Ao vivo: EUA veem Putin mal orientado por militares sobre guerra na Ucrânia

A promessa da Rússia de reduzir as operações militares na Ucrânia marca um ponto de virada no conflito ou simplesmente uma mudança tática?

Soldado ucraniano inspeciona um caminhão do exército russo na cidade de Trostianets, no nordeste, em 29 de março de 2022.
Por Bloomberg News
PUBLICIDADE

Bloomberg — A Rússia disse que está reagrupando suas forças na Ucrânia em um esforço para completar a tomada da região leste de Donbas, um sinal de que Moscou não está reduzindo suas atividades militares, apesar da promessa de diminuir as operações perto de Kiev e Chernihiv.

“O objetivo da redistribuição das forças armadas russas é ativar as operações nas direções prioritárias, em primeiro lugar, a conclusão da libertação total de Donbas”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, em comunicado. Ele disse que as forças perto de Kiev e Chernihiv cumpriram seus principais objetivos de afastar as forças ucranianas.

PUBLICIDADE

A Rússia anunciou na terça-feira que estava cortando operações nessas áreas no que chamou de esforço para construir confiança em meio a negociações sobre um possível cessar-fogo. A Ucrânia e seus aliados ocidentais disseram que a medida parece ser apenas uma tentativa de ganhar tempo, já que a Rússia não conseguiu ganhar terreno contra os militares ucranianos.

Nesta quarta, o Kremlin disse que não havia avanços nas negociações com a Ucrânia. Os ataques continuaram a ser relatados perto de Kiev.

O presidente Joe Biden disse que vai esperar e ver se a Rússia cumpre a promessa feita após as negociações de paz em Istambul. A desescalada não significa um cessar-fogo ou a retirada completa das tropas de Kiev, disse uma fonte próxima ao Kremlin.

PUBLICIDADE

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, está na China em sua primeira visita desde a invasão. Pequim tem hesitado em oferecer uma resposta consistente à guerra, apoiando o raciocínio de Vladimir Putin para invadir, mas expressando preocupação com vítimas civis e pressionando por negociações para acabar com os combates.

Confira as últimas atualizações pelo horários de Brasília:

EUA veem Putin ‘enganado’ pelos militares russos (21h01)

Autoridades da Casa Branca disseram que os serviços de inteligência dos EUA sugerem que Putin se sentiu enganado por seus conselheiros sobre a guerra na Ucrânia, inclusive no período que antecedeu o conflito no mês passado, aumentando as tensões entre o presidente russo e os militares.

PUBLICIDADE

“Acreditamos que Putin está sendo mal informado por seus conselheiros sobre o desempenho dos militares russos e como a economia russa está sendo prejudicada por sanções, porque seus conselheiros seniores têm muito medo de lhe dizer a verdade”, disse Bedingfield a repórteres, sem fornecer detalhes sobre as evidências por trás da avaliação.

Alemanha diz que Putin concorda em receber euros (17h20)

A Alemanha disse que o presidente russo, Vladimir Putin, indicou que os países europeus podem continuar pagando pelo gás russo em euros, apesar de uma demanda anterior por pagamentos em rublos.

Depois que o chanceler alemão Olaf Scholz conversou com Putin na quarta-feira, um porta-voz do governo alemão disse que Putin afirmou a Scholz que “os pagamentos continuariam sendo feitos exclusivamente em euros” ao banco russo da Gazprom e depois seriam convertidos em rublos. Scholz pediu “informações escritas para entender o procedimento com mais precisão”. O Kremlin disse apenas que Scholz e Putin concordaram que seus especialistas discutiriam o assunto.

PUBLICIDADE

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, também conversou com Putin na quarta-feira sobre o assunto, como o presidente francês Emmanuel Macron fez um dia antes. Os países estão entre os maiores consumidores de gás russo da União Europeia, e as ligações podem sinalizar uma sensação de alarme na Europa sobre um possível corte. Ministros de energia do Grupo dos Sete países rejeitaram nesta semana a exigência de pagamento em rublos, o que as autoridades dizem violar os termos do contrato.

Ossétia do Sul diz que está tentando se juntar à Rússia (14h45)

A região separatista georgiana da Ossétia do Sul tomará medidas legais para ingressar na Federação Russa, disse seu presidente Anatoly Bibilov em um discurso publicado no site do partido russo no poder.

Apenas alguns países, incluindo Rússia, Síria e Nauru, reconheceram a Ossétia do Sul desde que declarou independência após a guerra da Rússia com a Geórgia em 2008. A Rússia anexou um território pela última vez em 2014, quando tomou a Crimeia da Ucrânia.

