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Mandato de Merkel pouco ajudou carreira de mulheres na Alemanha

Sistema alemão apresenta falta de creches acessíveis e uma tradição que desaprova a prática de mandar os filhos para o jardim de infância em período integral

Se a participação das mulheres no mercado de trabalho na Alemanha e na Suíça fosse igual à dos homens, o PIB subiria mais de 20% em cada país
Por Catherine Bosley e Josefine Fokuhl
20 de Setembro, 2021 | 07:36 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A chefe de governo mais longeva do mundo desenvolvido, Angela Merkel, pouco fez para melhorar a situação das mulheres trabalhadoras da Alemanha.

Embora a participação feminina na força de trabalho na Alemanha seja maior do que a média das nações industrializadas, uma parte significativa trabalha em meio período -- um nível que mal mudou sob a gestão de Merkel. A proporção de mulheres que trabalham meio período passou de 38,8% em 2005, ano em que Merkel foi eleita, para 36,3% em 2019, segundo dados da OCDE. Na Suécia, essa proporção era de 17,3%, enquanto na França era de 20,4%.

O sistema na Alemanha -- como em seus vizinhos de língua alemã, Áustria e Suíça -- é desfavorável as mulheres, especialmente aquelas com filhos. Inclui um regime tributário que os críticos dizem que desanima famílias com duas carreiras, falta de creches acessíveis e uma tradição que desaprova a prática de mandar os filhos para o jardim de infância em período integral.

Enquanto Merkel se prepara para deixar o cargo após as eleições alemãs de 26 de setembro, ela deixará um país onde ainda não é fácil para as mulheres seguirem carreiras ambiciosas. Apesar de uma ampla pesquisa que demonstra os benefícios de uma força de trabalho diversificada, a Merck KGaA é a única empresa listada no índice Dax com uma CEO mulher.

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Veja mais: Merkel não conseguiu eliminar a desigualdade de gênero na política alemã

A Alemanha ficou abaixo da média no Índice de Diversidade de Gênero das Mulheres em Conselhos Europeus para 2020, ocupando a 12ª posição entre 18, atrás do Reino Unido, Holanda e Espanha. A Áustria ficou em 14º, enquanto a Suíça ficou em penúltimo lugar.

Embora Merkel continue extremamente popular, inclusive entre mulheres executivas, ela defendeu questões de diversidade apenas esporadicamente durante seus 16 anos no cargo. Ela abordou o assunto na estreia de um filme este ano, admitindo que “muito ainda precisa ser feito” para lidar com a desigualdade de gênero na Alemanha.

Um relatório da Bertelsmann Foundation descobriu que ter filhos diminui os ganhos da vida de uma mulher alemã em até 62%, inclusive por ter que trabalhar meio período, embora praticamente não tenha efeito sobre os homens. A discrepância persiste na análise do Conselho de Relações Exteriores que observou que, se a participação das mulheres no mercado de trabalho na Alemanha e na Suíça fosse igual à dos homens, o PIB subiria mais de 20% em cada país.

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A presidente da Comissão Europeia Urusla von der Leyen -- médica e mãe de sete filhos -- ascendeu na hierarquia da política alemã com Merkel, que não tem filhos. Mas é uma exceção que mascara o fato de que Alemanha, Áustria e Suíça compartilham estruturas que inibem as mulheres de seguirem uma carreira e de ingressar nos escalões superiores no local de trabalho.

A Alemanha tomou medidas ostensivas para ajudar as mulheres, como o aumento do salário mínimo. No entanto, seu sistema conjunto de imposto de renda e benefícios, que a OCDE tem criticado por penalizar as famílias com um segundo trabalhador assalariado, continua em vigor. Mudar para a tributação individual poderia aumentar o emprego em 200.000 vagas de tempo integral, estima o Instituto Ifo, com sede em Munique.

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