Bloomberg — A polícia civil do Estado de São Paulo indiciou dois funcionários do Goldman Sachs Group como suspeitos em uma investigação para apurar se o banco apresentou informações incorretas sobre sua participação na Oncoclínicas, ampliando uma disputa sobre a estrutura acionária da empresa de tratamento de câncer.
A polícia afirmou que Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig participaram conscientemente de uma tentativa de induzir a erro a Oncoclínicas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a operadora da bolsa B3 e investidores, segundo documento apresentado à Justiça na segunda-feira (10).
A investigação se concentra nos fundos de investimento Josephina I e II, que detinham participação na Oncoclínicas, e busca determinar se o Goldman divulgou corretamente qual empresa era a proprietária final desse investimento.
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O Goldman e os funcionários não foram acusados formalmente de nenhuma irregularidade.
“Continuamos acreditando que agimos de forma adequada”, afirmou um porta-voz do Goldman em comunicado. Um representante da Oncoclínicas não quis comentar, enquanto a Centaurus não respondeu a uma mensagem em busca de comentários. Um representante da Josephina não comentou de imediato. Acosta e Reinig também não responderam de imediato aos pedidos de comentários.
A Oncoclínicas, que entrou no mês passado com pedido de recuperação extrajudicial, também passou a enfrentar maior escrutínio de investidores sobre a governança, incluindo vínculos com o Banco Master, instituição financeira que entrou em colapso.
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A Oncoclínicas afirmou no ano passado que havia constituído provisões para perdas em parte dos depósitos a prazo do Master que mantinha e que adotaria as medidas adequadas para cobrir o restante.
Segundo a polícia, o Goldman havia sido identificado anteriormente, em documentos da oferta pública inicial de ações, como proprietário indireto dos fundos, enquanto documentos posteriores afirmaram que parte do investimento pertencia à Centaurus Capital.
A disputa gira em torno de uma cláusula do estatuto social da Oncoclínicas que, segundo um grupo de acionistas, determina que um novo investidor que adquira participação superior a 15% precisa fazer uma oferta pública de aquisição de ações.
A decisão da polícia brasileira cita dispositivos do Código Penal do país relacionados a fraude e informações empresariais enganosas. As alegações não foram comprovadas na Justiça. O Globo noticiou o relatório policial em primeira mão.
No ano passado, a Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo, conhecida como Abraicc, grupo que representa acionistas minoritários da Oncoclínicas, pediu autorização a um juiz dos EUA para intimar o Goldman a fornecer informações que seriam usadas em um processo judicial planejado no Brasil.
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O grupo argumenta que a Centaurus deveria ter sido obrigada a fazer uma oferta pública de aquisição após a Oncoclínicas divulgar, no fim de 2024, que a gestora de investimentos detinha participação de 16%, acima do limite de 15% citado pelos acionistas com base no estatuto social da empresa.
O Goldman afirmou em documento apresentado no início deste ano que os pedidos da Abraicc deveriam ser rejeitados, sob o argumento de que a questão deve ser tratada em arbitragem.
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