Biden prometeu mais ajuda em ligação com Zelenskiy (13h32)

O presidente Joe Biden conversou com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, por cerca de uma hora na quarta-feira, e prometeu “US$ 500 milhões em ajuda orçamentária direta” dos EUA, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

Eles discutiram como os Estados Unidos estão “trabalhando 24 horas por dia para atender às principais solicitações de assistência de segurança da Ucrânia” e “esforços contínuos dos Estados Unidos com aliados e parceiros para identificar recursos adicionais para ajudar os militares ucranianos a defender seu país, de acordo com o comunicado.

Blinken diz que Putin está recebendo informações equivocadas sobre a guerra (13h10)

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que o presidente russo Vladimir Putin está recebendo informações equivocadas sobre a guerra porque aqueles ao seu redor têm medo de dar más notícias.

“Um dos calcanhares de Aquiles da autocracia é que você não tem pessoas nesses sistemas que falam a verdade ou que têm a capacidade de falar a verdade ao poder”, disse Blinken a repórteres durante uma visita a Argel. “E eu acho que isso é algo que estamos vendo.”

Funcionários de serviço de inteligência dos EUA chegaram à mesma conclusão, de acordo com um servidor ão identificado citado pela Associated Press. A autoridade disse que uma descoberta de inteligência recente concluiu que Putin se sentiu enganado pelos militares russos e que agora há uma tensão persistente entre ele e altos funcionários da defesa. Descobriu-se que Putin não estava ciente de que recrutas estavam sendo enviados para a Ucrânia ou sobre a extensão dos danos à economia russa devido às sanções impostas pelos EUA e aliados, de acordo com a AP.

Johnson questiona as conversas de Macron com Putin (12h44)

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, questionou o valor dos esforços do presidente francês Emmanuel Macron para persuadir Vladimir Putin a se envolver em um cessar-fogo.

“A questão das negociações com Vladimir Putin - o valor dessas negociações - é aberta”, disse Johnson a um painel de membros do Parlamento em Londres. “Minha opinião é que claramente Putin não é confiável.”

Johnson também disse que o Reino Unido está examinando o fornecimento de veículos blindados para a Ucrânia, pois está “procurando aumentar” o apoio. Questionado sobre quando as sanções contra a Rússia poderiam ser suspensas, ele respondeu: “Eu certamente não acho que você poderia esperar que o G-7 suspendesse as sanções simplesmente porque tenhamos um cessar-fogo na Ucrânia”, mas se recusou a responder se a Rússia teria que se retirar da Crimeia, que anexou em 2014.

Negociador russo diz que Ucrânia concorda com as principais exigências (10h57)

Vladimir Medinsky, principal negociador da Rússia, está otimista com os resultados das negociações da terça-feira, dizendo que a oferta escrita que apresentou à Ucrânia “pela primeira vez mostrou disposição para cumprir toda uma série das mais importantes condições” estabelecidas pelo Moscou, informou a agência Tass.

Medinsky citou especificamente a disposição de Kiev de concordar em desistir de sua ambição de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte, bem como declarar neutralidade e se comprometer a não obter armas nucleares. Mas ele reiterou que Moscou se recusa a discutir o status da Crimeia, que Moscou anexou da Ucrânia em 2014. Kiev buscou conversas sobre o assunto como parte do acordo de paz.

Mais cedo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as negociações desta semana não avançaram e que ainda há muito trabalho a ser feito antes que um acordo seja possível.

A Alemanha fala em dar uma garantia de segurança à Ucrânia (9h54)

O porta-voz do governo Steffen Hebestreit disse que o chanceler Olaf Scholz sinalizou em vários telefonemas ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy que a Alemanha tem uma “disposição geral” para atuar, junto com outros países, para dar garantia de segurança à Ucrânia. Ele acrescentou, no entanto, que isso ainda se encontra numa fase “muito inicial” porque ainda não há cessar-fogo.

Kremlin minimiza negociações e atrasa pagamentos de gás com rublo (7h21)

As conversas com a Ucrânia em Istambul “não produziram nenhum avanço”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas um dia após as negociações de paz em Istambul, acrescentando que ainda há muito trabalho a ser feito. Ele disse que a disposição dos negociadores ucranianos de fornecer propostas específicas no papel foi “positiva”.

