Bloomberg — Quatro países solicitaram à União Europeia que reverta um plano para tornar alguns projetos de gás natural elegíveis para o cobiçado selo verde, em um pedido de última hora, destacando as divergências sobre a gestão da transição energética.
Em carta enviada à Comissão Europeia, Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca argumentaram que faltam evidências científicas para incluir o gás na chamada taxonomia. As nações pediram ao braço executivo do bloco que reconsiderasse o plano um dia antes de sua adoção, após consultas com especialistas e estados-membros.
Países de todo o mundo procuram na UE pistas sobre como gerir a transição verde. Mas com uma crise de energia sem precedentes se espalhando por todo o continente, os governos estão mais dispostos a considerar o gás e a energia nuclear como a chave para manter as luzes acesas, uma medida criticada por grupos ambientalistas. A Coreia do Sul recentemente foi criticada por incluir o gás em sua taxonomia.
“Pedimos à Comissão Europeia que não inclua nenhuma atividade de gás fóssil como sustentável na taxonomia atual, já que essas atividades não estejam sujeitas aos mesmos padrões de outras tecnologias energéticas”, escreveram ministros de energia dos quatro países na carta à comissária de Mercados Financeiros, Mairead McGuinness.
A escassez de energia na Europa destacou os desafios de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e a energia nuclear e depender de fontes renováveis intermitentes antes que as baterias ou outras formas de armazenamento de eletricidade se tornem prontamente disponíveis. O gás também é visto como uma forma de ajudar os países mais pobres da UE, como a Polônia, a se livrar do carvão, que polui muito mais.
É improvável que as objeções inviabilizem o plano da Comissão de fornecer um rótulo verde a alguns projetos nucleares e de gás, desde que sejam aprovados até 2045 e 2030, respectivamente, e sigam outros critérios de emissões e transição, como a substituição de usinas a carvão. No entanto, o último ataque de críticas à versão preliminar da proposta, que deve ser divulgada na quarta-feira (3), mais uma vez coloca em dúvida a ambição do bloco de estabelecer o “padrão ouro” para o financiamento ambiental.
Uma vez adotadas, os Estados membros e o Parlamento Europeu têm a chance de rejeitar as propostas, mas a barreira para fazê-lo é alta. Pelo menos 20 dos 27 estados membros da UE – representando nada menos que 65% da população do bloco – precisariam se unir contra o plano para que ele não seja aprovado. Da mesma forma, uma maioria no Parlamento também pode vetar os planos, embora seja improvável que legisladores suficientes votem contra.
Na semana passada, a Plataforma de Finanças Sustentáveis, um dos dois grupos consultados pela Comissão, criticou os planos sobre o gás, afirmando que eles poderiam minar a meta de neutralidade climática da UE até 2050. Também não ficou claro como a região lidaria com os possíveis impactos ambientais dos resíduos nucleares. Um grupo crescente de investidores e bancos, incluindo o Banco Europeu de Investimento, disse que provavelmente evitará as tecnologias em seus portfólios.
“Gostaríamos de salientar que o objetivo de 1,5 grau e a importância de evitar o aprisionamento de ativos incompatíveis com a conquista da neutralidade climática estão consagrados no Regulamento de Taxonomia”, escreveram os ministros. “A integridade e a ambição da Taxonomia não devem ser comprometidas.”
– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.
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