Bloomberg Línea — Os mercados tiveram uma sessão de perdas nesta segunda-feira (22), com investidores à espera do simpósio anual de Jackson Hole, na sexta-feira (26), que deve trazer novas sinalizações sobre os próximos passos do Federal Reserve em sua política de aperto monetário.
As expectativas por falas mais agressivas trazem um tom de cautela e levam investidores a reduzirem o apetite ao risco, com temores de uma recessão global à vista. O movimento contribuiu para novos ganhos no dólar, que era negociado a R$ 5,17 próximo do fechamento.
No Brasil, o Ibovespa (IBOV) caiu 0,89%, encerrando o pregão negociado aos 110.500 pontos. O grupo das maiores baixas do dia foi liderado pelas ações de Petz (PETZ3), com queda de 7,07%.
Destaque para as ações de Americanas (AMER3), que dispararam 22,5% após a companhia anunciar que Sergio Rial (ex-presidente do Santander) irá substituir Miguel Gutierrez como CEO da empresa a partir de 1º de janeiro de 2023. A troca foi considerada positiva por analistas do mercado.
Nos Estados Unidos, as ações tiveram sua pior queda em dois meses, após uma alta que levou o S&P 500 ao seu melhor início de terceiro trimestre desde 1932. O Nasdaq 100 teve o pior desempenho em Wall Street, com queda de 2,6%, enquanto o Dow Jones teve seu pior pregão desde junho.
O frenesi das ações de memes continuou a se desenrolar, com outros cantos especulativos do mercado, como Bitcoin e empresas de tecnologia sem lucro, também sendo derrotadas.
Confira como fecharam os mercados nesta segunda-feira (22):

Contexto
A recuperação das ações dos EUA desde as baixas de junho foi interrompida quando a temporada de balanços terminou, com a ameaça de uma recessão econômica ainda pairando em meio a alertas de autoridades do Fed de que a batalha contra a inflação está longe de terminar.
Essa postura provavelmente será reforçada quando Jerome Powell falar na sexta-feira (26) no prestigiado evento de Jackson Hole, que tem sido usado pelos presidentes do Fed como local para fazer anúncios de políticas importantes.
De fato, embora o recente rali das ações tenha desencadeado conversas sobre uma nova corrida de alta, a história mostra que pode haver mais turbulência pela frente. Olhando para os últimos seis mercados em baixa desde a década de 1970, quatro deles experimentaram uma média de seis ou sete tendências de curta duração, de acordo com a Glenmede.
O estudo também mostrou que o aumento de 17% em relação às baixas de junho foi consistente com as altas históricas do bear market.
As atenções também seguem voltadas para a iminente aceleração da redução do balanço do Fed. O chamado aperto quantitativo entra em ação no próximo mês e aumentará a pressão sobre ativos mais arriscados que se beneficiaram de ampla liquidez. Na semana passada, estrategistas do Bank of America (BAC) disseram que a liquidação do balanço do banco central representa um risco para os preços das ações.
- Com informações de Bloomberg News
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