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Mercados em queda por expectativa de política monetária mais restritiva pelo Fed

Futuros nos EUA e bolsas europeias recuam, enquanto investidores pedem prêmios mais altos para carregar os títulos soberanos

As variáveis que orientarão os mercados
06 de Abril, 2022 | 08:39 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — A campanha do Federal Reserve (Fed) contra a inflação pesa sobre os mercados financeiros. No dia do evento mais esperado da semana, a divulgação da ata da última reunião do banco centra norte-americano, declinam os futuros de índices nos EUA e as bolsas europeias.

A venda de títulos soberanos se intensifica. O prêmio do bônus de 10 anos já supera os 2,6%, situando-se nas faixas de 2018 e 2019, um reflexo das apostas de que o Fed realize o aperto monetário mais acentuado em quase três décadas.

Nos EUA, os futuros indexados ao Nasdaq 100 caíam mais de 1%. Gigantes da tecnologia, incluindo Twitter Inc., Microsoft Corp. e Tesla Inc., estavam entre os que apresentaram pior desempenho nas operações prévias à abertura das bolsas. Na Europa, o índice Stoxx 600 cedia mais de 1%, com os setores de viagens, automóveis e tecnologia liderando as perdas.

Os prêmios do título do Tesouro dos EUA de 10 anos voltam a crescer para a faixa vista em 2018dfd

🔦 Foco no Fed

Hoje o Fed divulga as atas da reunião de política monetária de 16 de março, quando confirmou o prognóstico do mercado de alta do juro e sinalizou que o aperto monetário não parava por aí.

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A expectativa dos investidores é grande, sobretudo depois de um discurso incendiário de Lael Brainard, que dirige o Fed de Minneapolis. Brainard afirmou que o Fed elevará os juros de forma constante e que reduzirá o balanço patrimonial em ritmo acelerado a partir de maio.

Esta, aliás, foi a notícia de maior impacto, já que os investidores esperavam uma redução do balanço patrimonial do Fed para um pouco mais adiante. Uma das maneiras de o Fed reduzir o seu balanço, hoje em torno dos US$ 8,9 bilhões, é liquidar os títulos que vão vencendo, em vez de rolar a dívida emitindo novos bônus. Na prática, isso significa retirar liquidez dos mercados.

🏦 Argumentos fortes

A inflação em disparada, com o índice de preços ao consumidor situado no maior nível em 40 anos, e o mercado de trabalho em níveis próximos ao do pleno emprego, dão ao Fed argumentos para referendar uma política monetária mais agressiva.

“Dado que a recuperação tem sido consideravelmente mais forte e rápida do que no ciclo anterior, espero que o balanço encolha consideravelmente mais rápido do que na recuperação anterior”, disse Brainard, que aguarda a confirmação do Senado para ser nomeada vice-presidente da autoridade monetária.

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Os investidores temem que um banco central americano mais restritivo possa acabar derrubando a maior economia do mundo, conduzindo-a até mesmo a uma recessão. O ressurgimento do vírus na Ásia e a guerra na Ucrânia também turvam as perspectivas de preços e crescimento.

🤝 Todos de acordo?

Além de pistas sobre as próximas ações do banco central, a ata de hoje dará uma ideia sobre a concordância entre os membros do Fed, pois de um lado está a inflação em disparada, mas de outro a guerra na Ucrânia e a covid-19 ameaçam o fornecimento de matérias-primas e o ritmo das cadeias de produção.

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Os mercados antes da abertura das bolsasdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow (-0,80%), S&P 500 (-1,26%), Nasdaq (-2,26%), Stoxx 600 (+0,19%), Ibovespa (-1,97%)

O aceno mais agressivo do Fed no tocante ao aumento dos juros levou as bolsas norte-americanas a fecharem no vermelho. A guerra na Ucrânia também afetou as operações: uma nova rodada de sanções, além de um possível embargo ao carvão russo, incluiria a proibição de todos os novos investimentos na Rússia e outras medidas contra instituições financeiras e empresas estatais.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Pedidos de Hipotecas MBA; Índice de Compras MBA; Índice do Mercado Hipotecário; Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA; Estoques de Petróleo Bruto; Relatório Semanal EIA de Estoques de Destilados; Produção e Estoques de Gasolina

• Europa: Zona do Euro (IPP/Fev); Alemanha (Encomendas à Indústria/Fev); Espanha (Confiança do Consumidor)

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• Ásia: Japão (Reservas Internacionais/Mar)

• América Latina: Brasil (IGP-DI/Mar; Fluxo Cambial Estrangeiro); México (Investimento Fixo Bruto/Jan)

• Bancos centrais: Atas da Reunião do FOMC; Discurso de Luis de Guindos, Fabio Panetta, Philip Lane (BCE), Asahi Noguchi (BoJ)

📌 E para amanhã:

• EUA: Pedidos Iniciais por Seguro Desemprego; Estoque de Gás Natural; Crédito ao Consumidor/Fev

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• Europa: Zona do Euro (Vendas no Varejo/Fev); Alemanha (Produção Industrial/Fev; PCSI da Thomson Reuters/IPSOS/Abr); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Mar; Empréstimos Garantidos por Hipotecas; PCSI da Thomson Reuters/IPSOS/Abr)

• Ásia: Japão (Índice de Indicadores Antecedentes; Transações Correntes); Hong Kong (Reservas Internacionais/Mar)

• América Latina: Argentina (Produção Industrial/Fev)

• Bancos centrais: BCE publica atas de reunião de Política Monetária. Discursos de James Bullard, Charles Evans, Raphael Bostic e John Williams (Fed), além de Burkhard Balz (Bundesbank)

-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.