Raízen obtém apoio de 75% dos credores para acordo extrajudicial de R$ 65 bilhões

Acordo reúne 19 bancos e 80 detentores de títulos para reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em passivos da companhia; proposta converte 45% do montante em capital e os 55% restantes em novos títulos

Reestruturação de R$ 65 bilhões inclui aporte da Shell e prevê a separação dos negócios de açúcar e etanol da distribuição de combustíveis até 2027.
Por Rachel Gamarski - Giovanna Bellotti Azevedo

Bloomberg — A Raízen chegou a um acordo de reestruturação extrajudicial com a maioria de seus credores, segundo fato relevante divulgado ao mercado, em um passo importante nos esforços da produtora brasileira de açúcar e etanol para reestruturar seu endividamento.

O acordo reestrutura cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e conta com o apoio de credores que detêm 75,5% das obrigações incluídas no plano, informou a companhia no documento divulgado neste sábado. A Bloomberg havia antecipado a informação na noite de sexta-feira.

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A reestruturação extrajudicial, a maior já realizada no Brasil, envolve 19 instituições financeiras e 80 detentores relevantes de títulos de dívida.

A companhia conseguiu chegar a um entendimento com os credores antes do prazo estabelecido pela Justiça, superando resistências iniciais de parte dos bondholders.

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O acordo prevê a conversão de 45% da dívida em participação acionária e dos 55% restantes em novas dívidas.

Também estabelece a segregação do negócio de processamento de cana-de-açúcar da unidade de distribuição de combustíveis até o fim de 2027.

A companhia espera que a adesão dos credores supere 80% até segunda-feira, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

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O diretor financeiro da Raízen, Lorival Luz, assumirá responsabilidades adicionais como chief restructuring officer (CRO), enquanto o atual conselho de administração permanecerá em seus cargos até o primeiro trimestre do próximo ano.

Permanece em aberto, porém, se o presidente do conselho, Rubens Ometto, continuará no colegiado caso realize um aporte de capital de R$ 500 milhões.

A Raízen é uma joint venture entre a Cosan e a Shell, e a proposta incorpora o aporte de capital de R$ 3,5 bilhões da Shell, anunciado anteriormente.

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A companhia anglo-holandesa informou, em comunicado, que apoia o acordo, que dará à Raízen “maior estabilidade financeira e uma trajetória mais clara para o futuro”. A Shell também afirmou que continuará trabalhando para apoiar a implementação do plano e a sustentabilidade de longo prazo da Raízen.

A Raízen entrou com o pedido de reestruturação extrajudicial em março, como consequência de apostas malsucedidas nos mercados de etanol e combustível de aviação, além dos juros elevados e de safras abaixo do esperado.

Desde então, a companhia buscava obter o apoio dos credores para seu plano de reestruturação e evitar a necessidade de recorrer à recuperação judicial. A empresa enfrentava o prazo legal de 8 de junho para chegar a um acordo.

Os títulos de dívida da Raízen acumulam forte queda nos últimos meses após a companhia avançar para o processo de reestruturação.

Em fevereiro, a S&P rebaixou a nota da empresa em sete níveis, em um movimento descrito como um dos maiores rebaixamentos já realizados pela agência para uma empresa brasileira.

A Fitch Ratings reduziu a classificação da companhia em oito níveis.

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