Bloomberg — As luzes do antigo prédio do congresso chileno, no centro de Santiago, não se apagam há tempos enquanto os representantes da Convenção Constituinte, com calhamaços de dossiês debaixo do braço, transitam entre debates que podem chegar a até 12 horas. Durante breves intervalos, eles se atualizam sobre resoluções complexas. Os votos são rápidos e intensos.
Como resultado, propostas radicais, que poderiam mudar fundamentalmente a sociedade e a economia e afastar os investidores, estão passando despercebidas. Uma das mais polêmicas até agora - e há mais por vir - dá poder de veto aos grupos indígenas sobre quaisquer assuntos ou questões que afetem seus direitos.
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Fuad Chahin, membro e ex-presidente do Partido Democrata Cristão, ficou chocado com isso. “O artigo exige o consentimento dos indígenas para quase tudo”, disse ele. “Isso poderia interromper uma tonelada de projetos de desenvolvimento.”
Três parlamentares, falando sob condição de anonimato, reconheceram que o ritmo de trabalho por si só pode levar a descuidos, sendo que dois indicam que alguns apoiaram o artigo indígena sem entender claramente o que dizia. Eles esperam que o comitê final de “harmonização”, encarregado de eliminar as contradições no texto, possa, de alguma forma, impedi-lo.
Fevereiro, o auge do verão no Hemisfério Sul e geralmente o mais tedioso do Chile, está se transformando em um mês conturbado. Todos os dias, notícias surpreendentes mostram os 154 membros eleitos trabalhando a todo vapor para reescrever a Carta da nação, e o restante do país, em maioria na praia, tenta acompanhar. O prazo final é 4 de julho, e será seguido de um referendo nacional.
Na pauta que está assustando o mercado, há artigos que nacionalizariam as indústrias de mineração e lítio, banimento da mineração e da silvicultura em terras indígenas, substituição do Senado e redesenho dos direitos sobre propriedade privada.
A população, que votou a favor da Constituinte, expressa preocupação. Aqueles que aprovariam o texto final com base no que já sabem caíram de 56% em janeiro para 47%, de acordo com uma pesquisa conduzida pelo Cadem.
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Na semana passada, um grupo de 75 figuras públicas, muitas delas partidárias dos governos de centro-esquerda que lideraram a transição democrática do Chile nos anos 90, publicou uma carta expressando preocupação com o que chamou de “euforia que quer começar do zero”.
“Uma geração não pode assumir o poder de restabelecer a República”, disse a presidente do Senado Ximena Rincón a repórteres, criticando a decisão de eliminar a câmara superior, uma proposta que, em breve, passará por votação final em plenário.
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