Peskov também disse a repórteres que o processo de mudança para pagamentos em rublos para entregas de exportação de gás russo levará tempo e não começará imediatamente nesta semana, apesar do prazo de 31 de março em uma ordem presidencial sobre o tema. “Esse processo é mais demorado por razões tecnológicas”, disse ele.

As exportações de combustíveis refinados da Rússia estão caindo rapidamente à medida que os compradores se afastam após a invasão da Ucrânia, prejudicando o acesso aos suprimentos em um mercado que já está preocupado com os estoques.

Europa registra consequências econômicas da guerra (7h14)

Os danos econômicos da guerra na Ucrânia estão piorando em toda a Europa à medida que a inflação já recorde dispara ainda mais e a Alemanha enfrenta o perigo de recessão por causa de sua dependência da energia russa.

Na Espanha, a inflação subiu quase 10% em março – a maior em quase quatro décadas – enquanto os assessores do chanceler Olaf Scholz reduziram as perspectivas de crescimento da Alemanha.

Os 4 milhões de refugiados da Ucrânia (5h48)

Mais de 4 milhões de refugiados da Ucrânia fugiram após cinco semanas de combates, segundo a agência de refugiados das Nações Unidas. Filippo Grandi, alto comissário da ONU para refugiados, disse que está na Ucrânia agora para se reunir com autoridades na cidade ocidental de Lviv.

No total, cerca de 10 milhões de pessoas na Ucrânia foram forçadas a deixar suas casas.

Os refugiados da Ucrânia são agora 4 milhões, cinco semanas após o início do ataque russo. Acabei de chegar na Ucrânia. Em Lviv, discutirei com as autoridades, a ONU e outros parceiros maneiras de aumentar nosso apoio às pessoas afetadas e deslocadas por esta guerra sem sentido.

Polônia vai evitar fontes de energia russas este ano (5h14)

A Polônia planeja “fazer tudo” para parar de importar petróleo e gás russos até o final de 2022, disse o primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki, em entrevista coletiva. A maior economia da União Europeia fora do euro também interromperá as compras de carvão da Rússia até abril ou maio, disse ele.

O primeiro-ministro pediu à UE que taxasse as importações russas de hidrocarbonetos para limitar a capacidade da Rússia de construir seu exército e atacar países vizinhos.

Reino Unido diz que sanções permanecerão até que as tropas deixem a Ucrânia (5h)

O vice-primeiro-ministro do Reino Unido, Dominic Raab, disse que as sanções à Rússia permanecerão até que o país retire suas tropas da Ucrânia.

“As sanções existem para apertar o controle sobre a máquina de guerra de Putin e até que a invasão seja retirada – e acho que isso precisaria ser por completo ou com base verificável – não acho que as sanções possam ou devam ser suspensas.” Raab disse à rádio BBC em Londres.

Ataques continuam perto de Kiev, diz Ucrânia (4h24)

Os combates continuaram ao norte e oeste de Kiev, apesar da declaração da Rússia de que retiraria suas forças. As forças russas bombardearam alvos em várias cidades, incluindo Hostomel, Bucha e Makariv, e houve ataques em vilarejos ao longo da principal rodovia que sai da capital, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia.

As forças russas também bombardearam a cidade de Chernihiv, no norte, durante a noite, danificando estruturas civis, incluindo bibliotecas e shopping centers, de acordo com Vyacheslav Chaus, governador da região, que disse estar cético em relação à promessa da Rússia. “Acreditamos nisso? Certamente não”, disse ele em um comunicado em vídeo.

Rublo se recupera com a recuperação das ações de Moscou (4h16)

O rublo da Rússia se fortaleceu pelo terceiro dia consecutivo, chegando mais perto de eliminar as perdas acentuadas nas semanas após Putin enviar tropas para a Ucrânia. As ações em Moscou subiram até 3,5% com a recuperação dos produtores de petróleo e gás. O petróleo bruto se recuperou após dois dias de ganhos, enquanto as ações na Europa caíram junto com os futuros de ações dos EUA.

Alemanha aciona plano de emergência para fornecimento de energia (3h55)

A Alemanha ativou um plano de emergência para garantir o fornecimento de gás natural com a preocupação de que a guerra na Ucrânia pudesse interromper os envios da Rússia. Será criada uma força-tarefa que se reunirá diariamente para monitorar a situação e o ministro da Economia, Robert Habeck, exortou empresas e consumidores a ajudar reduzindo o consumo de energia sempre que possível.

