Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da nota originalmente publicada às 6h43. Atualiza com virada das ações europeias e dos futuros americanos para queda)
A definição, amanhã, dos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) segue como a principal expectativa do mercado. O evento marcará uma nova era, pois interrompe um ciclo de 11 anos sem subidas de taxas. Depois de ter começado o dia em alta, com os ponderando se o pior para as ações já tinha passado, os negócios com renda variável passaram a cair. A possibilidade de uma desaceleração econômica mundial despontando no horizonte fomenta a cautela entre os investidores.
Essa faísca de otimismo das últimas sessões e do começo da manhã sucede um período muito difícil para os mercados acionários e bônus: somente no S&P 500 foram apagados nada menos que US$ 8 trilhões no primeiro semestre.
O índice Stoxx Europe 600 passou a cair, após uma alta modesta no início desta manhã, diante dos receios de abastecimento diante de uma iminente crise energética. O euro, em relação ao dólar, se situava no maior patamar de duas semanas, empurrado pela perspectiva de juros maiores no continente.
Os títulos do Tesouro norte-americanos continuavam ganhando valor, assim como a maior parte de seus pares europeus. O petróleo bruto tipo West Texas Intermediate caía e rondava os US$ 102 por barril. O bitcoin pairava acima de US$ 23.000.
Nos Estados Unidos, o movimento também foi revertido, com os contratos futuros apagando a alta do início da manhã. Após perder mais de 1 milhão de clientes no primeiro semestre de 2022, a Netflix (NFLX) mandou ontem uma mensagem aos investidores: poderia ter sido pior. Isso animou os investidores, com ações negociadas em torno de 7% nas operações prévias à abertura das bolsas em Nova York. Neste trimestre, a Netflix espera inscrever 1 milhão de assinantes. Embora isso seja bem inferior aos 1,83 milhões previstos pelos analistas neste período, reverte as perdas do primeiro semestre.
→ Estes são os fatores que estão orientando os mercados:
👀 Alívio no front energético? A Europa deve voltar a ser abastecida com o gás russo esta semana, o que atenua o risco de uma pressão adicional nos custos energéticos. Mas parece que a provisão se dará a conta-gotas. Embora tenha sinalizado que o gasoduto Nord Stream voltará a operar, o presidente Vladimir Putin avisou que, a menos que se resolvam as sanções envolvendo as turbinas enviadas ao Canadá para manutenção, os fluxos serão fortemente limitados.
O gasoduto russo Nord Stream 1 está previsto para voltar a bombear gás para a Alemanha amanhã. A Rússia diz que a pausa para manutenção ocorreu porque o Canadá não teria devolvido, devido às sanções impostas à Rússia por sua invasão à Ucrânia, algumas turbinas que estavam sendo reparadas.
🔄 Caminho oposto. Enquanto seus pares mundiais advogam por subidas cada vez maiores dos juros, o Banco Popular da China anunciou esta madrugada que manterá em 3,7%, pelo sexto mês consecutivo, sua taxa para empréstimos de um ano. A última modificação no custo deste empréstimo, em janeiro, foi em direção a uma queda (era de 3,8% naquela ocasião). O custo da dívida de cinco anos, referência para as hipotecas, permaneceu em 4,45%.
👥 Macro e Micro. No âmbito microeconômico, o episódio de hoje na temporada de balanços terá Tesla e Abott Labs como protagonistas. Indicadores de confiança e de preços na Europa, além de dados sobre o mercado imobiliário norte-americano, estão no radar dos investidores.
🔥 Hot, hot, hot. Falando em inflação, os preços ao consumidor britânico atingiu um novo pico de 40 anos em junho, intensificando a crise do custo de vida e aumentando a pressão sobre o Banco de Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) para que este proporcione um aumento (mais) agressivo das taxas de juro no próximo mês. Os preços ao consumidor subiram 9,4% frente ao ano anterior, o maior aumento desde fevereiro de 1982.
• Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Investidores na pista das blue chips brasileiras

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+2,43%), S&P 500 (+2,76%), Nasdaq Composite (+3,11%), Stoxx 50 (+1,38%), Ibovespa (+1,37%)
As bolsas de valores dos EUA voltaram a se subir, em um contexto em que os investidores analisam os balanços trimestrais e se os mercados tocaram ou não o fundo do poço. O rali ocorre em meio à expectativa de que o BCE e o Fed dos EUA aumentem suas taxas de juros. O S&P 500 teve seu melhor dia em três semanas.
Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Feriado: Colômbia
• EUA: Pedidos e Juros de Hipotecas MBA, Estoques de Petróleo Bruto, Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA
• Europa: Zona do Euro (Confiança do Consumidor/Jul, Transações Correntes/Mai); Alemanha (IPP/Jun); Reino Unido (IPC e IPP/Jun)
• Ásia: China (Novos Empréstimos, Investimento Estrangeiro Direto/Jun); Japão (Balança Comercial/Jun)
• América Latina: Argentina (Atividade Econômica/Mai, Balanço Orçamentário/Jun, B
alança Comercial/Jun)
• Bancos centrais: Pronunciamento de Sabine Mauderer (Bundesbank)
• Balanços do dia: Tesla, Abott Labs, Weg
📌 Para a semana:
• Balanços: Roche, AT&T, Blackstone Group, SAP, American Airlines, American Express, entre outros
• Quinta-feira: Decisões sobre taxas de juros do Banco do Japão e do Banco Central Europeu (BCE). Gasoduto Nord Stream 1 programado para reabrir após manutenção
• Sexta-feira: Indicadores PMIs/Jul: Japão, França, Alemanha, Reino Unido e Zona Euro; Reino Unido (Índice GfK de Confiança do Consumidor); Japão (IPC/Jun); Levantamento do BCE com previsões econômicas
(Com informações da Bloomberg News)









