ONU indica que preços dos alimentos se aproximam de recorde histórico

Cotações registraram valorização de quase 20% em janeiro, impulsionadas pelos óleos vegetais

Índice de preços dos alimentos se aproxima do maior patamar da história

Bloomberg Línea — Os preços dos alimentos estão cada vez mais perto de superar o patamar mais elevado da série histórica do indicador global medido pela FAO, a organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura. Em janeiro, o índice chegou aos 135,7 pontos, registrando uma valorização de 19,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. Com esse resultado, o indicador, que mede os preços médios dos alimentos em todo o mundo, está a apenas 2 pontos para superar o nível mais alto já alcançado na série histórica, existente há 32 anos e que foi registrado em fevereiro de 2011.

O dado de janeiro ainda não leva em consideração os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada no final de fevereiro. A expectativa é que o recorde seja alcançado já na próxima atualização do índice, quando estará refletido o preços dos alimentos mensurados em fevereiro. Vale lembrar que, de dezembro para janeiro, o índice de preços da FAO avançou 1,5 ponto, o que, em termos percentuais, representou um crescimento de 1,1%.

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A alta dos preços dos alimentos em janeiro foi impulsionada pela valorização dos óleos vegetais no mercado internacional. Os preços subiram 33,9% em comparação a janeiro do ano passado e chegaram ao patamar mais elevado da série histórica, medida desde o início de 1990. Segundo a FAO, dois fatores justificam a alta das cotações médias dos óleos vegetais no início. A primeira vem da Indonésia. Maior produtor e exportador de óleo de palma do mundo, o país asiático pode ter uma redução em sua oferta ao mercado neste ano.

O segundo fator tem uma boa contribuição do Brasil. Com a produção menor na safra atual de soja, o mercado corrigiu os preços do óleo, uma vez que a demanda da Índia, um dos maiores consumidores do mundo, segue aquecida. Correndo por fora, mas com um peso significativo está o petróleo, que segue em alta no mercado internacional e garante sustentação aos óleos de origem vegetal como um todo.

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A queda nos estoques globais e o menor volume de leite entregue em alguns dos maiores países produtores fez com que os preços dos derivados lácteos registrassem quinto mês consecutivo de alta. Em janeiro, as cotações subiram 18,7% em comparação ao mesmo período do ano passado e registraram um avanço de 2,4% em relação a dezembro. Segundo a FAO, a Europa reduziu suas exportações no início do ano e existe a expectativa que a Oceania produza neste ano menos do que sua média histórica. Além disso, a Covid-19 gerou uma escassez de mão-de-obra no setor como um todo, o que acabou atrasando o processamento e o transporte dos produtos.

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Apesar de ainda estarem em um patamar 19,8% acima do mesmo período do ano passado, os preços do açúcar sinalizam uma tendência de queda. As cotações caíram pelo segundo mês consecutivo e estão no patamar mais baixo dos últimos seis meses. As perspectivas favoráveis ao desenvolvimento das safras na Tailândia, Índia e também no Brasil, tem favorecido para os preços internacionais recuem.

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Os preços dos cereais e também das proteínas de origem animal seguem em níveis mais altos do que os registrados em janeiro do ano passado. Contudo, os resultados registrados em janeiro apontam para uma estabilidade dos dois produtos. No caso das carnes, o pico de preços parece ter sido alcançado em julho do ano passado. Desde então, as cotações no mercado internacional se mantiveram relativamente estáveis. A estabilidade nos preços dos cereais é mais curta, com o último pico tendo sido alcançado em novembro do ano passado. Contudo, a forte valorização registrada no fim de fevereiro, especialmente nos valores do trigo e do milho, podem mudar essa tendência a partir da próxima atualização do índice.

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