Bradesco vê alta de inadimplência perto do fim, mas mantém cautela no crédito

Octavio de Lazari Jr., CEO do banco, afirma que está mantendo o nível de risco menor diante das taxas de juros elevadas

Com o aumento da inadimplência, os bancos começaram a migrar para uma política de crédito mais restritiva
Por Felipe Saturnino

Bloomberg — O Bradesco (BBDC4) está cauteloso em conceder empréstimos no momento em que as taxas de juros do Brasil permanecem no nível mais alto em seis anos, sem um ciclo de flexibilização à vista.

O segundo maior banco do Brasil em capitalização de mercado está reavaliando o apetite ao risco desde 2022, quando foi atingido por empréstimos ruins, disse o CEO, Octavio de Lazari Jr.

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“Estamos mantendo um nível de risco muito menor ao restringir o volume de operações de crédito”, disse Lazari. “O momento exige cautela.”

A cautela do Bradesco é o mais recente sinal dos efeitos que uma política monetária restritiva, combinada com uma inflação persistente, teve sobre a economia brasileira.

Com o aumento da inadimplência, os bancos começaram a migrar para uma política de crédito mais restritiva, com foco na redução de riscos.

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O lucro líquido recorrente do banco caiu 37% no primeiro trimestre na comparação anual, para R$ 4,3 bilhões.

Os resultados foram divulgados após o relatório trimestral do Santander Brasil (SANB11) do mês passado mostrar uma queda de quase 50% nos lucros. Este também é um teste para saber se os bancos latino-americanos podem enfrentar a crise financeira global.

A carteira de crédito total do Bradesco recuou 1,4% no primeiro trimestre, em relação ao final do ano passado. O crédito a empresas caiu 3,2%. A inadimplência total da carteira aumentou para 5,1%, ante 4,3% em dezembro. As pequenas empresas estão sob o “maior estresse do Brasil”, disse Lazari.

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O ciclo de inadimplência do Brasil está se aproximando de seu pico, o que resultará em ganhos melhores no próximo trimestre, de acordo com Lazari.

O banco preparou suas provisões para lidar com um crescimento ainda menor do que o esperado no Brasil, segundo Lazari. O banco também provisionou R$ 4,9 bilhões para refletir o colapso da varejista local Americanas (AMER3).

“Os cortes na taxa Selic melhorariam um pouco esse cenário”, disse Lazari em teleconferência com analistas. A carteira de empréstimos “crescerá naturalmente” com melhorias nas perspectivas para a economia, disse ele.

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