Mercados operam voláteis enquanto avaliam impacto de acordo USB-Credit Suisse

Investidores repercutem as medidas tomadas no fim de semana e o impacto da aquisição do banco suíço para o setor bancário

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
Por Bianca Ribeiro
PUBLICIDADE

Barcelona, Espanha — Após mais um fim de semana agitado entre bancos e autoridades monetárias, os investidores avaliam com apreensão as medidas coordenadas de bancos centrais para prover liquidez ao sistema bancário e os efeitos da aquisição do Credit Suisse pelo UBS. Os analistas fazem suas apostas para o próximo passo do Federal Reserve (Fed), tendo em conta a crise no setor bancário.

→ Leia também o Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea: Arsenal contra a crise bancária

PUBLICIDADE

🔻 Reação dos mercados. A queda das ações de bancos foi destaque na manhã, mostrando receio de que a crise de confiança se alastre. No pré-mercado, os papéis do UBS caíam mais de 5% às 7h31 de Brasília, em reação à compra do Credit Suisse, cujas ações chegaram a recuar ao redor de 60%. As ações do Deutsche Bank e do Commerzbank também perdiam cerca de 3%. Em Hong Kong, os papéis do HSBC declinaram 6,2% e os do Standard Chartered caíram 6%. O fechamento em baixa nas bolsas asiáticas foi seguido por perdas iniciais nas bolsas europeias que se revertiam há pouco, levando os índices para o território positivo. O sinal era instável também entre os futuros de índices dos EUA e o contrato de ouro ainda subia para perto de US$ 2.000 pela primeira vez em um ano.

Michael Wilson, estrategista do Morgan Stanley, disse que o estresse no sistema bancário deve marcar o início de um fim doloroso e “perverso” para o período de baixa das ações dos EUA.

O rendimento do título norte-americano para 10 anos recuava para 3,359 às 7h00 (horário de Brasília). O dólar se depreciava, enquanto a libra e o euro se valorizavam. Nos demais mercados, os contratos de petróleo WTI recuavam e o bitcoin se valorizava ao redor de 1%.

PUBLICIDADE

→ O que move os mercados hoje

⏸️ Pausa no front? A instabilidade financeira leva os investidores a repensarem a hipótese de um aumento de 0,25 ponto percentual dos juros dos EUA. A avaliação é de que as medidas do fim de semana apontam para uma crise mais ampliada que justificaria a pausa do aperto monetário pelo Fed nesta quarta-feira (22).

💬 Impressões do setor. O diretor de Investimentos do JPMorgan, Bob Michele, acredita que o acordo do UBS para comprar o Credit Suisse retira pressão do setor bancário, mas não estanca a crise. Segundo ele, esse cenário pesará sobre o crescimento econômico e reduzirá a pressão inflacionária. A missão do Fed passaria a ser a de evitar uma recessão e cortar a taxa de juros em setembro. Ed Yardeni, da Yardeni Research concorda que essa crise pode gerar uma recessão se for desencadeada uma crise de crédito.

📩 Tudo normal?. O banco suíço avisou à equipe que os bônus e os aumentos salariais ainda serão pagos como prometido no dia 24 de março e que as indenizações por demissões, que podem atingir 9 mil postos, seguirão as regras de mercado. Se espera que a fusão com o UBS seja concluída até o final deste ano. Em um memorando aos funcionários, o CEO do UBS Ralph Hamers advertiu: “até que o negócio seja fechado, o Credit Suisse ainda é nosso concorrente”. Ele lembrou que a equipe não deve tratar de assuntos de negócios com os companheiros do Credit Suisse.

PUBLICIDADE

💵 Sem criptos. O Flagstar Bank de Hicksville, Nova York, do NYCB, concordou em comprar US$ 38 bilhões em ativos, incluindo US$ 25 bilhões em dinheiro e cerca de US$ 13 bilhões em empréstimos do Signature Bank, que estavam sob a guarda do Federal Deposit Insurance Corp (FDIC) após o banco ter sido fechado no dia 12. A oferta não inclui ativos digitais de cerca de US$ 4 bilhões, que serão devolvidos aos clientes.

☢️ Testes ameaçadores. O líder norte-coreano, Kim Jong Un, supervisionou um exercício de contra-ataque nuclear envolvendo um míssil com uma falsa ogiva atômica capaz de atingir a costa oeste do Japão. Segundo a mídia oficial, o país está se preparando para fazer “um contra-ataque nuclear imediato e esmagador a qualquer momento.”

🪖 Putin em Mariupol. O presidente da Rússia Vladimir Putin fez uma passagem surpresa pela cidade ucraniana de Mariupol, em Donetsk, horas após visitar a Crimeia para os chamados “eventos de reunificação” pelos 9 anos de anexação da península. O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra Putin na sexta-feira, citando crimes ilegais envolvendo a deportação de milhares de crianças ucranianas para a Rússia.

PUBLICIDADE
Os mercados esta manhã

🟢 As bolsas na sexta-feira (17/03): Dow Jones Industrials (-1,19%), S&P 500 (-1,10%), Nasdaq Composite (-0,74%), Stoxx 600 (-1,21%), Ibovespa (-1,40%)

A sexta-feira foi de perdas generalizadas nos mercados globais, com o sentimento de aversão a risco predominando entre investidores diante do temor de novas perdas com a crise dos bancos. Decisões de alocação foram impactadas também pela expectativa quanto às reuniões de política monetária desta semana, tanto do Fed como do Copom (no caso brasileiro).

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Saldo de Reservas com Bancos

• Europa: Zona do Euro (Balança Comercial/Jan), Alemanha (IPP/Fev)

• América Latina: Brasil (Boletim Focus, IBC-Br); México (Vendas no Varejo/Jan); Argentina (Balanço Orçamentário/Fev)

• Ásia: China (Taxa de Empréstimo do BPC)

• Bancos centrais: Discurso de Christine Lagarde (BCE)

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

(Com informações da Bloomberg News)

Leia também:

De Wall St à Faria Lima, gestores mudam rotina no fim de semana com nova crise

Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

Content Producer