Ibovespa tem sexto pregão de alta com alívio na cena externa

Diminuição na escalada das tensões geopolíticas levou à queda dos juros futuros e mais uma sessão de redução para o dólar

Nos EUA, mercado de ações interrompeu uma queda de três dias após recuo do presidente russo.
PUBLICIDADE
Últimas cotações

Bloomberg Línea — Em um dia de menor aversão ao risco, após sinalizações de uma diminuição na escalada das tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, as ações subiram nos mercados internacionais e os juros futuros caíram, assim como o dólar.

O mercado de ações americano interrompeu uma queda de três dias quando o presidente russo, Vladimir Putin, disse esperar uma solução diplomática para as tensões com os Estados Unidos e seus aliados, e anunciou uma retirada parcial de milhares de tropas reunidas perto da fronteira ucraniana.

PUBLICIDADE

Por aqui, o Ibovespa (IBOV) encerrou seu sexto pregão consecutivo de alta, com ganhos da ordem de 0,8%, impulsionado por empresas de tecnologia, dado o alívio na curva de juros em meio à queda do petróleo e dólar mais fraco.

No índice, Locaweb (LWSA3) e Banco Pan (BPAN4) lideraram os ganhos do dia. Os papéis da empresa de hospedagem de sites subiram 15,31%, a R$ 11,15, enquanto os do banco avançaram 10,47%, negociados a R$ 11,08.

O dia também foi de alta para as ações da Azul (AZUL4), que subiram 8,45%, e da Positivo Tecnologia (POSI3), com ganhos de 7,67%.

PUBLICIDADE

Veja mais: BB tem alta de 60% no lucro com expansão de receita, crédito e tesouraria

Destaque ainda para a alta de 8,02% das ações da WEG (WEGE3), que divulga seus resultados referentes ao quarto trimestre na quarta-feira (16), antes da abertura do pregão.

Na ponta oposta, as blue chips Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam o dia em queda de 2,97%, 2,07% e 1,58%, respectivamente.

PUBLICIDADE

Os contratos futuros de minério de ferro despencaram na China em reação a esforços do governo chinês para impedir a escalada dos preços. O movimento levou a mineradora BHP Group a alertar que as forças de oferta e demanda é que vão determinar a cotação.

Lideraram as perdas as ações de 3R Petroleum (RRRP3) e CSN (CSNA3), com baixas de 4,74% e 4,83%, respectivamente.

  • O Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão em alta de 0,82%, aos 114.828 pontos;
  • O dólar comercial caiu 0,72%, a R$ 5,180 na compra;
  • O contrato DI para janeiro de 2025 recuou 15 pontos-base, a 11,32%, enquanto o DI para janeiro de 2027 cedeu 18 pontos-base, a 11,19%
  • O Bitcoin (BTC) subia cerca de 4,5% por volta das 18h15 (horário de Brasília), a US$ 44.143.

Quadro externo

No exterior, o dia também foi de otimismo, com ganhos entre 2% e 2,5% na Europa e nas bolsas americanas.

PUBLICIDADE

Os rendimentos do Tesouro americano de 10 anos, contudo, atingiram 2%, com investidores buscando a próxima grande aposta no mercado financeiro.

Para Kellie Wood, gestora de recursos da Schroders Plc em Sydney, títulos do Tesouro de longo prazo são a aposta mais clara, pois oferecem um refúgio contra os riscos russos e possíveis erros na política monetária.

O Citigroup mudou para uma posição de overweight (acima da média do mercado) em títulos soberanos dos EUA de cinco anos, enquanto o fundo de hedge K2 Asset Management vê oportunidades em ações europeias vendidas.

Ativos considerado “porto-seguro” em momentos de turbulência também cederam nesta terça, como o ouro, diante do maior apetite ao risco.

Os mercados sofreram uma reviravolta quando a crise na Ucrânia aumentou as preocupações existentes sobre as pressões inflacionárias e a retirada do estímulo pelo Federal Reserve, o banco central americano.

  • Nos EUA, o Dow Jones teve alta de 1,22%, aos 34.988 pontos;
  • O S&P 500 fechou em alta de 1,58%, aos 4.471 pontos;
  • O índice da Nasdaq teve ganhos de 2,53%, aos 14.139 pontos;
  • Na Europa, os principais índices acionários fecharam em alta, com destaque para o Dax, da Alemanha, que subiu 1,98%;
  • Entre as commodities, o petróleo recuou nesta terça. O barril WTI cedeu cerca de 4%, negociado por volta dos US$ 91.

Investidores também repercutiram nesta terça os preços pagos aos produtores dos EUA, que subiram em janeiro mais do que o previsto, apontando para pressões inflacionárias persistentes à medida que as empresas enfrentam restrições da cadeia de suprimentos e trabalhistas.

Segundo o Departamento do Trabalho americano, o índice de preços ao produtor para a demanda final aumentou 9,7% em relação a janeiro do ano passado e 1% em relação ao mês anterior.

As previsões medianas em uma pesquisa da Bloomberg com economistas apontavam para um aumento de 9,1% ano a ano e um avanço mensal de 0,5%.

(Com informações da Bloomberg News)

Leia também

Como é formado o preço da gasolina - e como a tensão global pesa no bolso