Bloomberg — O maior fundo de pensão do Brasil não buscará mais controlar a escolha do presidente do conselho da Vale e deseja que a mineradora de minério de ferro seja supervisionada por um presidente independente do conselho.
“Não faremos mais nenhuma indicação para o cargo de presidente do conselho”, afirmou Adriana Chagastelles, diretora de investimentos da Previ, o fundo de previdência com 122 anos de história que detém uma participação de 7% na Vale.
A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, como o fundo é formalmente conhecido, está pressionando pela convocação de uma assembleia extraordinária de acionistas para votar a destituição do presidente do conselho da Vale, Daniel André Stieler. A exigência, que enfrenta resistência da maioria do conselho, surgiu após uma reorganização na liderança da Previ, que administra as poupanças de aposentadoria dos ex-funcionários do Banco do Brasil.
O mandato de Stieler se estende até abril de 2027, a menos que ele seja destituído antes do prazo. A Previ não está acusando Stieler de qualquer irregularidade e rejeitou sugestões de interferência política decorrentes do status do Banco do Brasil como instituição financeira controlada pelo Estado, afirmou Chagastelles.
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Em vez disso, o fundo de pensão busca dissipar a noção de que atua como uma ferramenta do governo nas empresas nas quais detém participações, afirmou Chagastelles durante uma entrevista à Bloomberg News na segunda-feira (22).
Uma presidência independente da Vale promoveria um processo “mais transparente e imparcial” para a formação de uma lista de candidatos a conselheiros antes da votação dos acionistas em 2027, acrescentou ela.
A Previ está apoiando a eleição do diretor Manuel Lino Oliveira para o cargo de presidente do conselho. Conhecido como Ollie, ele tem mais de 45 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia no setor de mineração, principalmente na Anglo American e na De Beers Consolidated Mines.
Leia também: Conselho da Vale resiste a mudança de presidente pedida pela Previ, segundo fontes
A decisão final sobre a destituição de Stieler será tomada pelos acionistas em uma assembleia a ser realizada em 22 de julho.
A Previ informou que já manteve discussões com os principais investidores da Vale e planeja realizar mais consultas, mas Chagastelles ressaltou que não há garantia de que a proposta seja aprovada.
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