São Paulo — A determinação de ontem (16) do governo de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) deixou ainda mais explícita a dificuldade em tramitar com projetos no Congresso, entre eles a criação do novo Bolsa Família. O evento amargou ainda mais o humor dos mercados - que já não vinha tão bom na véspera -, e derruba o principal índice da B3. O tom misto no exterior, com bolsas no vermelho nos Estados Unidos e altas fracas na Europa, também não ajudam.
- O Ibovespa caía 1,12% perto das 10h30, a 112.517 pontos
- Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e Itaú (ITUB4) estavam entre as quedas de maior peso do índice por mais um dia, juntamente com CSN (CSNA3), com os preços das commodities metálicas tocando as mínimas lá fora
- O dólar subia 1,21%, a R$ 5,32, assim como a curva de juros. O DI para janeiro próximo subia 3 pontos-base, para 7,065%, enquanto o vencimento para janeiro de 2027 avançava 7 pontos-base, para 10,620%
- Nos EUA, o Dow Jones caía 0,06%, o S&P 500, 0,23%, e o Nasdaq, 0,31%
Contexto
O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que aumenta as alíquotas do IOF (operações financeiras) até 31 de dezembro. O aumento estimado na arrecadação é de R$ 2,14 bilhões em 2021. 80% desse valor serão destinados ao Auxílio Brasil, novo nome do antigo Bolsa Família.
Também ontem (16), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC dos Precatórios, o que pode ajudar o governo a arrumar as contas. Foram 32 votos a favor e 26 votos contrários, informou a Bloomberg News. O texto agora deverá ser encaminhado para análise de uma comissão especial. O governo, porém, articula para levar a PEC direto para o plenário da Câmara dos Deputados.
Lá fora, as ações dos EUA caem pelo segundo dia, com os setores de tecnologia e materiais liderando as quedas, enquanto o mercado avalia a resiliência da recuperação global em meio a preocupações sobre a cepa do vírus delta e os riscos da China. O recuo ocorre antes do vencimento trimestral de opções e futuros nesta sexta-feira, o que pode elevar a volatilidade.
Na Europa, o foco também está na inflação. A taxa anual na zona do euro alcançou 3% em agosto, contra 2,2% em julho. Um ano antes, o número era negativo em 0,2%. Os dados ficaram em linha com as estimativas do mercado, que já esperava uma pressão dos preços de energia.









