Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) voltou a ampliar os ganhos enquanto os índices acionários de Wall Street amenizaram as perdas, depois que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, decidiu manter os juros no país entre 5% e 5,25%.
O movimento, que era esperado por grande parte do mercado financeiro, é o primeiro do tipo desde que começou a alta dos juros no país, em março de 2022.
A melhora do humor veio em meio à coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, que amenizou parte dos temores dos investidores. Powell disse que as condições para uma redução da inflação estão ocorrendo, embora os riscos inflacionários sejam persistentes. Segundo ele, a decisão de julho ainda não está definida e a pausa deste mês não deve ser chamada de “pulo”.
Por volta das 16h (horário de Brasília), o principal índice brasileiro operava com alta 1,14%, negociado na casa dos 118 mil pontos. Contribuía para os ganhos a alta nos papéis de Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), que subiam até 3,3%. Já o dólar recuava 0,53%, a R$ 4,84.
Nos Estados Unidos, os três principais índices passaram a oscilar após queda de mais de 0,7%, depois que o Fed deixou as portas abertas para novas altas no futuro. Às 16h05, o S&P 500 subia 0,12%, enquanto o Nasdaq 100, com grande exposição ao setor de tecnologia, tinha ganhos de 0,30%.
O que diz o mercado financeiro
Na avaliação de Étore Sanchez, economista na Ativa Investimentos, a decisão de hoje pode ser vista como “hawkish” (favorável a juros mais altos), haja vista as alterações observadas nos dots, “algo que considerávamos estratégico para afastar cenários de cortes precoces”.
“Seguimos avaliando que a conjuntura irá mostrar convergência mínima da inflação para a atribuição, ao passo que o mercado de trabalho deverá enfraquecer marginalmente a ponto de que em 45 dias o banco central americano sinta-se confortável para interromper o ciclo de altas, podendo adicionar os argumentos sobre a defasagem do impacto da política monetária e renovar o ‘wait and see’”, escreveu, em nota.
Alex Lima, estrategista-chefe da Guide Investimentos, destaca que o Fomc “pegou o mercado com a guarda baixa” ao colocar a média da taxa terminal de 2023 em 5.6% versus 5.3% de expectativa, aumentando residualmente o orçamento do ciclo em 25 pontos-base.
“A curva finalmente tirou os corte até o final do ano, algo que o mercado vêm apontando como anomalia faz algum tempo. Como consequência, o treasury note sobe 10 bps na sessão”, escreveu.
A opinião é compartilhada por Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, que não prevê cortes de juros antes de meados de 2024. “Mantemos nossa visão de que a taxa de juros no fim do ciclo deve alcançar um patamar um pouco acima da atual para desacelerar a inflação, que continua elevada e persistente.”
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