações”.
O BC manteve a projeção de inflação para o horizonte relevante, no primeiro trimestre de 2028, em 3,2%, com balanço de riscos ainda altista.
Analistas esperam pouca reação do mercado, que já embute chances de novo corte no mesmo ritmo na reunião de novembro.
Leia também: Banco Central reduz juros para 13,75% enquanto eleição apertada ofusca perspectivas
Veja o que dizem os analistas:
Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú
- Na parte doméstica, chama atenção avaliação sobre atividade econômica, BC parece ter ganhado mais convicção sobre a desaceleração
- Ele cita a substituição do termo “sugere” pelo termo “mostra” na frase “conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica”
- Projeção de inflação foi dentro do esperado, bem como balanço de riscos
- Fica a porta aberta para próximos movimentos, “temos cenário de que esse foi o último corte, mas segue muito dependente de dados, que podem abrir a possibilidade de continuação desses cortes”
- Não imagino que curva do DI vá se mover muito com o Copom
Caio Megale, economista-chefe da XP
- A avaliação do cenário externo permaneceu inalterada, o que pode ser interpretado como uma postura mais dovish, considerando a alta dos preços do petróleo e das taxas de juros nos países desenvolvidos
- A manutenção da previsão de inflação cheia no mesmo patamar pode ser vista como relativamente dovish nesse contexto
- A desaceleração econômica se tornará ainda mais evidente nos próximos meses
Marco Caruso, economista do Santander
- Comunicado marginalmente dovish em relação a agosto e, principalmente, sem qualquer sinalização de que 13,75% deva representar o fim do ciclo de calibração
- Mantém uma pausa após a decisão de hoje, condicionada à visão de deterioração do câmbio
- “Mas o ônus da prova para novo(s) corte(s) mudou: o ciclo de calibração segue vivo e (ainda) não há motivos para o Copom dar sua palavra final”
Daniela Lima, economista da Kinea
- Copom foi “não evento”, BC deixa porta aberta para a próxima reunião em linha com esperado
- Projeções foram única surpresa, esperava que subisse 0,10pp para o primeiro trimestre de 2028 e não ficasse constante
- BC foi neutro, ligeiramente dovish por conta da projeção
Guilherme Preciado, membro de gestão da equipe do Opportunity Total
- “A projeção veio em linha com o que esperávamos, e a comunicação, por sua vez, somente descreveu os desenvolvimentos mais baixistas a respeito da atividade e da inflação”
- “O forward guidance seguiu idêntico, reforçando o ‘data dependence’, e mantendo portas abertas para as decisões futuras. Como a próxima reunião ocorrerá após as eleições, vislumbramos múltiplas possibilidades, a depender do resultado do pleito e, principalmente, seus efeitos sobre a taxa de câmbio”
- “O cenário mais provável nos parece a continuidade de cortes no ritmo de 0,25pp, mas não descartamos a manutenção de juros ou, até mesmo, (mas com menor probabilidade) corte no ritmo de 0,50pp”
Luis Fernando Cezario, economista-chefe da Asset1
- Mudanças foram pequenas, trecho da moderação da atividade em setores mais cíclicos é um sinal mais dovish de que atividade está desacelerando
- BC não quer dar sinalização para decidir a cada reunião, o que é o mais sensato a se fazer no momento atual
- “Não há clareza sobre o que será a política fiscal nos próximos anos, e isso será determinante para a taxa de câmbio e a taxa de juros, e ganha mais tempo para avaliar a geopolítica e desaceleração da atividade. BC não tem porque tentar antecipar essa discussão”
- Copom deve ser relativamente neutro sobre preços amanhã
Milena Landgraf, sócia e CIO macro da Jubarte Capital
- “Como veio em linha com o esperado, não vejo mercado oscilando muito amanhã em função do Copom. Deve ser mais impactado por notícias de eleição e mercado externo”
- “As principais mudanças no comunicado foram o reconhecimento da melhora da inflação corrente e de sinais mais claros de desaceleração na atividade nos setores cíclicos. Apesar dessa melhora, a projeção de inflação para o horizonte relevante permaneceu em 3,2%”
- “A manutenção integral do balanço de riscos e da orientação de que a magnitude total do ciclo dependerá de novas informações reforça a postura cautelosa do comitê”
- “Copom evita se comprometer com os próximos passos, mantendo flexibilidade para a próxima reunião, que deve depender principalmente da evolução das expectativas de inflação e do câmbio, que por sua vez serão impactados pelo resultado da eleição”
Isabela Fukase, gestora de renda fixa da Tivio Capital
- “Na minha leitura, o comunicado veio cauteloso e sem grandes mudanças de sinalização. O Copom manteve em aberto a magnitude total do ciclo e reforçou a dependência dos dados”
- “O principal ponto foi a projeção de inflação no horizonte relevante, que permaneceu em 3,2%, ainda acima da meta, mesmo com as mudanças de cenário. Ou seja, o BC ainda não enxerga convergência plena e, por isso, preserva flexibilidade para definir o ritmo e a extensão dos próximos cortes”
- “Acredito que, como ele deixou em aberto, a curva vai continuar precificando o que já tem hoje”
Veja mais em bloomberg.com
© 2026 Bloomberg L.P.