Ucrânia pressiona por rotas mais humanitárias (3h51)

A Ucrânia propôs que a Rússia concorde em estabelecer corredores humanitários para 97 áreas que sofreram danos de guerra, disse a vice-primeira-ministra, Iryna Vereshchuk, em um comunicado em vídeo. Na quarta-feira (30), houve acordo para três desses corredores, partindo de Mariupol, Melitopol e Energodar.

Índia de olho em novos pagamentos em rublos para o petróleo russo (3h45)

A Índia está considerando uma proposta da Rússia para usar um sistema baseado em rublos desenvolvido pelo banco central russo para pagamentos bilaterais, enquanto o país asiático busca comprar petróleo e armas do país atingido pelas sanções. A Índia deseja continuar o comércio bilateral devido à sua dependência das armas russas e à perspectiva de comprar petróleo mais barato à medida que os preços globais aumentam. Lavrov chega à Índia para uma visita de dois dias na quinta-feira (31).

Prédios de apartamentos atingidos por ataque russo (2h59)

A Rússia bombardeou prédios residenciais em Lysychansk, na parte controlada pela Ucrânia da região de Luhansk, e vários prédios de apartamentos sofreram danos significativos, segundo o governador da região. Moscou também atacou as cidades de Rubizhne, Kreminna e Zolote na região durante a noite.

O bombardeio na região de Luhansk também fez com que outras 30.000 residências ficassem sem eletricidade e 34.000 residências parassem de receber fornecimento de gás.

Algumas unidades russas retornam à Bielorrússia, diz Reino Unido (2h38)

Algumas unidades russas que sofreram grandes perdas estão retornando à Bielorrússia para se reagrupar, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido em uma atualização no Twitter. “Tal atividade está pressionando ainda mais a já tensa logística da Rússia e demonstra as dificuldades que a Rússia está tendo para reorganizar suas unidades em áreas avançadas dentro da Ucrânia”, disse o ministério, alertando que a Rússia deve continuar lançando mísseis e ataques de artilharia.

Petróleo russo é atingido nas exportações e refino (2h21)

Três indicadores-chave da indústria de petróleo da Rússia caíram na segunda quinzena de março, à medida que o apetite pelos barris do país caiu internamente e no exterior, segundo dados vistos pela Bloomberg. Isso indica como a pressão internacional sobre a guerra está afetando a indústria de energia da Rússia, que responde por cerca de 10% da produção global de petróleo.

Apenas um punhado de países impôs proibições explícitas às importações da Rússia, mas muitos clientes tradicionais estão buscando outros fornecedores como resultado da condenação de sua agressão militar.

Ministro das Relações Exteriores da Rússia na China (23h25)

Lavrov deve participar de uma reunião de ministros das Relações Exteriores de países que fazem fronteira com o Afeganistão, informou a Interfax na semana passada.

Ele também deve visitar a Índia na quinta-feira (31) para discutir a venda de petróleo russo ao país e a possibilidade de um método de pagamento denominado em rupia-rublo, que poderia funcionar fora do sistema de mensagens SWIFT.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey #Lavrov, chega a Tunxi, China.#RussiaChina

— MFA Rússia (@mfa_russia) 30 de março de 2022

EUA alertam cidadãos sobre detenções (23h12)

O Departamento de Estado dos Estados Unidos alertou seus cidadãos que as forças de segurança do governo russo na Ucrânia e na Rússia podem “separá-los e detê-los” – reeditando avisos de viagem para ambos os países que pediram aos americanos que partam imediatamente.

Zelenskiy vê sinais ‘positivos’ nas negociações de paz (17h35)

Existem alguns sinais “positivos” da última rodada de negociações de paz, embora esses sinais “não abafem as explosões de bombas russas”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em seu discurso diário em vídeo à nação.

O presidente ucraniano novamente descartou qualquer compromisso sobre a soberania e a integridade territorial da Ucrânia nas negociações, e disse que a questão da flexibilização das sanções à Rússia não pode ser levantada antes que a guerra termine.

Ameaça a Kiev não desapareceu, diz Pentágono (16h25)

A ameaça a Kiev não acabou apesar da conversa russa de recuar, porque os objetivos de Putin continuam a se estender muito além da região leste de Donbas, disse o porta-voz do Pentágono John Kirby a repórteres.

“Ninguém deve se enganar com a afirmação recente do Kremlin de que de repente reduzirá os ataques militares perto de Kiev ou quaisquer relatos de que retirará todas as suas forças”, disse Kirby. É “um reposicionamento, não uma retirada real” de posições ao redor da capital ucraniana.

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também