Volkswagen planeja cortar 100 mil empregos e fechar fábricas, diz revista alemã

Plano apresentado pelo CEO Oliver Blume ao conselho nesta semana inclui elevar o programa de demissões, o fechamento de fábricas na Alemanha e um spin-off da marca Volkswagen, segundo a revista Manager Magazin

Fábria da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha: estratégia envolve cortar custos gerais de administração em € 11 bilhões até o final desta década. (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)
Por Marilen Martin - William Wilkes

Bloomberg — A Volkswagen pretende cortar dezenas de milhares de empregos adicionais e pode fechar fábricas, em uma iniciativa do CEO Oliver Blume para tornar a maior montadora da Europa mais competitiva, informou a revista Manager Magazin.

Os planos, apresentados pelo CEO durante uma reunião do conselho de administração no início desta semana, incluem a duplicação do número de demissões, que chegaria a 100 mil, informou a publicação alemã nesta sexta-feira (26), citando fontes a par do assunto. A proprietária da Porsche e da Audi emprega atualmente cerca de 657 mil pessoas.

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A nova iniciativa de reestruturação de Blume será apresentada ao conselho fiscal no próximo mês para discussão. Os planos da Volkswagen costumam ser diluídos, já que os representantes sindicais compõem metade do conselho.

Sua estratégia também envolve cortar custos gerais de administração em € 11 bilhões até o final desta década, bem como fechar quatro fábricas alemãs a médio prazo, informou a revista. Entre elas estão uma unidade da Audi em Neckarsulm, bem como fábricas da Volkswagen em Hanôver, Zwickau e Emden.

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Blume também considera separar as fábricas de componentes e, fundamentalmente, a marca homônima Volkswagen para tornar o grupo mais enxuto, segundo a reportagem. A marca vem enfrentando dificuldades há muito tempo devido à baixa rentabilidade.

A Volkswagen “deve passar por uma profunda mudança”, afirmou um porta-voz da empresa, recusando-se a comentar os detalhes da reportagem da Manager Magazin. A diretoria executiva “tem trabalhado intensamente nos últimos meses em um plano voltado para o futuro para realinhar a empresa”.

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Blume tenta enxugar a Volkswagen enquanto a montadora enfrenta tarifas dos Estados Unidos, uma fraqueza persistente no mercado da China e uma concorrência crescente na Europa por parte de rivais como a BYD e a Stellantis.

Ele obteve algum progresso, inclusive com a venda de uma participação de 51% em sua unidade de motores marítimos Everllence para levantar recursos. Cerca de 28.000 trabalhadores concordaram em deixar a Volkswagen, como parte de uma iniciativa já anunciada para reduzir 50.000 postos de trabalho em todo o grupo até 2030.

A Volkswagen também reduziu sua capacidade de produção de 12 milhões de veículos por ano para um número mais realista de 9 milhões.

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Os líderes sindicais não demoraram a se opor aos novos planos. Eles “desestabilizam nossa força de trabalho e as regiões onde atuamos”, segundo uma declaração conjunta do conselho de empresa e do sindicato IG Metall. “Caso tais planos sejam levados adiante, nos oporemos a eles com todas as nossas forças.”

É difícil aprovar cortes de empregos na Volkswagen. Os representantes dos trabalhadores ocupam metade dos assentos no conselho fiscal da montadora, e o estado alemão da Baixa Saxônia — que tende a apoiar os sindicatos — detém outros dois assentos.

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