Bloomberg — Os futuros do açúcar bruto ampliaram os ganhos, atingindo o maior nível desde março de 2025, à medida que a forte demanda por importações da Índia e os atrasos na moagem no Brasil, principal produtor, aumentaram as preocupações com a redução da oferta.
O mercado tem se concentrado no volume que a Índia poderá importar para reforçar seus estoques, e o país abriu uma cota isenta de impostos em agosto, após os preços internos do açúcar terem atingido um recorde histórico. Trata-se de uma medida rara por parte da nação, que ocupa o segundo lugar entre os maiores produtores mundiais da cultura.
As usinas indianas solicitaram autorizações para importar quase 800.000 toneladas de açúcar bruto desde que o governo abriu a cota de importação.
O número, anunciado por Ashwini Srivastava, secretário adjunto para o setor de açúcar do Ministério da Alimentação, representa cerca de 80% do total permitido. As refinarias solicitaram a venda no mercado interno de outras 265.000 toneladas que antes se destinavam à reexportação, afirmou ele na Conferência de Açúcar e Bioenergia da Índia, em Nova Délhi.
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Os contratos futuros subiram até 1,6% em Nova York e registram alta de quase 3% nesta semana.

O preço do açúcar bruto subiu cerca de 30% este ano, à medida que as perspectivas passaram de um excedente para uma escassez na safra de 2026-27. A Organização Internacional do Açúcar prevê um déficit global de cerca de 260.000 toneladas na próxima safra, com o fortalecimento do El Niño devendo afetar as colheitas na Ásia.
O fenômeno climático está associado à seca na Índia. A precipitação durante a estação das monções do país, que termina este mês — e da qual depende a safra de cana-de-açúcar —, está cerca de 15% abaixo dos níveis normais.
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Em outras regiões, chuvas intensas no Centro-Sul do Brasil estão prejudicando a moagem, com previsão de mais chuvas nas principais áreas produtoras do estado de São Paulo, escreveu o analista Rafael Crestana, da StoneX, em uma nota. A alta nos preços do petróleo também está oferecendo algum suporte ao açúcar, pois pode incentivar as usinas a desviar mais cana para a produção de etanol, limitando a produção do adoçante.
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