Nestlé oferecerá incentivos para combater trabalho infantil

Em troca, produtores prometem matricular crianças na escola e implantar práticas aprimoradas no plantio; confira quais são as outras condições

Programa será monitorado por terceiros como a International Cocoa Initiative
Por Corinne Gretler
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Bloomberg — A Nestlé (NESN) oferecerá aos produtores de cacau da Costa do Marfim e a suas famílias incentivos em dinheiro que visam reduzir o trabalho infantil, já que a indústria do chocolate enfrenta um crescente escrutínio sobre o problema.

O programa, segundo o qual a empresa planeja gastar 1,3 bilhão de francos (US$ 1,4 bilhão) até 2030, oferecerá até 500 francos por ano para famílias que atendam a critérios que vão desde matrículas escolares até práticas agrícolas aprimoradas.

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O setor enfrenta há anos as críticas de que está fazendo muito pouco para erradicar o trabalho infantil nas lavouras de cacau. Embora as empresas tenham implementado programas para mitigar o problema e frequentemente enfatizam seu trabalho com organizações sem fins lucrativos, elas argumentam que é necessário abordar as causas básicas, como a pobreza.

A prevalência de trabalho infantil na produção de cacau na Costa do Marfim e EM Gana aumentou 14 pontos percentuais na década até 2019, de acordo com uma pesquisa da NORC da Universidade de Chicago, uma organização independente de pesquisas sociais. A produção de cacau aumentou 62% nesse mesmo período.

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O plano da Nestlé é promissor porque não foca apenas nos parâmetros de produção que alguns outros programas impõem, de acordo com Antonie Fountain, diretor-gerente da Voice Network, uma rede global de ONGs e sindicatos que trabalham com sustentabilidade no plantio de cacau. No entanto, disse ele, ainda falta uma peça importante.

As medidas do programa incluem:

  • Matricular as crianças de 6 a 16 anos de idade da família na escola
  • Implementar práticas agrícolas aprimoradas
  • Plantar árvores de sombra e tomar outras medidas agroflorestais
  • Gerar rendas diversificadas com outras plantações, gado ou processar outros produtos
  • Terceiros, incluindo a International Cocoa Initiative e a Rainforest Alliance, ajudarão a monitorar o progresso

“Minha preocupação é que a Nestlé está tomando essas medidas em vez de pagar preços justos”, disse Fountain. “Nossos cálculos mostram que um agricultor de cacau médio precisa receber US$ 3 mil por tonelada, e atualmente recebe um terço disso”.

Um agricultor de cacau médio na Costa do Marfim ganha cerca de 2 mil francos por ano (US$ 2,1 mil), enquanto os que trabalham segundo o Plano do Cacau da Nestlé – o programa abrangente de cacau da empresa que começou em 2009 – ganham cerca de 3 mil francos (US$ 3,2 mil), de acordo com Magdi Batato, chefe de operações da Nestlé.

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O novo programa se baseia em um projeto piloto iniciado em 2020 e está expandindo este ano para 10 mil agricultores. A empresa planeja estendê-lo para Gana em 2024 e quer alcançar todos os 160 mil produtores de cacau em sua cadeia global de fornecimento de cacau até 2030.

A Nestlé, que tem faturamento anual de cerca de 85 bilhões de francos (US$ 91 bilhões), pretende reduzir os pagamentos em dinheiro pela metade após dois anos, mas diz que as melhorias de produção relacionadas ao programa ajudarão os agricultores a compensar isso de outras maneiras.

“Estamos confiantes de que a diferença de renda será superada”, disse Batato em entrevista.

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--Com a colaboração de Thomas Mulier.

--Esta notícia foi traduzida por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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