Mercados mostram volatilidade enquanto avaliam resgates no setor bancário

Operadores ainda ponderam se o pior da crise bancária já passou e monitoram desdobramentos sobre o tema, previsões para os juros e geopolítica

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
Por Bianca Ribeiro
PUBLICIDADE

Barcelona, Espanha — O apoio de US$ 30 bilhões oferecido ao First Republic Bank trouxe alívio ao mercado, que temia mais uma quebra. Mas o foco continua sobre o setor. A atenção também se volta ao próximo passo do Federal Reserve (Fed), no dia 22, depois que o Banco Central Europeu (BCE) cumpriu com a indicação de aumento de 0,50 ponto porcentual dos juros no continente, apesar do cenário de estresse bancário.

→ Leia também o Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea: Os CEOs mais bem pagos do Ibovespa

PUBLICIDADE

As bolsas europeias subiam pouco e os futuros de índices dos Estados Unidos operavam com sinais mistos, ainda avaliando o cenário de resgates do setor bancário. No mercado asiático, o sinal positivo prevaleceu.

No mercado de dívida, o rendimento do título norte-americano para 10 anos recuava para 3,546 às 8h40 (horário de Brasília). O dólar se depreciava, enquanto a libra e o euro se valorizavam.

Nos demais mercados, os contratos de petróleo WTI subia e os de ouro também. O bitcoin se valorizava ao redor de 7%.

PUBLICIDADE

→ O que move os mercados hoje

🎯 O primeiro IPO do ano. O Casino levantou US$ 780 milhões com a venda de outra participação na Assaí, acima dos US$ 600 milhões previstos antes. A rede francesa de supermercados, que busca reduzir seu endividamento, vendeu 254 milhões de ações a R$ 16 reais cada uma, incluindo uma cota adicional. O valor representa um desconto de cerca de 1,5% em relação ao fechamento de ontem. Foi a primeira oferta de ações do Brasil neste ano.

💰 Suporte recorde. Os bancos tomaram emprestados do Fed US$ 164,8 bilhões na semana encerrada em 15 de março, sinalizando o estresse de financiamento do setor após a falência do Silicon Valley Bank. Desse total, US$ 152,85 bilhões saíram de uma linha tradicional de suporte de liquidez, um volume recorde que superou a marca anterior atingida em 2008 (US$ 111 bilhões).

🩹 Falsa confiança. Bill Ackman, da Pershing Square, comentou em um tweet que a ajuda dos grandes bancos dos EUA para o First Republic geram uma “falsa sensação de confiança” e criam mais perguntas do que respostas. “O risco de inadimplência do FRB agora está sendo espalhado para nossos maiores bancos”.

PUBLICIDADE

🧧 Visita à Rússia. Xi Jinping fará na próxima semana sua primeira visita de estado à Rússia desde que começou a guerra contra a Ucrânia. O líder da China estará no país entre os dias 20 e 22 para discutir seu plano para acabar com a guerra na Ucrânia, que já foi rejeitado pelos governos ocidentais. Segundo o Kremlin, o convite foi feito por Putin e o encontro abordará a “parceria sem limites” entre os dois países.

📉 FRB volta a cair. Apesar dos esforços de bancos para restaurar a confiança, as ações do First Republic Bank caíram nas negociações pós-mercado e também hoje, antes da abertura das bolsas. Os papéis do banco, que suspendeu o pagamento de dividendos e disse que emprestou bilhões do Fed na semana passada, caíram 17% no after-market e por volta das 7h de Brasília chegaram a perder mais de 6%. Há pouco, às 7h32, as ações desaceleravam a queda para 3,71%.

⬆️ Passo a passo. A determinação do Banco Central Europeu (BCE) de cumprir com o aumento previsto de 0,50 ponto porcentual da taxa de juros foi acompanhada de um comunicado mais parcimonioso. Ao contrário da decisão anterior, que já anunciava o passo seguinte, o BCE deixou claro que a decisão do próximo encontro dependerá dos números da economia no período.

PUBLICIDADE

🛑 Nova ameaça. A Coreia do Norte lançou hoje o míssil balístico mais poderoso de seu arsenal para “incutir medo nos inimigos”, segundo informou a mídia estatal. O lançamento ocorreu horas antes do encontro no Japão do presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol com o primeiro-ministro Fumio Kishida, em que discutiram cooperação mútua e com os EUA para combater as ameaças nucleares de regimes como o de Kim Jong Un.

🔝 Criptos reagem. Os esforços para dar suporte ao setor bancário deram ânimo aos investidores de criptomoedas. A percepção que os EUA podem elevar menos os juros ou até vir a reduzir a taxa antes do previsto aumenta o apetite pelos ativos e o Bitcoin subia ao redor de 7% nesta manhã. A criptomoeda acumula valorização de 55% neste ano e está perto do nível mais alto desde junho de 2022.

Os mercados esta manhã

🟢 As bolsas ontem (16/03): Dow Jones Industrials (+1,17%), S&P 500 (+1,76%), Nasdaq Composite (+2,48%), Stoxx 600 (+1,19%), Ibovespa (+0,74%)

Após dois dias de perdas, as bolsas dos EUA voltaram ao azul com recuperação das ações do setor financeiro. A ajuda dos grandes bancos do país ao First Republic Bank e o alívio gerado pelo apoio ao Credit Suisse trouxe maior confiança e Janet Yellen, secretária do Tesouro, declarou no Congresso que o sistema continua sólido.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Produção Industrial/Fev, Uso da Capacidade Instalada/Fev, Vendas da Indústria/Fev, Expectativa de Inflação da Univ de Michigan/Mar, Confiança do Consumidor da Univ de Michigan/Mar, Índice de Indicadores Antecedentes/Fev

• Europa: Zona do Euro (IPC/Fev, Salários e Custo de Mão de Obra/4T22); Reino Unido (Expectativa de Inflação); Itália (Balança Comercial)

• América Latina: Brasil (IBC-Br, Taxa de Desemprego)

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

(Com informações da Bloomberg News)

Leia também:

Goldman Sachs vê maior chance de recessão nos EUA após crise bancária

Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

Content Producer