Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) interrompeu uma sequência de oito altas e fechou em queda de 0,77%, aos 108.194 pontos, nesta terça-feira (16), mesmo após a reação positiva dos investidores à decisão da Petrobras (PETR3; PETR4) de encerrar a política de preços de paridade internacional usada para definir os reajustes da gasolina e do diesel.
Analistas do mercado financeiro avaliaram que o resultado da decisão, por ora, é menos negativo do que o esperado, o que fez os papéis da estatal fecharem em alta.
Os ganhos, no entanto, não foram suficientes para sustentar o Ibovespa, que foi prejudicado pela forte retração dos papéis do Magazine Luiza (MGLU) e pela queda da Vale (VALE3). Os investidores também repercutiram o impasse nos Estados Unidos nas negociações entre o Congresso e o governo sobre o teto da dívida (mais informações no final do texto).
O dólar operava em alta a R$ 4,94, com valorização de 1,05%, ao final do pregão na B3.
No Brasil, as ações do Magazine Luiza desabaram depois de a empresa informar ao mercado um prejuízo líquido de R$ 391,2 milhões no primeiro trimestral, a primeira perda trimestral da companhia desde a abertura de capital em 2011.
Outras varejistas com Via (VIIA3) e CVC (CVCB3) ficaram entre as ações com as maiores quedas do dia.
Na outra ponta, as ações da Hapvida (HAPV3), da Rede D’Or (RDOR3) e da Raízen (RAIZ4) fecharam em alta.
Os investidores também avaliam o relatório do arcabouço fiscal apresentado nesta terça-feira (16). O relator, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), inclui gatilhos no texto impondo limites às despesas do governo em caso de descumprimento das metas fiscais.
Após a apresentação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou a jornalistas que o texto apresentado foi bem recebido pelo governo e que o desafio agora é conseguir aprovar o projeto na Câmara com uma grande margem a favor.
Bolsas internacionais
Já nas bolsas de Nova York, o mercado de ações foi atingido nos minutos finais das negociações nos Estados Unidos, considerando que os políticos de Washington estão com dificuldades para fechar um acordo para evitar um default.
As ações terminaram perto das mínimas da sessão, com o Dow Jones caindo 1%. O presidente da Câmara, Kevin McCarthy, disse que os negociadores estão distantes de um acordo após sua reunião com o presidente Joe Biden, embora reconheça que um acordo de teto da dívida ainda é possível.
“Como ambos os lados sabem o que está em jogo, o default é improvável”, disse Seema Shah, estrategista-chefe global da Principal Asset Management. “No entanto, cada dia mais próximo do prazo do Tesouro em 1º de junho sem uma resolução provavelmente aumentará a volatilidade nos mercados, reduzirá a demanda por ativos de risco dos EUA e até acelerará a recessão.”
O sentimento entre os gestores de fundos deteriorou-se para o nível mais pessimista este ano, com 65% dos participantes da pesquisa agora esperando uma economia mais fraca, mostrou a pesquisa do BofA.
A presidente do Federal Reserve Bank de Cleveland, Loretta Mester, disse que o banco central é incapaz de fazer muito sobre o crescimento econômico lento de longo prazo, mas pode “fazer sua parte” reduzindo os preços. Seu colega de Richmond, Thomas Barkin, disse que ainda está tentando se convencer de que a inflação foi derrotada e que apoiaria o aumento das taxas, se necessário.
As vendas no varejo dos EUA aumentaram em abril, sugerindo que os gastos do consumidor estão se mantendo diante dos ventos econômicos contrários, incluindo inflação e altos custos de empréstimos.
“Não há nada nesta série que tire uma alta dos juros de junho da mesa – embora duvidemos que ela se concretize”, disse Ian Lyngen, da BMO Capital Markets. “Em vez disso, o Fed errará do lado de manter o terminal pelo maior tempo possível, à medida que os ventos econômicos contrários continuarem aumentando, mas permanecerá contido por enquanto.”
Confira como fecharam os mercados nesta terça-feira (16):

-- Com informações da Bloomberg News. Com colaboração de Mariana D’Ávila
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