Barcelona, Espanha — Apesar das incertezas geradas pela turbulência bancária e dos juros em alta, o mercado acionário global sinaliza um segundo trimestre seguido de ganhos. Os investidores seguem atentos a sinais de instabilidade enquanto ajustam suas carteiras de investimento. A interrogação é se o Federal Reserve (Fed) começará a cortar os juros neste ano.
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Os futuros de índices dos Estados Unidos e as bolsas europeias aceleravam os ganhos. A inflação na Zona do Euro se desacelerou para 6,9% em março, depois de subir 8,5% em fevereiro. As estimativas médias apontavam para 7,1% no período. Apesar disso, o núcleo da inflação ainda avançou para 5,7%, o que pode continuar justificando o aperto monetário na região.
Nas negociações em bolsa da Ásia, o sinal foi positivo no último pregão do trimestre. No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos subia para 3,568% às 6h45 (horário de Brasília). O dólar se apreciava ante outras divisas, enquanto libra e euro se desvalorizavam.
Nos demais mercados, os contratos de petróleo WTI mostravam volatilidade, assim como a cotação do ouro e o bitcoin recuava.
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✂️ Corte para quando? Muitos estrategistas avaliam que os operadores não deveriam esperar por um corte de taxas em 2023, pois o mercado de trabalho dos EUA continua forte, ainda que os pedidos de seguro-desemprego tenham subido pela primeira vez em três semanas. O índice deflator (PCE), que retrata o consumo pessoal doméstico dos Estados Unidos, é a variável do dia para equilibrar as apostas sobre o tema. A expectativa é de que continue em alta.
⛔ Bloqueio japonês. Em linha com os esforços dos EUA de limitar o acesso da China a tecnologias sensíveis, o Japão ampliará as restrições às exportações de 23 tipos de tecnologia de ponta para fabricação de chips. Uma dezena de empresas japonesas precisarão de licenças para envios além do previsto de equipamentos usados para transformar silício em chips.
🌺 Primavera cripto. O bitcoin superou o inverno cripto e encerrará o trimestre em clima primaveril como um dos ativos de melhor desempenho, com ganho de cerca de 70%, maior alta trimestral da moeda digital em dois anos.
🔋 Acordo por baterias. A Tesla planeja construir uma fábrica de baterias nos Estados Unidos em possível acordo tecnológico com a fabricante chinesa Contemporary Amperex Technology, a depender da possibilidade de acesso à recente lei de incentivo a tecnologias verdes dos EUA, a exemplo do que anunciou a Ford há um mês.
🔜 Apetite chinês. O braço de logística do Alibaba Group, Cainiao Network Technology, avaliado em mais de US$ 20 bilhões, começou os preparativos para fazer sua oferta pública inicial de ações em Hong Kong. As ações da rival JD dispararam nos EUA depois que duas de suas subsidiárias entraram com pedidos de IPOs em Hong Kong.
☔ Menos estresse. Os bancos diminuíram a tomada de recursos das linhas de crédito do Fed, o que sinaliza que a necessidade de liquidez pode estar se estabilizando. Os empréstimos somaram US$ 152,6 bilhões na semana até 29 de março, ante US$ 163,9 bilhões no período anterior.
🧧 China avança. A economia chinesa cresceu em março, com os PMI de indústria, serviços e construção em expansão. O setor de manufatura conseguiu superar as previsões e se manter aquecido, embora tenha desacelerado para 51,9 em março ante o nível de 52,6 em fevereiro.
👁️ De olho na Índia. A Nestlé SA negocia os termos de um possível acordo com a Capital Foods, empresa indiana com sede em Mumbai, que deve ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão, segundo fontes consultadas pela Bloomberg.
💵 Dólar x Bancos. O Standard Chartered avalia que as apostas em um dólar mais fraco podem prosperar se a preocupação do mercado se restringir à desaceleração da economia. Instabilidades com bancos que afastam os investidores de ativos de risco tendem a ampliar a demanda pela divisa.
🗺️ Outra turma. O Reino Unido fará parte do grupo de 11 países do bloco de livre comércio indo-pacífico, em uma estratégia para reforçar laços comerciais com novos parceiros como Austrália, Japão e Canadá após separar-se da União Europeia.

🟢 As bolsas ontem (30/03): Dow Jones Industrials (+0,43%), S&P 500 (+0,57%), Nasdaq Composite (+0,73%), Stoxx 600 (+1,03%), Ibovespa (+1,89%)
O sinal positivo nas bolsas norte-americanas foi sustentado por operações técnicas, apesar de comentários de membros do Fed sobre a necessidade de mais aperto monetário para conter a inflação.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Núcleo de Preços-PCE/Fev, PMI Chicago/Mar, Confiança do Consumidor-Univ. Michigan/Mar), Renda e Consumo Pessoal/Fev
• Europa: Zona do Euro (IPC/Fev, Taxa de Desemprego); Reino Unido (PIB/4T22, Investimento das Empresas/4T22, Índice de Preços de Imóveis/Mar); Alemanha (Vendas no Varejo/Fev, Preços de Bens Importados/Fev, Taxa de Desemprego); França (IPC/Mar); Itália (IPC/Mar); Espanha (Transações Correntes/Jan); Portugal (IPC/Mar)
• Ásia: Hong Kong (Vendas no Varejo/Fev); Japão (Encomendas de Construção/Fev)
• América Latina: Brasil (Balanço Orçametário, Fluxo Cambial, Taxa de Desemprego, Dívida Líquida/Fev); México (Taxa de Desemprego/Fev)
• Bancos centrais: Discursos de John Williams (Fed) e Christine Lagarde (BCE)
🗓️ Os eventos de destaque na semana →
(Com informações da Bloomberg News)
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