Bloomberg Línea — A Hypera (HYPE3) sofreu um revés em sua investida no mercado de canetas emagrecedoras. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu, na sexta-feira (25), a propaganda do Semavy ao consumidor final.
A farmacêutica brasileira, conhecida por marcas como Neosaldina e Engov, vinha investindo na linha para diversificar receita, mas passa agora a operar sem uma ferramenta central de marketing.
A perda chega quando o Citi já apontava o aumento das despesas de marketing como risco à margem de lucro da companhia, e quando concorrentes como o Ozivy, da EMS, avançam com preços mais baixos de semaglutida.
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A Resolução-RE nº 3.750 foi assinada em 23 de setembro e publicada dois dias depois no Diário Oficial da União. O ato atinge a Cosmed, subsidiária responsável pela fabricação do Semavy, por descumprir o parágrafo 1º do artigo 58 da Lei 6.360/1976, que restringe a propaganda de medicamentos de tarja vermelha a publicações destinadas a médicos, dentistas e farmacêuticos.
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A venda do Semavy segue liberada, mediante retenção de receita médica em duas vias, como ocorre com os demais medicamentos da classe GLP-1, hormônio usado no tratamento de diabetes e obesidade.
A decisão tem caráter preventivo e não fixa prazo de vigência. Ela cita anúncios em painéis do Aeroporto de Congonhas, no site do produto e nas contas de redes sociais da marca, e abre um processo administrativo sanitário que pode terminar em arquivamento, multa ou confirmação da suspensão.
O caso difere de outra ação recente da mesma agência: em setembro, a Anvisa também vetou a venda da caneta emagrecedora T36, trazida irregularmente do Paraguai, por falta de registro sanitário. No Semavy, o registro é válido. O problema está apenas na publicidade.
Procurada, a Hypera afirmou à Bloomberg Línea manter diálogo permanente e transparente com a Anvisa e disse ter adotado as medidas necessárias em relação às comunicações da linha Semavy.
“A companhia reforça seu compromisso com o cumprimento rigoroso da legislação sanitária e com a promoção do uso adequado e responsável de medicamentos”, diz a nota enviada pela fabricante.

Do shopping à academia
Antes da suspensão, anúncios do Semavy circulavam além dos canais citados pela Anvisa.
Telas de mídia indoor no Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo, e na unidade Pinheiros da rede de academias Bodytech também exibiam a campanha, com a chamada “a maior revolução chegou para transformar seu corpo e sua saúde” ao lado do aviso “chegou Semavy”.
Neste domingo (27), a reportagem da Bloomberg Línea observou peças do Semavy sendo exibidas em tela de publicidade em uma farmácia no Shopping Morumbi, em São Paulo.
As peças reproduziam a identidade visual da Mantecorp, unidade da Hypera responsável pela marca.
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A Hypera também detém, pela subsidiária Brainfarma, o registro do Zempneo, outro medicamento à base de semaglutida aprovado pela Anvisa na mesma data do Semavy, 29 de julho.
A XP Investimentos, em relatório de 14 de setembro, apontava que o Zempneo não tem plano de lançamento no curto prazo, o que deixa o Semavy como a única frente ativa do grupo na disputa por semaglutida enquanto durar a suspensão de propaganda.
Margem sob observação
O Citi já via risco de margem antes da estreia do produto. O banco descreveu, em relatório de 27 de agosto, a aceleração de despesas de marketing e capital no terceiro trimestre como fator de pressão sobre o Ebitda e o fluxo de caixa livre da Hypera, estimados em R$ 781 milhões e R$ 176 milhões para o período.
Ações da Hypera (HYPE3)
Para o Citi, o desempenho do Ozivy, com vendas acima de R$ 90 milhões já no segundo mês após o lançamento, refletia em parte a vantagem de ter chegado primeiro ao mercado, num cenário de cortes de preço generalizados, como a redução de 19% a 30% no Poviztra, medicamento de referência da Novo.
A concorrência também avança pelo preço. A EMS recebeu aprovação da Anvisa, a partir de 17 de agosto, para versões genéricas do próprio Ozivy vendidas a 35% menos do que o produto de referência, o equivalente a cerca de R$ 294 por caixa.
A XP projetava para o Semavy uma receita incremental de R$ 407 milhões e Ebitda de R$ 61 milhões em 2027, com base em vendas mensais de 150 mil canetas.
-- Com a colaboração de Filipe Serrano.
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