Bloomberg Línea — O arcabouço fiscal continua a ser um dos temas principais no radar dos investidores nesta terça-feira (23). O projeto, que deve ser votado na quarta-feira (24), teve sua urgência aprovada na semana passada por 367 votos a favor e 102 contra. A base governista espera que o novo marco seja aprovado com margem ampla — se isso acontecer, ele seguirá para votação no Senado.
Outro assunto que continua em destaque é o teto da dívida dos Estados Unidos. Na segunda-feira, a conversa entre o presidente Joe Biden e o presidente da Câmara, Kevin McCarthy, acabou com sinais de otimismo, mas sem um acordo. Segundo eles, a conversa foi “produtiva”. McCarthy afirmou que pretende conversar com Biden diariamente até que um acordo seja alcançado.
O mercado há muito assume que, se o Tesouro norte-americano ficar sem dinheiro suficiente durante um confronto partidário do limite da dívida, ele priorizaria os pagamentos de juros e principal dos títulos públicos do Tesouro. Esse mercado de US$ 24 trilhões serve como referência global para os custos de empréstimos, serve como garantia vital para o financiamento nos mercados monetários e constitui uma parte essencial das participações em ativos em todo o mundo.
Para duas autoridades mais hawkish do Federal Reserve (Fed), as taxas de juros ainda devem ser aumentadas neste ano. O presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, disse na segunda-feira que apoiava mais dois aumentos e seu colega de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que se o banco central fizer uma pausa, isso deve sinalizar que o aperto ainda não acabou. A ata da última reunião do Fed será divulgada amanhã.
No Reino Unido, segundo dados divulgados mais cedo, o governo emprestou mais do que o previsto no primeiro mês do ano fiscal, uma vez que os pagamentos de juros da dívida e as medidas de suporte ao custo de vida para os consumidores aumentaram os gastos.
Confira a seguir cinco destaques desta terça-feira (23):
1. Os riscos de um ‘calote’ norte-americano
Clientes de bancos de investimento estão bombardeando Wall Street com perguntas sobre o que acontecerá se o Tesouro dos Estados Unidos ficar sem dinheiro nas próximas semanas e fizer o impensável — deixar de pagar os títulos do Tesouro, a base do sistema financeiro global.
Com o relógio chegando a 1º de junho, data em que a secretária do Tesouro Janet Yellen avisou que seu departamento pode ficar sem dinheiro suficiente.
Alguns acreditam que o impacto pode não ser tão prejudicial. Afinal, desde a crise do limite de dívida de 2011, os participantes do mercado elaboraram um processo para lidar com o Tesouro anunciando que não poderia fazer o pagamento de juros ou principal.
Mas o CEO do JPMorgan Chase (JPM), Jamie Dimon, alertou no início deste mês que até mesmo chegar à beira do abismo é perigoso, com consequências imprevisíveis.
“Quanto mais perto você chega disso, você entra em pânico”, disse ele em uma entrevista em 11 de maio para a Bloomberg Television. “A outra coisa sobre os mercados é que, lembre-se sempre, o pânico é a única coisa que assusta as pessoas — elas tomam decisões irracionais.”
2. Os juros do Fed
Dois diretores mais hawkish do Federal Reserve viram a necessidade de aumentar as taxas de juros ainda este ano, dias depois que o presidente Jerome Powell sinalizou uma pausa em junho, enquanto duas outras autoridades expressaram apoio à paciência.
O presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, disse na segunda-feira que apoiava mais dois aumentos e seu colega de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que se o banco central fizer uma pausa, isso deve sinalizar que o aperto ainda não acabou.
Seus comentários — embora não se oponham explicitamente ao fogo na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) de 13 a 14 de junho — reforçam o caso divulgado por outras autoridades de que eles podem pular uma mudança no próximo mês, enquanto mantêm a porta aberta para caminhar ainda mais, se necessário conter a inflação.
3. Mercados
Os investidores estão exigindo um prêmio mais alto para a dívida dos EUA com maior risco de inadimplência depois que mais uma rodada de negociações sobre o limite de empréstimos terminou sem um acordo.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro de quatro semanas subiram 3,5 pontos-base na terça-feira, elevando seu aumento desde o início de maio para mais de 60 pontos-base. O rendimento do Tesouro de dois anos aumentou 7 pontos-base. Os futuros de ações dos EUA pouco mudaram após um dia sem brilho em Wall Street.
Na Europa, as ações caíram, pois dados mostraram que a atividade manufatureira na região encolheu no ritmo mais rápido desde a pandemia, três anos atrás. Uma derrota em fabricantes de artigos de luxo, incluindo Hermes International e LVMH, arrastou o Stoxx 600 para baixo, já que analistas do Deutsche Bank (DB) alertaram que o setor está lotado e as avaliações são elevadas.
4. Manchetes
Estadão: Tribunal decide afastar novo juiz da Lava Jato das ações da operação
Folha de S. Paulo: Codevasf turbina entregas na Bahia em meio à disputa entre PT e líder do centrão
O Globo: Líderes se reúnem hoje para marcar votação; veja o que falta definir na regra para contas públicas
Valor Econômico: Receita propõe antecipar cobrança em marketplaces
5. Agenda
Nos Estados Unidos, às 9h, no horário de Brasília, são divulgadas as licenças de construção. Às 10h45, é publicado o PMI industrial. Às 11h, são divulgados números sobre as vendas de casas novas. Depois disso, às 14h, acontece o leilão americano Note a dois anos. Por fim, às 17h30 são publicados os estoques de petróleo bruto semanal API.
-- Com informações da Bloomberg News.
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