Bloomberg Línea — A expansão de sistemas de pagamentos instantâneos e do acesso à internet nos últimos cinco anos mudou a forma como a população da América Latina participa do sistema financeiro formal. A região foi a que mais avançou em inclusão financeira no mundo desde 2022, segundo o Índice Global de Inclusão Financeira de 2026, elaborado pela Principal Financial Group (PFG) em parceria com o Centre for Economics and Business Research (Cebr).
A pontuação da América Latina passou de 32,6 pontos em 2022, quando era uma das regiões com os piores resultados, para 44,8 pontos em 2026, uma alta de 12,2 pontos.
A região ainda está abaixo da média global, que chegou a 52 pontos neste ano, o maior nível desde a criação do índice. O ritmo também perdeu força: na comparação com 2025, o avanço foi de 0,1 ponto, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (4).
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O Brasil é o país latino-americano mais bem colocado, na 24ª posição entre os 42 mercados avaliados, com 52 pontos, em linha com a média global.
Na sequência aparecem Argentina (26ª) e Chile (29ª). México (33ª), Colômbia (40ª) e Peru (42ª) estão entre os dez últimos do ranking, liderado por Singapura pelo quinto ano consecutivo, à frente de Hong Kong, Suíça, Coreia do Sul e Estados Unidos.
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O índice avalia os mercados com base em três pilares: o apoio oferecido pelo governo, pelo sistema financeiro e pelos empregadores.
O desempenho brasileiro é sustentado pelo sistema financeiro, pilar em que o país ocupa a 12ª posição, a melhor da região, e pelo apoio dos empregadores, no qual aparece em 13º. No pilar do governo, o Brasil fica em 35º lugar, entre os dez últimos. O país é o último colocado no indicador de complexidade do sistema de tributação corporativa. Em relação a 2025, o Brasil manteve a pontuação, mas caiu uma posição no ranking geral.
Pix no centro da transformação
O relatório atribui o avanço da região à digitalização. No Brasil, o volume de transações em tempo real per capita cresceu 565% entre 2021 e 2024, enquanto o dinheiro em espécie em circulação recuou 0,6 ponto percentual em relação ao PIB.
Brasil e Argentina estão entre os quatro mercados que atingiram o teto do índice no indicador de volume de transações instantâneas, ao lado de Coreia do Sul e Tailândia. Na Argentina, o crescimento das transações instantâneas foi de 767% no período.
O México foi o único dos seis mercados latino-americanos em que a proporção de dinheiro em espécie em relação ao PIB aumentou, o que, segundo o estudo, indica que os pagamentos digitais ainda não substituem o uso de dinheiro em espécie no país.
A conectividade também melhorou na América Latina. A pontuação regional de acesso à internet subiu 12 pontos desde 2022, para 36,4, acima da média global de 34.
“O crescimento dos sistemas de pagamentos instantâneos tem sido um importante impulsionador da inclusão financeira”, afirmou Pablo Sprenger, presidente da Principal para a América Latina, em comunicado. “Mas uma maior digitalização, por si só, não garante maior inclusão financeira. O próximo desafio é assegurar que a inovação se traduza em acesso mais amplo, enquanto a proteção ao consumidor e a regulamentação acompanham esse ritmo”, disse o executivo.
| Posição na América Latina | Posição global* | País | Nota no índice (de 0 a 100) |
|---|---|---|---|
| 1º | 24º | Brasil | 52,0 |
| 2º | 26º | Argentina | 49,4 |
| 3º | 29º | Chile | 46,3 |
| 4º | 33º | México | 39,8 |
| 5º | 40º | Colômbia | 33,7 |
| 6º | 42º | Peru | 29,1 |
Fonte: Índice Global de Inclusão Financeira 2026, Principal Financial Group e Cebr. *Entre 42 países avaliados.
Regulação fica para trás
Segundo o estudo, a estrutura regulatória da região não acompanha o ritmo da infraestrutura digital. A América Latina tem a segunda menor pontuação entre as regiões no indicador que mede o quanto os governos promovem regras de proteção ao consumidor: 33,1 pontos, menos da metade da média global de 67,2.
Quatro dos seis mercados latino-americanos registraram queda nesse indicador. São eles Colômbia, Chile, Argentina e México, cuja pontuação recuou 10,9 pontos. Colômbia, Peru, Chile e Argentina ocupam, respectivamente, a 42ª, a 40ª, a 38ª e a 37ª posições. O Brasil aparece em 32º, três posições acima de 2025.
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Na governança de inteligência artificial (IA), indicador incluído nesta edição, a média regional é de 45,4 pontos, ante 63,3 no mundo. O México ocupa a última posição entre os 42 mercados. O Brasil, em 19º lugar, tem o melhor resultado da região.
Liderança em risco
O relatório também avaliou as estratégias nacionais de fintechs dos mercados avaliados para identificar quais podem liderar o setor no futuro. O Brasil foi classificado como “incumbente em risco”: um mercado com infraestrutura digital desenvolvida, mas com uma estratégia nacional menos abrangente do que a de outros países. O país recebeu 8 de 20 pontos possíveis, a mesma nota da Argentina.
A Colômbia, por outro lado, aparece no grupo dos possíveis líderes da próxima geração, ao lado de Arábia Saudita, Reino Unido, Índia e Hong Kong, com 14 pontos. O estudo cita o Bre-B, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco de la República, e o marco de open finance do país.
“Para mercados como Argentina e Brasil, que fizeram progressos significativos em pouco tempo em suas iniciativas nacionais de pagamentos e finanças digitais, o desafio agora é sustentar o ritmo. Nossa pesquisa mostra que esses mercados podem não ter as estratégias nacionais abrangentes necessárias para dar continuidade ao seu sucesso”, afirmou Kathy Kay, vice-presidente executiva e diretora de tecnologia da informação (CIO) da Principal.
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