Bloomberg — A pílula para perda de peso da Eli Lilly recebeu aprovação nos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre a Novo Nordisk, que lançou um comprimido contra obesidade no início deste ano.
O medicamento de dose diária da Lilly, chamado Foundayo, foi aprovado para ajudar pessoas a perder peso ou manter a perda já alcançada, informou a Food and Drug Administration (FDA) em comunicado.
O processo de análise levou menos de quatro meses graças a um novo programa da agência reguladora americana destinado a acelerar o acesso a medicamentos promissores que atendam prioridades nacionais, ofereçam curas inovadoras ou tratem necessidades médicas não atendidas.
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As ações da Lilly, que é a mesma fabricante do Mounjaro, subiram até 6,2% nas negociações em Nova York nesta quarta-feira. Já as ADRs da Novo Nordisk caíram até 2,6%.
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Preço e disponibilidade do Foundayo
O Foundayo estará disponível na plataforma de venda direta ao consumidor LillyDirect, com envios a partir de 6 de abril nos Estados Unidos, disse a empresa.
As doses iniciais do Foundayo custarão US$ 149 por mês para pacientes na dose mais alta do comprimido, podendo chegar a US$ 349 caso a receita não seja renovada em até 45 dias.
Se a renovação ocorrer nesse prazo, o preço da dose mais alta será de US$ 299 mensais. Esses valores se aplicam a pagamentos em dinheiro.
Segundo pesquisa de Trung Huynh, do RBC Capital Markets, o preço para pacientes com cobertura de seguro será de US$ 649 por mês.
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A Lilly afirmou em teleconferência com a imprensa que terá um programa para limitar o gasto direto de pacientes com seguro comercial a US$ 25 mensais.
Concorrência com Novo Nordisk
A Lilly se move rapidamente para alcançar a Novo Nordisk, cuja pílula contra obesidade tem registrado forte demanda desde a aprovação em dezembro.
A empresa já produziu bilhões de doses do Foundayo para garantir um lançamento rápido. As vendas podem chegar a US$ 18 bilhões até 2030, segundo analistas de Wall Street consultados pela Bloomberg.
O comprimido da Novo Nordisk, que usa o mesmo ingrediente das canetas injetáveis do Ozempic e do Wegovy, tem sido peça-chave na estratégia de recuperação da companhia em meio à concorrência crescente.
A farmacêutica foi a primeira a chegar ao mercado americano, mas vem perdendo participação rapidamente para as injeções mais potentes da Lilly nos últimos anos.
Em entrevista, o chefe da Novo Nordisk nos EUA, Jamey Millar, afirmou que “o comprimido Wegovy é semaglutida em pílula. A Orfo não é o Zepbound em pílula”, referindo-se ao nome genérico da pílula da Lilly, orforglipron, e ao seu medicamento injetável para perda de peso.
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Agora, as duas empresas avançam para comprimidos, que são mais baratos de produzir, podem ser mais fáceis de tomar e devem ajudar a levar o mercado a ultrapassar US$ 100 bilhões até 2030.
Mais de 600 mil prescrições já foram emitidas para a pílula da Novo Nordisk, tornando-a um dos lançamentos de medicamentos mais bem-sucedidos da história.
A Lilly informou que submeteu o Foundayo à análise em mais de 40 países e planeja lançar o produto em cada um deles logo após a aprovação.
Nos estudos clínicos, o comprimido de 25 miligramas da Novo levou pacientes a perder, em média, cerca de 13,6% do peso corporal ao longo de 64 semanas, considerando inclusive aqueles que interromperam o tratamento.
A empresa afirma que os resultados lhe dão vantagem sobre a pílula da Lilly, que levou a uma perda de peso ligeiramente menor em estudos separados.
Ainda assim, médicos dizem que a redução de 11% observada nos testes da Lilly é mais do que suficiente para ser clinicamente relevante. Os efeitos colaterais foram majoritariamente gastrointestinais e semelhantes aos das injeções.
Embora a pílula da Novo Nordisk pareça um pouco mais eficaz, ela tem mais restrições de uso. Os pacientes devem tomá-la pela manhã, com um gole de água e em jejum, aguardando 30 minutos antes de comer ou beber. A pílula da Lilly não tem essas limitações.
Analistas de Wall Street consideraram a aprovação positiva para a Lilly e disseram que a bula do medicamento parece favorável.
“Nos estágios iniciais do lançamento, os investidores acompanharão de perto se a ausência de restrições alimentares do Foundayo gerará diferença na adoção pelos pacientes”, afirmou Evan Seigerman, analista do BMO Capital Markets.
-- Com a colaboração de Tonya Garcia.
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