Cinco coisas que você precisa saber para começar esta quinta-feira

Investidores reagem às decisões sobre juros dos EUA e do Brasil e aguardam anúncio do BCE; crise bancária continua no radar com possível venda do PacWest

Mercado reage ao comunicado do Copom nesta quinta
PUBLICIDADE
Últimas cotações

Bloomberg Línea — Os investidores reagem aos juros anunciados pelo Banco Central (BC) e pelo Federal Reserve (Fed) nesta quinta-feira (4), ao mesmo tempo em que aguardam a decisão das taxas por parte do Banco Central Europeu (BCE), divulgada às 9h15, no horário de Brasília.

Na quarta-feira (3), o Fed aumentou os juros em 0,25 ponto percentual nos Estados Unidos, em linha com o esperado pelo mercado financeiro, e sinalizou que este pode ter sido seu último movimento do ciclo de aperto. Enquanto isso, no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano e afirmou que seguirá comprometido em levar a inflação à meta, ainda que a taxa básica de juros fique elevada.

PUBLICIDADE

Outro assunto que continua no radar dos investidores é a crise bancária, dessa vez com o PacWest Bancorp no olho do furacão. Ontem, o banco anunciou que está conversando com vários investidores em potencial, buscando acalmar os mercados após uma queda de 60% nas ações que o tornou o novo foco de preocupação com a saúde dos credores regionais dos Estados Unidos.

O bitcoin (XBTUSD) se beneficia com a queda dos bancos e a política monetária dos EUA, subindo 2,9% na manhã de hoje e negociada a US$ 29.241 em Nova York.

Na China, o foco foi o PMI industrial, que caiu de 50,0 em março para 49,5 em abril, ficando abaixo das expectativas do mercado. O indicador caiu abaixo do nível de 50 — o que sinaliza contração em relação ao mês anterior — pela primeira vez desde dezembro. Economistas consultados pela Bloomberg previam uma alta de 51,4.

PUBLICIDADE

O cenário corporativo se aquece hoje, com a divulgação dos resultados de Bradesco (BBDC4), Via (VIIA3), Assaí (ASAI3), Braskem (BRKM5), Eletrobras (ELET3), entre outras.

Confira a seguir cinco destaques desta quinta-feira (4):

1. As falas sobre os juros

Nos Estados Unidos, após o anúncio do aumento dos juros pelo Federal Reserve, foi sinalizada uma possível pausa no aperto monetário. Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), “as informações recebidas serão monitoradas de perto” e foi omitida uma linha de sua declaração anterior em março que dizia que o comitê “previa que alguma política adicional poderia ser apropriada”.

PUBLICIDADE

“Essa é uma mudança significativa que não estamos mais dizendo que prevemos novos aumentos”, disse o presidente Jerome Powell em entrevista coletiva após a decisão, quando perguntado se a declaração é um sinal de que as autoridades estão preparadas para interromper os aumentos de taxas em junho. “Portanto, seremos guiados pelos dados recebidos, reunião após reunião, e abordaremos essa questão na reunião de junho.”

No Brasil, a Selic foi mantida apesar das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em comunicado, o Copom fez uma pequena concessão ao dizer que um novo aumento dos juros é menos provável, suavizando a linguagem usada desde setembro.

Ao mesmo tempo, os formuladores de políticas alertaram que a eventual aprovação de uma nova estrutura de gastos públicos não abriria caminho automaticamente para uma inflação mais lenta e que as estimativas de preços ao consumidor permanecem acima de suas metas.

PUBLICIDADE

A inflação anual diminuiu significativamente na maior economia da América Latina, com os aumentos dos preços ao consumidor caindo dentro da faixa de tolerância do banco central no início de abril. Ainda assim, os cortes de impostos do ano passado, que resultaram em três meses de deflação, estão mantendo essas impressões temporariamente mais baixas, e as medidas básicas que eliminam os itens mais voláteis, como energia e alimentos, estão em alta. A maioria dos analistas está apostando que os aumentos do custo de vida aumentarão daqui para frente.

Na Europa, é esperado que as autoridades aumentem a taxa de depósito em um quarto de ponto para 3,25%, de acordo com investidores do mercado monetário e a maioria dos economistas em uma pesquisa da Bloomberg News.

2. Tentativa de acalmar o mercado

O PacWest Bancorp disse que os depósitos aumentaram desde março e confirmou que está em negociações com vários investidores em potencial, buscando acalmar os mercados após uma queda de 60% nas ações que o tornou o novo foco de preocupação com a saúde dos credores regionais dos EUA.

As ações do banco despencaram após o pregão nos Estados Unidos na quarta-feira, depois que a Bloomberg News informou que a empresa estava considerando opções estratégicas, incluindo uma venda.

Os movimentos bruscos, que também derrubaram um ETF que acompanha os bancos regionais para seu nível mais baixo desde 2020, ressaltaram a renovada angústia dos investidores em relação a um setor abalado por falências de bancos e saídas de depósitos desde o início de março.

A liquidação ocorreu poucas horas depois que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que as autoridades estavam mais perto de conter a turbulência que atingiu quatro bancos este ano. A intervenção e venda do governo do First Republic Bank para o JPMorgan Chase (JPM) foi “um passo importante para traçar uma linha sob esse período de estresse severo” para os credores regionais, disse Powell.

3. Mercados

As ações europeias caíram com os investidores se preparando para uma decisão das taxas do Banco Central Europeu após uma alta de um quarto de ponto do Federal Reserve. Os bancos regionais dos EUA caíram devido a preocupações renovadas sobre a estabilidade financeira.

Os contratos do S&P 500 caíram, com o PacWest Bancorp liderando uma queda nos bancos regionais dos EUA nas negociações de pré-mercado, depois de dizer que está em negociações com vários investidores em potencial.

Os mercados estão começando o mês com decisões de taxas de dois grandes bancos centrais em meio a preocupações persistentes sobre estabilidade financeira e pressões de preços. Hoje, espera-se que o BCE diminua o ritmo de aumento das taxas depois que sua medida preferida de inflação caiu pela primeira vez em 10 meses. As ações dos EUA apagaram um rali na quarta-feira depois que o presidente do Fed, Jerome Powell, minimizou as perspectivas de cortes nas taxas.

4. Manchetes

Estadão: Processos de Bolsonaro no Brasil e no exterior: veja o que ainda pode acontecer com o ex-presidente

Folha de S. Paulo: Moraes usa elo entre desinformação e vacina para despachar em operação contra Bolsonaro

O Globo: Laudo comprova prática de ‘rachadinha’ no gabinete de Carlos Bolsonaro; MP apura se vereador se beneficiou

Valor Econômico: Copom ‘sutil’ deixa em aberto início dos cortes de juros

5. Agenda

A agenda da zona do euro começa às 9h15 com a publicação da taxa de facilidade permanente de depósito e da facilidade permanente de cadência de liquidez. Às 11h15, Christine Lagarde, do BCE, discursa.

Nos Estados Unidos, às 9h30 são divulgados dados sobre exportações, importações, pedidos iniciais por seguro-desemprego, produtividade do setor não agrícola, a balança comercial e o custo unitário da mão de obra. Às 17h30 são divulgados o balanço do Fed e os saldos de reservas com bancos do Fed.

Na China, às 22h45 é publicado o PMI do setor de serviços Caixin.

-- Com informações da Bloomberg News.

Leia também:

O que diz Wall Street sobre a decisão do Fed sobre a taxa de juros

Lazard fecha escritórios na América Latina em meio a demissões

Morgan Stanley e UBS escolhem títulos em vez de ações ante risco de recessão