Bloomberg — Os formuladores de políticas do Federal Reserve estão prestes a interromper a alta das taxas de juros pela primeira vez em 15 meses, mantendo um viés de aperto que sinaliza uma possível retomada dos movimentos já no próximo mês.
A decisão e as previsões do comitê serão divulgadas às 15h, no horário de Brasília. O presidente Jerome Powell dará uma entrevista à imprensa 30 minutos depois.
Powell sinalizou anteriormente que os líderes do Fed prefeririam esperar para avaliar o impacto dos últimos aumentos dos juros na economia, bem como das recentes quebras bancárias na oferta de crédito.
No entanto, com a inflação ainda mais do que o dobro da meta do banco central americano, o comitê provavelmente enfatizará que mantém em aberto suas opções de alta novamente em julho ou setembro.
“Esta será uma das coletivas de imprensa mais complicadas para o presidente Powell, que acho que terá como objetivo manter a probabilidade de mercado de uma alta em julho razoavelmente alta”, disse Dean Maki, economista-chefe da Point72 e ex-pesquisador do Fed.

Na avaliação de Anna Wong, Stuart Paul, Eliza Winger e Jonathan Church, economistas da Bloomberg Economics, o Fed provavelmente manterá inalteradas as taxas de juros nesta quarta, caracterizando a decisão como um “pulo hawkish” e mantendo a sinalização de uma nova alta na reunião de julho.
Uma surpresa é possível
Uma surpresa na decisão de hoje é possível. Enquanto Wall Street concorda que o Fed fará uma pausa, os economistas do Citigroup (C) e os da LH Meyer/Monetary Policy Analytics em Washington estão prevendo uma alta nesta quarta.
A empresa de Meyer cita a ênfase de Powell na gestão de riscos, com inflação elevada e um mercado de trabalho muito aquecido.
A decisão vem após o último relatório de inflação CPI de terça-feira (13), que mostrou que o índice geral desacelerou, mas o núcleo, que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, continuou subindo em um ritmo que provavelmente preocupa as autoridades do Fed.
Comunicado após a decisão
A maior parte da declaração provavelmente será quase idêntica à de maio, mantendo um viés de alta sem um compromisso firme. Uma opção seria o comitê observar que está mantendo as taxas inalteradas “por enquanto” ou “nesta reunião”, o que implica a possibilidade de uma mudança futura.
É provável que a declaração continue descrevendo o crescimento como “modesto” e os ganhos de empregos como “robustos”, refletindo dados mistos recentes.
Coletiva de imprensa
É provável que Powell seja pressionado a explicar por que as autoridades do Fed estão sugerindo que o aperto futuro pode ser necessário, mas que não estão se movendo nesta reunião.
“A tensão central, se eles fizerem uma pausa, mas mantiverem um viés de aperto, é: se eles têm tanta certeza sobre a necessidade de aperto no futuro, por que não decidiram aumentar agora?” disse Derek Tang da LH Meyer/Monetary Policy Analytics.
O presidente será questionado sobre as perspectivas para as reuniões de julho e setembro, bem como se ele continua a ver um “pouso suave” como provável para a economia dos EUA. Ele também será solicitado a avaliar o impacto no crédito das quebras bancárias em março.
-- Com a colaboração de Craig Torres.
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