Barcelona, Espanha — A chance de uma recessão e a incerteza sobre o rumo da política monetária misturam-se aos riscos associados ao limite da dívida dos Estados Unidos e colocam os investidores em resguardo. Ao mesmo tempo, o rumo divergente das economias chinesa e japonesa está em perspectiva, enquanto o mundo corporativo traz novidades.
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Os futuros de índices dos Estados Unidos subiam, enquanto as bolsas na Europa operavam com sinais divergentes. Entre os índices asiáticos, o fechamento também foi misto, novamente com perdas nos índices chineses e ganhos no Japão.
Depois do fechamento dos mercados asiáticos, a maior empresa da China, a Tencent Holdings, apresentou um aumento de 11% em sua receita (US$ 21,4 bilhões), acima do esperado, evidenciando uma retomada dos negócios de internet como publicidade e jogos no país.
No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos recuava para 3,531% às 6h21 (horário de Brasília). O dólar se apreciava ante outras divisas, enquanto o euro e a libra se depreciavam. O bitcoin e o ouro recuavam. Os contratos de petróleo WTI também perdiam valor em meio à expectativa de demanda enfraquecida na China e aumento de estoques nos EUA.
→ O que move os mercados hoje
👥 Força e desapego. O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, e Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, disseram confiar que o aperto monetário leve a economia a um pouso suave, mas Bostic alertou que os integrantes do Fed terão que ser “super fortes e desapegados”, caso isso não se confirme.
↔️ Sinais contrários. Enquanto isso, o mercado avalia os riscos e a chance de um corte de taxas neste ano. Seamus Mac Gorain, chefe de taxas globais do JPMorgan (JPM) em Londres, crê que o mercado está certo e que o juro terá que ser reduzido já em setembro, dada a “certeza virtual” de uma recessão nos EUA, acentuada pela turbulência do setor bancário.
📆 Contra o tempo O presidente Joe Biden e os líderes do Congresso transmitiram um tom mais otimista sobre um acordo para aumentar o teto da dívida e evitar um calote previsto a partir do dia 1º de junho. Nas palavras de Biden, houve um “consenso esmagador” de que a inadimplência não é uma opção. A urgência das negociações levou-o a encurtar sua viagem para a Ásia e voltar no domingo de seu encontro com o G-7 no Japão, para onde embarca hoje.
🇯🇵 🇨🇳 Direções opostas. A economia japonesa cresceu +1,6%, acima do previsto, no primeiro trimestre deste ano, ampliando a expectativa de possível mudança na política monetária expansiva do país. Em direção contrária, a economia chinesa continua dando sinais de fraca recuperação, o que levou o JPMorgan a reduzir a previsão para o PIB do país deste ano de +6,4% para +5,9%. O Barclays também revisou sua projeção de +5,6% para +5,3%.
💲 Fortuna contábil. O UBS Group AG (UBS) calcula que poderá embolsar US$34,8 bilhões com o deságio, ou goodwill negativo, calculado sobre o valor que pagou para levar o Credit Suisse AG (CS). Porém, o banco suíço adverte que litígios, questões regulatórias e passivos relacionados com seu antigo rival podem ter um impacto em seu capital de até US$4 bilhões em 12 meses.
🚄 Avanço industrial. A Siemens AG elevou suas perspectivas para o ano fiscal de 2023, com expansão da receita projetada entre +9% e +11%, indo além da previsão de +7% a +10%, devido ao aumento da demanda neste segundo trimestre fiscal. A carteira de pedidos da empresa fechou o período com US$114 bilhões.
💊 Apetite no mercado. A Pfizer (PFE)fez uma venda de títulos de dívida no valor de US$31 bilhões, segundo a Bloomberg. A empresa teve demanda de US$85 bilhões para a oferta de seus títulos com grau de investimento. O montante será usado pela farmacêutica para financiar a compra da Seagen.
🗿 Controle em questão. O CEO da Microsoft (MSFT) Satya Nadella afirmou que a OpenAI está “muito fundamentada” em sua missão de ser controlada por um conselho sem fins lucrativos, rechaçando alegações de Elon Musk de que a Microsoft estaria no controle efetivo da startup devido ao seu investimento multibilionário na fabricante do ChatGPT.
🚘 Propaganda Tesla. A Tesla (TSLA)pode se lançar no mundo dos anúncios, contrariando a postura adotada até agora, que manteve a empresa distante do marketing tradicional. “Vamos tentar um pouco de publicidade e ver como funciona”, disse o CEO Elon Musk em sua reunião anual de acionistas da Tesla.
➡️ De saída. Sandeep Mathrani deixará o posto de CEO e presidente do conselho da WeWork (WE) no próximo dia 26, para assumir um cargo na Sycamore Partners. É uma nova reviravolta para a empresa que vive um momento de reestruturação. David Tolley, membro do conselho da WeWork, assumirá como CEO interino.

🟢 As bolsas ontem (16/05): Dow Jones Industrials (-1,01%), S&P 500 (-0,64%), Nasdaq Composite (-0,18%), Stoxx 600 (-0,42%), Ibovespa (-0,77%)
Em um dia de queda no exterior e no mercado doméstico, investidores foram tomados pela cautela diante da extensão do impasse sobre o teto da dívida nos EUA. No Brasil, as quedas das ações de Vale e Magazine Luiza ajudaram a derrubar o Ibovespa e interromper a sequência de oito altas.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Pedidos de Hipotecas MBA, Índice de Compras MBA, Licenças de Construção/Abr, Construção de Novas Casas/Abr, Estoques de Petróleo Bruto
• Europa: Zona do Euro (IPC/Abr); Licenciamento de Veículos/Abr (Reino Unido, Alemanha, França e Itália); França (Taxa de Desemprego/1T23); Itália (Balança Comercial/Mar); Portugal (PIB/1T23)
• Ásia: Japão (Balança Comercial/Abr, Produção Industrial e Uso da Capacidade Instalada/(Mar)
• América Latina: Brasil (Vendas no Varejo/Mar,IGP-10, Fluxo Cambial)
• Bancos centrais: Discurso de Andrew Bailey (BoE) e Luis de Guindos (BCE)
• Balanços: Cisco, Siemens, Target, Macy’s, Zurich Insurance Group, Grupo Argos
🗓️ Os eventos de destaque na semana →
(Com informações da Bloomberg News)
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