Mercados apagam altas e viram com medo de recessão

Guiam os operadores as expectativas quanto ao tom do BCE, que amanhã define o juro, e a volta do abastecimento de gás russo à Europa, além dos balanços corporativos

Conheça os eventos que vão orientar os investidores nesta terça-feira, 5 de julho
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Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada da nota originalmente publicada às 6h43. Atualiza com virada das ações europeias e dos futuros americanos para queda)

A definição, amanhã, dos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) segue como a principal expectativa do mercado. O evento marcará uma nova era, pois interrompe um ciclo de 11 anos sem subidas de taxas. Depois de ter começado o dia em alta, com os ponderando se o pior para as ações já tinha passado, os negócios com renda variável passaram a cair. A possibilidade de uma desaceleração econômica mundial despontando no horizonte fomenta a cautela entre os investidores.

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Essa faísca de otimismo das últimas sessões e do começo da manhã sucede um período muito difícil para os mercados acionários e bônus: somente no S&P 500 foram apagados nada menos que US$ 8 trilhões no primeiro semestre.

O índice Stoxx Europe 600 passou a cair, após uma alta modesta no início desta manhã, diante dos receios de abastecimento diante de uma iminente crise energética. O euro, em relação ao dólar, se situava no maior patamar de duas semanas, empurrado pela perspectiva de juros maiores no continente.

Os títulos do Tesouro norte-americanos continuavam ganhando valor, assim como a maior parte de seus pares europeus. O petróleo bruto tipo West Texas Intermediate caía e rondava os US$ 102 por barril. O bitcoin pairava acima de US$ 23.000.

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Nos Estados Unidos, o movimento também foi revertido, com os contratos futuros apagando a alta do início da manhã. Após perder mais de 1 milhão de clientes no primeiro semestre de 2022, a Netflix (NFLX) mandou ontem uma mensagem aos investidores: poderia ter sido pior. Isso animou os investidores, com ações negociadas em torno de 7% nas operações prévias à abertura das bolsas em Nova York. Neste trimestre, a Netflix espera inscrever 1 milhão de assinantes. Embora isso seja bem inferior aos 1,83 milhões previstos pelos analistas neste período, reverte as perdas do primeiro semestre.

Estes são os fatores que estão orientando os mercados:

👀 Alívio no front energético? A Europa deve voltar a ser abastecida com o gás russo esta semana, o que atenua o risco de uma pressão adicional nos custos energéticos. Mas parece que a provisão se dará a conta-gotas. Embora tenha sinalizado que o gasoduto Nord Stream voltará a operar, o presidente Vladimir Putin avisou que, a menos que se resolvam as sanções envolvendo as turbinas enviadas ao Canadá para manutenção, os fluxos serão fortemente limitados.

O gasoduto russo Nord Stream 1 está previsto para voltar a bombear gás para a Alemanha amanhã. A Rússia diz que a pausa para manutenção ocorreu porque o Canadá não teria devolvido, devido às sanções impostas à Rússia por sua invasão à Ucrânia, algumas turbinas que estavam sendo reparadas.

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🔄 Caminho oposto. Enquanto seus pares mundiais advogam por subidas cada vez maiores dos juros, o Banco Popular da China anunciou esta madrugada que manterá em 3,7%, pelo sexto mês consecutivo, sua taxa para empréstimos de um ano. A última modificação no custo deste empréstimo, em janeiro, foi em direção a uma queda (era de 3,8% naquela ocasião). O custo da dívida de cinco anos, referência para as hipotecas, permaneceu em 4,45%.

👥 Macro e Micro. No âmbito microeconômico, o episódio de hoje na temporada de balanços terá Tesla e Abott Labs como protagonistas. Indicadores de confiança e de preços na Europa, além de dados sobre o mercado imobiliário norte-americano, estão no radar dos investidores.

🔥 Hot, hot, hot. Falando em inflação, os preços ao consumidor britânico atingiu um novo pico de 40 anos em junho, intensificando a crise do custo de vida e aumentando a pressão sobre o Banco de Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) para que este proporcione um aumento (mais) agressivo das taxas de juro no próximo mês. Os preços ao consumidor subiram 9,4% frente ao ano anterior, o maior aumento desde fevereiro de 1982.

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• Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Investidores na pista das blue chips brasileiras

Mercados mudam de rumo e caem na Europa e nos EUA
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+2,43%), S&P 500 (+2,76%), Nasdaq Composite (+3,11%), Stoxx 50 (+1,38%), Ibovespa (+1,37%)

As bolsas de valores dos EUA voltaram a se subir, em um contexto em que os investidores analisam os balanços trimestrais e se os mercados tocaram ou não o fundo do poço. O rali ocorre em meio à expectativa de que o BCE e o Fed dos EUA aumentem suas taxas de juros. O S&P 500 teve seu melhor dia em três semanas.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

Feriado: Colômbia

EUA: Pedidos e Juros de Hipotecas MBA, Estoques de Petróleo Bruto, Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA

Europa: Zona do Euro (Confiança do Consumidor/Jul, Transações Correntes/Mai); Alemanha (IPP/Jun); Reino Unido (IPC e IPP/Jun)

Ásia: China (Novos Empréstimos, Investimento Estrangeiro Direto/Jun); Japão (Balança Comercial/Jun)

América Latina: Argentina (Atividade Econômica/Mai, Balanço Orçamentário/Jun, B

alança Comercial/Jun)

Bancos centrais: Pronunciamento de Sabine Mauderer (Bundesbank)

Balanços do dia: Tesla, Abott Labs, Weg

📌 Para a semana:

Balanços: Roche, AT&T, Blackstone Group, SAP, American Airlines, American Express, entre outros

Quinta-feira: Decisões sobre taxas de juros do Banco do Japão e do Banco Central Europeu (BCE). Gasoduto Nord Stream 1 programado para reabrir após manutenção

Sexta-feira: Indicadores PMIs/Jul: Japão, França, Alemanha, Reino Unido e Zona Euro; Reino Unido (Índice GfK de Confiança do Consumidor); Japão (IPC/Jun); Levantamento do BCE com previsões econômicas

(Com informações da Bloomberg News)