A nova era da empresa agêntica: Google Cloud avança na disputa pela IA corporativa

CEO Thomas Kurian diz que 75% dos clientes já utilizam IA e lança arquitetura para escala massiva de agentes, marcando a maior transformação da companhia desde o anúncio do Vertex AI

Os lançamentos da companhia foram estruturados a partir da Gemini Enterprise Agent Platform, uma ferramenta criada para a construção, orquestração e gestão de agentes de inteligência artificial (Foto: Angel Garcia/Bloomberg)

Bloomberg Línea Brasil — Depois de uma década centrada em infraestrutura e armazenamento de dados, o mercado de computação em nuvem se reorganiza em torno do conceito de empresa agêntica.

A estratégia agora é entregar um sistema unificado onde dados, pessoas e aplicações conversam entre si por meio de agentes de inteligência artificial que tomam decisões e executam tarefas de forma autônoma.

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E, na abertura Google Cloud Next 2026, evento que acontece em Las Vegas, nos Estados Unidos, a empresa comandada pelo CEO Thomas Kurian apresentou as suas principais apostas para um mundo em transformação.

“Quando nos reunimos no Next há um ano, conversamos sobre como a IA generativa estava transformando organizações ao redor do mundo. Hoje, esse futuro já está em produção — a era da empresa agêntica é real — e implementada em uma escala que o mundo nunca viu antes”, afirmou o CEO, que lidera a companhia desde 2019.


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Segundo dados internos, 75% dos clientes do Google Cloud utilizam produtos de IA atualmente, e mais 330 clientes processaram mais de um trilhão de tokens nos últimos 12 meses - 35 deles superaram a marca de 10 trilhões. A empresa agora processa 16 bilhões de tokens por minuto via API, um aumento expressivo em relação aos 10 bilhões registrados no trimestre anterior.

Thomas Kurian, ceo do Google Cloud: a era da empresa agêntica é real e implementada em uma escala que o mundo nunca viu antes

Os lançamentos da companhia foram estruturados a partir da Gemini Enterprise Agent Platform, uma ferramenta criada para a construção, orquestração e gestão de agentes de inteligência artificial, posicionada como uma evolução do Vertex AI, sistema anunciado em 2021.

A plataforma conta com recursos como “Agent Studio”, para a criação de agentes, orquestração agente-a-agente, com a delegação de tarefas, e identidade do agente, com a criação de ID criptográfica.

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“Isso capacita as equipes técnicas com uma plataforma abrangente e unificada para gerenciar todos os aspectos de seus agentes e entregá-los por meio do aplicativo Gemini Enterprise, a porta de entrada da IA para cada funcionário”, diz Kurian.

A ofensiva do Google Cloud ocorre em um momento de consolidação de mercado, onde a “guerra das nuvens” deixou de ser sobre capacidade de armazenamento e passou a ser sobre a sofisticação da camada de inteligência.

Enquanto a Microsoft aposta na integração profunda do ecossistema OpenAI com o Azure e a AWS (Amazon Web Services) foca na flexibilidade de modelos variados através do Bedrock, o Google tenta se diferenciar pela integração vertical.

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No evento, também foram apresentados os novos chips de processamento tensorial de oitava geração.

O TPU 8t, otimizado para treinamento, entrega o triplo do poder de processamento da geração anterior com o dobro de eficiência energética (desempenho por Watt). Já o TPU 8i, voltado para inferência, alcança um desempenho por dólar 80% superior ao seu antecessor, permitindo a execução de milhões de agentes simultâneos com custo reduzido.

O Google Cloud também destacou que será um dos primeiros a oferecer a Nvidia Vera Rubin NVL72, anunciado este ano pela companhia liderada por Jensen Huang, além de contar com outros chips da empresa. E reforçou o uso Google Cloud Axion, processadores personalizados baseados em Arm, como parte da estratégia para mostrar que tem capacidade para suprir a demanda operacional em um momento de expansão dos usos.

Em outra frente, o líder da operação apresentou a plataforma de cibersegurança com proteção autônoma do código à nuvem, iniciativa que combina a inteligência contra ameaças do Google com a plataforma da Wiz. A startup israelense de cibersegurança foi comprada em março de 2025, em transação avaliada em US$ 32 bilhões, a maior da história da Alphabet, dona do Google Cloud.

Os produtos posicionam a companhia para a disputa num momento de elevada competição no setor. De acordo com dados internos, o Gemini Enterprise registrou um crescimento de 40% nos usuários ativos mensais pagos no último trimestre.

No balanço com os resultados financeiros de 2025, a unidade de cloud fechou com uma receita anualizada de US$ 70 bilhões.

Entre os cases listados na aplicação da tecnologia, a companhia cita nomes como a KPMG, que alcançou 90% de adoção entre seus funcionários com a criação de mais de cem agentes. E ainda a Mars, que tem adotado o Gemini como o principal sistema operacional de IA para que sejam criados agentes de IA que simplificam o marketing, P&D e a busca corporativa.

Segundo o CEO do Alphabet, Sundar Pichai, mais do metade do investimento em machine learning compute em 2026 deve ser usado em produtos do Google Cloud.

No balanço anual, a Alphabet informou que pretende aportar entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em CapEx para aproveitar as oportunidades em IA. A companhia não revelou como será feita a destinação dos recursos.

O CEO contou que o Google procurar ser o “cliente zero” das suas próprias tecnologias. Hoje, 75% de todo o novo código do Google é gerado por IA e revisado por engenheiros — um salto em relação aos 50% registrados no último outono.

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