Maior fundo climático do mundo libera US$ 4,3 bilhões para projetos

Medida ocorre enquanto o veículo, sediado na Coreia do Sul, analisa pedidos de financiamento que somam US$ 11 bilhões apresentados por países que enfrentam o aumento das emissões e a intensificação de eventos climáticos extremos

Medida ocorre enquanto o veículo, sediado na Coreia do Sul, analisa pedidos de financiamento que somam US$ 11 bilhões apresentados por países que enfrentam o aumento das emissões e a intensificação de eventos climáticos extremos (Foto: COP28)
Por Antony Sguazzin
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Bloomberg — O maior fundo climático apoiado por governos no mundo está liberando bilhões de dólares em capacidade de financiamento ao reduzir drasticamente o volume de capital que pretende manter daqui para frente.

A decisão do conselho do Fundo Verde para o Clima, criado pela Organização das Nações Unidas, vai liberar US$ 4,3 bilhões para projetos climáticos neste ano e no próximo, afirmou a diretora-executiva da instituição, Mafalda Duarte, em entrevista à Bloomberg News. Com isso, o total que o fundo poderá desembolsar no período chegará a US$ 5,65 bilhões.

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A medida ocorre enquanto o veículo, sediado na Coreia do Sul, analisa pedidos de financiamento que somam US$ 11 bilhões apresentados por países que enfrentam o aumento das emissões e a intensificação de eventos climáticos extremos.

O fundo tem sido pressionado a buscar formas de ampliar sua capacidade depois que o Reino Unido reduziu, em maio, sua contribuição em cerca de US$ 1 bilhão até 2027. A decisão veio após os EUA retirarem, no ano passado, um aporte de US$ 4 bilhões.


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“Precisamos maximizar todos os recursos de que dispomos”, afirmou Duarte. “O cenário é desafiador. Estamos acompanhando as novas rodadas de capitalização de diferentes fundos, e todas estão ficando muito abaixo” das contribuições anteriores, disse.

Sob o governo do presidente Donald Trump, os EUA promoveram um corte drástico no financiamento de programas de descarbonização. Mas Washington não está sozinho nesse recuo. Outros países ricos também vêm reduzindo os gastos com políticas climáticas para priorizar temas considerados mais urgentes, como defesa e segurança.

Pelo novo modelo, aprovado pelo conselho do Fundo Verde para o Clima no início deste mês, a instituição mudará a forma de administrar as reservas que dão suporte a empréstimos e garantias, que representam cerca de 40% de sua carteira.

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Até agora, assim que um projeto era aprovado pelo conselho, 100% dos recursos destinados a ele eram separados como reserva de capital. Esse procedimento passará a valer apenas para doações e investimentos em participação acionária, afirmou Duarte.

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Para empréstimos e garantias, o Fundo Verde para o Clima passará a manter uma chamada reserva de conservação de capital equivalente a 15% do valor dessas operações, além de uma reserva de liquidez correspondente ao dobro da taxa histórica de desembolsos projetada para um período de dois anos, afirmou Duarte.

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“Com esses parâmetros, conseguimos liberar essa margem de programação, que representa quanto mais o conselho poderá aprovar em financiamentos”, disse.

Uma proposta mais ambiciosa, que teria liberado até US$ 6 bilhões adicionais para financiamento, não foi aprovada pelo conselho. Como esta é a primeira vez que o novo modelo será adotado, “o conselho nos pediu uma abordagem um pouco mais conservadora”, afirmou Duarte.

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“À medida que acumularmos experiência — ou que o conselho acumule experiência — com essa nova abordagem e ganhe mais confiança, poderemos ampliar ainda mais essa margem de programação”, disse.

Em outubro, o conselho do Fundo Verde para o Clima analisará pela primeira vez uma proposta para aceitar recursos de fontes que não sejam governos, como organizações filantrópicas, afirmou Duarte. A instituição também buscará incentivar países em desenvolvimento a ampliar suas contribuições.

Embora a Europa Ocidental e os EUA sejam considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global devido à industrialização iniciada antes de outros países, China e Índia estão hoje entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo.

“Estamos dialogando com um amplo grupo de países em desenvolvimento para defender a ideia de contribuições voluntárias”, afirmou Duarte.

Desde sua criação, em 2010, o Fundo Verde para o Clima destinou mais de US$ 20 bilhões para ajudar países em desenvolvimento a reduzir emissões e se preparar para eventos climáticos mais extremos.

“O objetivo não é reduzir a prudência, mas substituir uma abordagem linear, de reservar um dólar para cada dólar comprometido, por um modelo baseado em risco que reflita melhor as características reais de risco da carteira”, afirmou o Fundo Verde para o Clima em resposta a perguntas.

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