Google Cloud planeja investimento no Brasil para apoiar expansão, diz CEO global

Com receita anualizada de US$ 70 bilhões globalmente, unidade da Alphabet expande presença no país para atender demanda por agentes autônomos de IA, diz Thomas Kurian em entrevista à Bloomberg Línea

Thomas Kurian, ceo do Google Cloud: a era da empresa agêntica é real e implementada em uma escala que o mundo nunca viu antes

Bloomberg Línea — Pioneira na criação de uma região de nuvem no Brasil, o Google Cloud pretende continuar investindo no país para apoiar o seu crescimento depois que o país se tornou o seu hub de expansão mais acelerada no mundo, segundo Thomas Kurian, CEO global da companhia, que é o braço de nuvem do Google.

“Continuamos a expandir nossa presença em infraestrutura no Brasil à medida que a demanda por nossos serviços continua a crescer, e vocês nos verão expandir ao longo do tempo”, disse Kurian à Bloomberg Línea durante o Google Cloud Next 2026, evento organizado pela companhia no mês passado em Las Vegas.

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Os últimos anos foram marcados por anúncios de investimentos bilionários em data centers, em uma corrida entre provedores de serviços em nuvem, renovada à medida que a inteligência artificial avança no mercado.

Recentemente, empresas concorrentes informaram investimentos no Brasil e região. A AWS, da Amazon, prevê aplicar US$ 11 bilhões nos próximos anos, em projetos em países como Brasil, México e Chile.

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Em janeiro, a Microsoft, dona da Azure, inaugurou dois data centers, como parte de um investimento de R$ 14,7 bilhões. Em paralelo, o TikTok também constrói um data center em Pecém, no Ceará, com previsão de investir de R$ 200 bilhões.

O CEO do Google Cloud não quis abrir os números dos investimentos no país, mas disse que o mercado nacional tem registrado um “crescimento enorme”.

A expansão é impulsionada por uma demanda que vai desde pequenas empresas até grandes corporações, como bancos, empresas de manufatura e empresas industriais no país. “Vocês nos verão continuar a investir e crescer no Brasil”, afirma.

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Os investimentos no Brasil caminham em três dimensões. Além de infraestrutura, a companhia da Alphabet tem observado uma expansão no tamanho da operação, de acordo com Kurian.

“Agora, precisamos equilibrar a quantidade de pessoas que adicionamos com a qualidade dessas pessoas. Por isso, somos cuidadosos para não crescer rápido demais e acabar não tendo talentos de alta qualidade. Mas também estamos crescendo nessa área”, adicionou o executivo, no comando da operação desde 2018.

A terceira dimensão é onde o Google Cloud vê a maior oportunidade — e a maior demanda. Com a explosão de projetos de inteligência artificial, empresas brasileiras estão procurando o que Kurian chama de “forward deployed engineers”: profissionais super-especializados que entendem profundamente os produtos e sabem aplicá-los em contextos reais.

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“Este ano, nós iremos expandir particularmente nesse domínio no Brasil porque há muita demanda por serviços de IA”, disse o CEO. O Google Cloud está recrutando e treinando engenheiros técnicos capazes de ajudar clientes a implementar soluções de IA — ou seja, não apenas vender a tecnologia, mas garantir que ela funcione.

A era agêntica

A expansão física e de talentos no Brasil ocorre em um momento de mudança de paradigma para o Google Cloud, que agora redefine sua estratégia global em torno da “empresa agêntica”.

Segundo Kurian, o mercado de nuvem superou a fase focada apenas em armazenamento para entrar em uma era onde sistemas unificados de dados e pessoas interagem via agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Dados apresentados no Google Cloud Next 2026 pela companhia revelaram que 75% dos seus clientes já utilizam produtos de IA, e o volume de tokens processados por minuto via API saltou para 16 bilhões, ante 10 bilhões em dezembro.

Para sustentar essa infraestrutura, a Alphabet lançou a oitava geração de seus chips proprietários, os TPUs 8t e 8i, que entregam até o triplo do poder de processamento e uma eficiência por dólar 80% superior para a execução de milhões de agentes simultâneos.

A ofensiva é complementada por um robusto pilar de cibersegurança, fortalecido pela aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões — a maior da história da Alphabet.

Com uma receita anualizada de US$ 70 bilhões em sua unidade de nuvem, o Google projeta que mais da metade de seu investimento em computação para machine learning em 2026 será destinado a produtos de nuvem, consolidando a integração entre infraestrutura de ponta e inteligência aplicada.

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