Breakfast

O luxo de estar imune à crise

No Breakfast de hoje: Mercados buscam rumo após surpresa com inflação, gestores tentam fazer as pazes com volatilidade em ambiente hostil e Netflix revoluciona sua estratégia, agora com anúncios

Tempo de leitura: 5 minutos

Bloomberg Línea — Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia e ótima leitura!

Mercados agitados, inflação crescente e o constante desânimo econômico estão atingindo em cheio varejistas de todos os cantos do mundo. Mas há um setor da economia que parece imune: o dos bens de luxo.

Mesmo com os ventos recessivos soprando em várias direções, continua ávida a demanda entre os consumidores por bolsas, relógios, joias e carros. Isso fica evidente no salto de 22% nas vendas de moda e artigos de couro da LVMH, dona da Louis Vuitton e da Christian Dior, no último trimestre.

O alívio de sair vivo da pandemia superou qualquer má notícia, pois os consumidores podem adotar uma postura mais ‘carpe diem’”, disse Luca Solca, analista da Bernstein, em relatório. O termo é uma expressão em latim que significa “aproveite o dia”. “Ninguém quer ser a pessoa mais rica do cemitério.”

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Essa atitude fez com que filas se formassem do lado de fora das lojas da Christian Dior e da Chanel em Paris, Berlim e Londres, em cenas que lembram a era pré-pandemia, quando turistas chineses aproveitavam os preços mais baixos na Europa. Só que agora, com os chineses ainda em grande parte ausentes devido às políticas de covid zero de seu país, os americanos com seus dólares fortes e os europeus se tornaram os principais clientes destas marcas.

O apetite persistente por marcas procuradas entre os endinheirados transcendeu itens como bolsas e acessórios caros e ajudou a aumentar as vendas de carros da Mercedes Benz em mais de um quinto no último trimestre. A oferta pública inicial da Porsche se beneficiou do prestígio de luxo da marca, cujo valor de mercado superou o de sua controladora, a Volkswagen.

Leia mais: Não há recessão no setor de luxo: vendas da Dior e da Mercedes disparam

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No radar dos Mercados

A volatilidade mostra que veio para ficar. Pelo menos na sessão de hoje dos mercados financeiros, que iniciaram o dia em alta, mas nos Estados Unidos começavam a cambalear. A falta de um rumo tem a ver com a divulgação, ontem, de uma inflação norte-americana persistente e maior que a estimada por analistas. Os investidores consolidam as apostas em mais um aumento de juros da ordem de 0,75 ponto porcentual pelo Federal Reserve (Fed) em novembro.

🍽️ Prato do dia. Hoje, o foco estará nos resultados de grandes bancos internacionais, com expectativa de queda de seus ganhos por ação, apesar do favorecimento da alta dos juros. Além disso, no front macroeconômico se destacam as vendas varejistas e a confiança do consumidor (Universidade de Michigan) nos EUA.

📈 Saindo da lógica. A recuperação surpreendente de ontem foi explicada no mercado por compras programadas desencadeadas após o índice S&P ter acusado perda acumulada de quase metade dos ganhos auferidos após a pandemia. A reversão de uma onda de opções de venda compradas para proteção contra surpresas com o IPC acabou ampliando ganhos para os investidores, que aproveitaram para ir às compras. Indo além das transações técnicas, os investidores monitoram hoje os comentários da dirigente do Fed, Lisa Cook, após o dado de inflação superar previsões.

💸 Preços na vitrine. Hoje é a vez de Alemanha, França e Espanha divulgarem seus indicadores de inflação de setembro, o que pode ajudar a calibrar as expectativas do mercado em relação à política restritiva do Banco Central Europeu (BCE) para controlar os preços na região. Na China, o IPC de setembro marcou +2,8%, abaixo do esperado pelos analistas, como resultado da política Covid Zero e seu efeito depressor sobre a demanda.

🕹️ BoE no controle. Os investidores acompanham nesta sessão o encerramento da compra emergencial de títulos do governo do Reino Unido pelo Banco da Inglaterra (BoE) para equilibrar o mercado, no valor equivalente a US$ 74 bilhões. O mercado monitora também sinais de que o governo do Reino Unido estaria se preparando para abandonar seu grande plano de corte de impostos, que disparou a volatilidade no mercado de dívida e forçou a intervenção do BoE.

→ A análise completa você lê no Radar dos Mercados

Os mercados esta manhã
🟢 As bolsas ontem (13): Dow Jones Industrials (+2,38%), S&P 500 (+2,60%), Nasdaq Composite (+2,23%), Stoxx 600 (+0,85%), Ibovespa (-0,46%)

As bolsas em Wall Street tiveram um dia de grande volatilidade, mas encerraram com forte valorização após a divulgação dos dados da inflação norte-americana de setembro. O S&P 500 conseguiu recuperar mais de 40% das perdas sofridas durante seis dias consecutivos de negociação. Os preços ao consumidor dos EUA voltaram a subir mais do que o esperado, reforçando a possibilidade de outro aumento dos juros em 75 pontos base pelo Fed em novembro.

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Agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Vendas no Varejo/Set, Estoques das Empresas/Ago, Sentimento do Consumidor - Univ. de Michigan, Preços de Bens Importados e Exportados/Set, Balanço Orçamentário, Reuniões do FMI

Europa: Zona do Euro (Balança Comercial/Ago, Encontro do Eurogrupo, Total de Ativos da Reserva/Set); Alemanha (Índice de Preços no Atacado/Set); França (Índice de Preços ao Consumidor/Set); Espanha (Índice de Preços ao Consumidor/Set)

Ásia: China (Balança Comercial, Índice de Preços ao Consumidor e ao Produtor);

América Latina: Brasil (IBC-Br, Índice do Setor de Serviços/Ago); Argentina (IPC/Set)

Bancos centrais: Boletim Trimestral do BoE, Compra de emergência de bônus pelo Bank of England (BoE) prevista para terminar. Discursam Lisa Cook (Fed) e Robert Holzmann (BCE)

Balanços: JPMorgan Chase & Co, Citigroup Inc, Morgan Stanley, UnitedHealth, U.S. Bancorp, Wells Fargo

📌 Para segunda-feira:

Balanços: Bank of America, Bank of NY Mellon, Charles Schwab, Rio Tinto, Guaranty Bancshares

• EUA (Índice de Atividade Empire State/Out); China (PIB/3T22, Produção Industrial/Set, Vendas no Varejo/Set); Japão (Produção Industrial); Balanços (Bank of America, Bank of NY Mellon, Rio Tinto, Guaranty Bancshares)

Destaques da Bloomberg Línea:

Fim de uma era: Netflix terá plano com anúncios no Brasil e 11 países

Atlas divulga pesquisa: Lula tem 51,1% das intenções de voto, e Bolsonaro, 46,5%

Por que o mercado já aposta em corte de juro no Brasil em março de 2023

E mais na versão e-mail do Breakfast:

• Também é importante:Volatilidade cria oportunidades e deve ser aliada, defendem gestores em NY | Jovens ricos perdem a confiança em ações e buscam ativos como criptos, diz BofA | Países não deveriam aumentar as metas de inflação para além de 2%, diz FMI

• Opinião Bloomberg: Por que a alimentação à base de plantas ainda parece ser o futuro

• Pra não ficar de fora: Vem aí o iBank? Apple anuncia conta bancária ao consumidor

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Edição: Michelly Teixeira, News Editor | Europe