Emergentes têm US$ 237 bilhões de títulos em risco de calote

Foco se volta para El Salvador, Gana, Egito, Tunísia e Paquistão - países que acumulam uma alta taxa de dívida

Coletivamente, essas 19 nações abrigam mais de 900 milhões de pessoas, e algumas – como Sri Lanka e Líbano – já estão em default.
Por Sydney Maki
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Bloomberg — Quase um quarto de trilhão de dólares de dívida soberana de alto risco ameaça arrastar o mundo em desenvolvimento em uma cascata histórica de inadimplência.

O Sri Lanka foi o primeiro país a parar de pagar seus detentores de títulos estrangeiros este ano, sobrecarregado por custos em disparada de alimentos e combustível que desencadearam protestos e caos político. A Rússia seguiu em junho depois de ser pega em uma rede de sanções.

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Agora, o foco se volta para El Salvador, Gana, Egito, Tunísia e Paquistão – nações que a Bloomberg Economics vê como vulneráveis ao default. O custo para proteger títulos de mercados emergentes de um calote aumentou para o nível mais alto desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, e o alerta também vem de nomes como a economista-chefe do Banco Mundial, Carmen Reinhart, e especialistas em dívida de longo prazo de emergentes, como o ex-gestor da Elliott Management, Jay Newman .

“Com relação aos países de baixa renda, os riscos da dívida e as crises da dívida não são hipotéticos”, disse Reinhart à Bloomberg Television. “Já estamos quase lá.”

O número de mercados emergentes com dívida soberana negociada em níveis de estresse – com rendimentos altos que indicam que os investidores temem um calote – mais que dobrou nos últimos seis meses, segundo dados de um índice da Bloomberg. Coletivamente, essas 19 nações abrigam mais de 900 milhões de pessoas, e algumas – como Sri Lanka e Líbano – já estão em default.

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Em jogo, estão US$ 237 bilhões devidos a detentores de títulos estrangeiros que são negociados com prêmios de risco bastante elevados em relação aos Treasuries americanos. Isso representa quase um quinto – ou cerca de 17% – dos US$ 1,4 trilhão de dívida soberana de mercados emergentes denominada em dólares, euros ou ienes, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

E, como as crises têm mostrado repetidamente nas últimas décadas, o colapso financeiro de um governo pode criar um efeito dominó, ou contágio, à medida que operadores ariscos tiram dinheiro de países com problemas econômicos semelhantes e, ao fazê-lo, aceleram sua queda.

A pior dessas crises foi o colapso da dívida latino-americana na década de 80. O momento atual, dizem observadores de mercados emergentes, tem uma certa semelhança. Como naquela época, o Federal Reserve começou subitamente a aumentar juros em um ritmo rápido na tentativa de conter a inflação, provocando uma valorização do dólar que dificulta o serviço de dívida estrangeira dos países em desenvolvimento.

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