Wall Street ainda espera uma desaceleração na inflação americana

Há sinais bem-vindos de que os preços dos produtos começam a esfriar e redes de abastecimento apontam melhora

Muitos economistas ainda acreditam que os repetidos aumentos dos juros pelo Fed vão conseguir fechar grande parte da lacuna em relação à meta de 2% do banco central até 2024
Por Molly Smith e Reade Pickert
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Bloomberg — Muitos economistas de Wall Street se mantêm firmes na aposta de que a inflação nos Estados Unidos vai se desacelerar de forma significativa em 2023, mesmo que por enquanto sejam obrigados a elevar as previsões para os próximos meses.

Assim como o Federal Reserve, a maioria dos economistas não conseguiu prever a teimosia das pressões dos preços do ano passado e continuam surpresos com o quanto a inflação tem se espalhado pela economia. Isso foi revelado na semana passada pelo núcleo do índice de preços ao consumidor em setembro, que superou as expectativas da maioria dos analistas e subiu para 6,6%, o maior nível em 40 anos.

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Mas, mesmo antes da divulgação, economistas haviam elevado as projeções de inflação para os próximos trimestres. Apesar disso, muitos ainda acreditam que os repetidos aumentos dos juros pelo Fed vão conseguir fechar grande parte da lacuna em relação à meta de 2% do banco central até 2024.

“Acho que todo mundo está trabalhando para trás e dizendo: ‘Vamos acreditar na palavra do Fed de que estão decididos a reduzir a inflação’”, disse Andrew Hollenhorst, economista-chefe do Citigroup. Sem projeções de que taxas mais altas sufocarão o crescimento econômico e aumentarão o desemprego, “então não haveria essa expectativa de que a inflação vai cair”.

De acordo com a pesquisa mensal mais recente da Bloomberg com economistas, o núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) - indicador de inflação preferido do Fed – tende a registrar ganho médio anual de 2,8% no quarto trimestre do próximo ano e de 2,6% no primeiro trimestre de 2024. O levantamento foi realizado antes do último relatório do CPI.

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As próprias previsões do Fed mostram um quadro semelhante. A autoridade monetária espera um núcleo do PCE mediano de 3,1% em 2023 e 2,3% em 2024, de acordo com as projeções mais recentes da reunião de setembro. Ao mesmo tempo, agora vê o índice de preços, que exclui alimentos e energia, em 4,5% este ano, acima da projeção de 4,3% em junho.

No entanto, alguns economistas têm suas dúvidas.

Stephen Stanley, economista-chefe da Amherst Pierpont Securities, diz que “teríamos sorte” se o núcleo do CPI desacelerasse para 4% na taxa anual até o fim de 2023. Stanley destaca que a composição da inflação é preocupante e que as “categorias mais persistentes são as que parecem estar conduzindo as coisas agora”.

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No fim, o Fed vai apertar a política monetária o suficiente para esfriar o mercado de trabalho, afirmou. “Mas parece que temos um longo caminho a percorrer para chegar lá.”

Há alguns sinais bem-vindos de que os preços dos produtos começam a esfriar. Redes de abastecimento continuam a dar sinais de melhora, e os juros altos devem pesar sobre a demanda em toda a economia.

Impacto habitacional

O mercado imobiliário apresenta as evidências mais claras até agora de que as políticas do Fed já causam impacto na economia. Os juros das hipotecas dispararam para o nível mais alto em 20 anos, o que mina a demanda e começa a se infiltrar por meio da desaceleração dos preços dos imóveis.

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Enquanto isso, as vendas no varejo ficaram estáveis em setembro, enquanto as receitas em lojas de materiais de construção caíram 0,4% após fortes altas nos dois meses anteriores, o que destaca o efeito dos juros mais elevados.

“O ‘momentum’ diminui à medida que a incerteza econômica cresce, e os preços mais baixos podem ter ajudado a restringir determinadas categorias em meio ao aumento dos estoques de varejo”, disse o economista da Bloomberg Andrew Husby em nota na sexta-feira (14).

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