Mercados em alerta com perspectiva de recessão e plano fiscal do Reino Unido

Embora os índices acionários demonstrem menos tensão nesta manhã, as moedas recuam com força e afetam as cotações de commodities

Conheça os eventos que vão orientar os investidores hoje
Por Bianca Ribeiro - Michelly Teixeira
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Barcelona, Espanha — O estresse do pregão de sexta-feira volta tomar conta das operações financeiras de hoje. Em alguns momentos da manhã, os investidores bem que tentaram reagir, mas sem convicção e com um movimento errático tanto entre os futuros de índices dos Estados Unidos como entre as bolsas europeias. A nuvem de preocupações com o impacto dos juros mais altos sobre o crescimento econômico continua firme, com olhares voltados para potenciais riscos para a inflação, como o plano inglês de recuperação e alguns indicadores indicadores de atividade nos EUA e na Alemanha.

⚖️ Reino Unido confunde. Nesse sentido, o mercado monitora desdobramentos do plano do Reino Unido de reduzir impostos para reanimar a economia, o que poderia jogar contra a política monetária do próprio país de controlar os preços com a alta dos juros e os investidores já apostam que o Banco da Inglaterra terá que calibrar a política monetária.

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💸 Moedas derretem. Esta manhã, a libra chegou a tombar quase 5% frente ao dólar, carregando consigo outras divisas globais, incluindo o euro, e dando seguimento à depreciação de sexta-feira, quando a primeira-ministra da Inglaterra, Liz Truss, divulgou o plano de corte de impostos no país. A moeda britânica caiu para US$ 1,0350 no momento de maior tensão. Há pouco, a divisa caía 1,41%, para US$ 1,0697.

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☂️ Busca por proteção. Nesse contexto, os mercados de títulos soberanos também mostram a dimensão da aversão ao risco dos investidores em uma trajetória que pode chegar ao pior desempenho em décadas. O prêmio dos títulos do Tesouro de 10 anos chegou a subir dez pontos base hoje, mais de 3,78%, alcançando um novo máximo de 15 anos.

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→ Mais fatores que guiam os mercados hoje:

👀 Atenção à Europa. Na Alemanha, o indicador de confiança empresarial IFO piorou mais do que o previsto: ficou em 84,3, contra estimativas de 87,0 e os 88,5 da leitura anterior - o terceiro pior registro da história. A guerra da Ucrânia, a crise energética e o aperto monetário do BCE complicam o panorama econômico. O Alemanha também apresenta hoje seu PIB do terceiro trimestre, o que ajudará os analistas a projetarem o andamento da maior economia do bloco europeu. Os investidores consideram também os planos do novo governo italiano, com a vitória da direitista Giorgia Meloni, que amealhou 43% dos votos. A visão no momento é de que ela tem pouca experiência de governo para lidar com o momento delicado que atravessa o país de interrupção de fornecimento de gás russo em pleno inverno, o que deve pesar sobre o orçamento doméstico.

📈 Semana de atividade. Enquanto absorvem os números do dia e o cenário conturbado, os investidores trabalham também com a perspectiva de um conjunto de dados importantes com retrato das grandes economias no último trimestre. Reino Unido apresenta o PIB do último trimestre assim como os Estados Unidos, que também revela o comportamento do mercado de trabalho.

Os mercados esta manhã
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-1,62%), S&P 500 (-1,72%), Nasdaq Composite (-1,80%), Stoxx 600 (-2,34%), Ibovespa (-2,06%)

As ações caíram drasticamente ao redor do mundo depois que os investidores abraçaram sinais de que a política monetária restritiva continuará. Se intensificaram os temores de que a batalha global para controlar o alto custo de vida leve a um aumento da recessão econômica. As preocupações entre os investidores foram turbinadas pelo plano de estímulo anunciado pelo Reino Unido.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Índice de Atividade do Fed de Dallas e de Chicago/Ago

Europa: Alemanha (PIB/3T22, Índice IFO de Clima de Negócios); Espanha (Confiança do Consumidor)

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Ásia: China (Lucro Industrial/Ago); Hong Kong (Balança Comercial)

América Latina: Brasil (Confiança do Consumidor/Set, Transações Correntes/Jul/ Receita Tributária); Argentina (Atividade Econômica/Jul); México (Atividade Econômica/Jul)

Bancos centrais: Christine Lagarde (BCE), Luis de Guindos (BCE), Silvana Tenreyro (BoE) Joachim Nagel e Johannes Beermann (Bundesbank), Haruhiko Kuroda (BoJ)

📌 Para a semana:

Terça: EUA (Pedidos de Bens Duráveis/Ago, Vendas de Casas Novas/Ago, Confiança do Consumidor/Set, Discurso de Jerome Powell e Charles Evans- Fed); Europa (Discurso de Christine Lagarde - BCE); Japão (Atas da reunião do BoJ); Brasil (Ata do Copom, IPCA-15/Set); Argentina (Vendas no Varejo); México (Balança Comercial/Ago, Taxa de Desemprego/Ago

Quarta: Mary Daly (Fed de São Francisco), Rafael Bostic (Fed Atlanta), Charles Evans (Fed Chicago) e Christine Lagarde (presidente do BCE) falam em eventos

Quinta: EUA (PIB, Pedidos de Seguro-Desemprego, Loretta Mester e Mary Daly, do Fed, falam em eventos separados); Zona do Euro (Confiança Econômica, Confiança do Consumidor); Alemanha (IPC)

Sexta: EUA (Renda do Consumidor, Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan, Discursos de Lael Brainard (vice-presidente do Fed) e de John Williams (Fed de NY); Reino Unido (PIB); China (PMI); Zona do Euro (IPC, Taxa de Desemprego)

(Com informações da Bloomberg News)

Bianca Ribeiro

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