Raízen vende usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para Adecoagro por R$ 760 milhões

A operação inclui a usina, os canaviais próprios e contratos de fornecimento de cana. A Adecoagro reforça seu cluster industrial em Mato Grosso do Sul, enquanto a Raízen avança em sua estratégia de desinvestimentos

Tether ofrece US$12,41 por acción de Adecoagro en búsqueda de control.

Leia esta notícia em

Espanhol
PUBLICIDADE

Bloomberg Línea — A Raízen (RAIZ4) anunciou nesta segunda-feira (20) a venda da usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro, por R$ 760 milhões, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A operação inclui a usina, os canaviais próprios e os contratos de fornecimento de cana-de-açúcar. O preço está sujeito a ajustes e será pago em dinheiro na conclusão da transação, informou a Adecoagro à Securities and Exchange Commission (SEC), dos Estados Unidos.

PUBLICIDADE

Na safra 2025/26, a usina Caarapó processou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. O ativo está localizado a cerca de 100 quilômetros das usinas Angélica e Ivinhema, também operadas pela Adecoagro, o que permitirá sua incorporação à estratégia de cluster que a empresa desenvolve em Mato Grosso do Sul.


Assine as newsletters da Bloomberg Líneae receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


“A aquisição da Caarapó é uma extensão natural da nossa presença industrial em Mato Grosso do Sul”, afirmou Renato Junqueira Pereira, vice-presidente da divisão de Açúcar, Etanol e Energia.

PUBLICIDADE

Segundo ele, a integração permitirá processar volumes maiores de cana — incluindo excedentes das operações atuais —, aproveitar infraestrutura e gestão compartilhadas e ampliar a moagem com investimentos incrementais limitados.

Comportamento das ações da Adecoagro

As ações da Adecoagro estavam entre os três papéis argentinos com maior alta em Wall Street às 13h41 desta segunda-feira. Os papéis avançavam 1,7%, para US$ 10,24, acumulando valorização de 32% em 2026.

Leia também: IG4 negocia compra de dívida da Raízen e mira comando da empresa reestruturada

PUBLICIDADE

O Banco BTG Pactual estabeleceu nesta segunda-feira preço-alvo de US$ 16 para a empresa de origem argentina, enquanto, na semana passada, o Itaú BBA Securities definiu preço-alvo de US$ 15.

Impacto para os negócios da Adecoagro

A Adecoagro considera que a operação faz sentido tanto do ponto de vista estratégico quanto financeiro e deverá gerar valor de longo prazo para os acionistas por meio da integração da usina às suas operações.

A empresa disse que espera que o ativo contribua positivamente para o Ebitda ajustado a partir da conclusão da operação, além de gerar ganhos adicionais com sinergias operacionais e a aplicação de seu modelo de gestão a um cluster formado por três usinas na mesma região.

PUBLICIDADE

Leia também: Raízen envia nova proposta a credores, mas resiste à saída de Ometto, dizem fontes

A usina adquirida tem capacidade para produzir açúcar, etanol hidratado e anidro, além de gerar energia renovável.

“Estamos muito satisfeitos com esta transação. A aquisição da Caarapó nos permitirá fortalecer nossa plataforma de açúcar, etanol e energia, ao mesmo tempo em que consolidamos nossa posição entre os produtores de menor custo da indústria”, afirmou Mariano Bosch, cofundador e CEO da Adecoagro, em nota enviada à imprensa.

A Adecoagro possui 210,4 mil hectares de terras agrícolas e ativos industriais na Argentina, no Brasil e no Uruguai. A companhia produz 3,1 milhões de toneladas de produtos agrícolas, 1,3 milhão de toneladas de fertilizantes e mais de 1 milhão de MWh de energia renovável por ano.

A empresa argentina foi fundada em 2002 por seu atual CEO, Mariano Bosch, hoje também integrante do conselho de administração.

No ano passado, foi adquirida pela gigante de criptomoedas Tether e recentemente tornou-se sócia controladora da Profertil, única produtora de ureia granulada da Argentina, em uma operação que incluiu a transferência da participação de controle (90%) anteriormente detida por Nutrien e YPF.

A operação anunciada ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento das demais condições previstas no acordo.

A companhia espera concluir a transação antes de 1º de outubro de 2026, quando a usina será incorporada à sua divisão de Açúcar, Etanol e Energia.