Bloomberg — A Petrobras (PETR3; PETR4) avalia a possibilidade de exportar gás natural liquefeito de seus gigantescos campos offshore diante da crescente demanda pelo combustível na Ásia e em outras regiões.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a companhia mantém conversas com a construtora naval Seatrium, de Singapura, sobre formas de liquefazer e exportar gás de bacias em águas profundas do Atlântico.
“Vemos espaço para exportar gás por meio de navios de GNL”, disse Chambriard durante entrevista coletiva conjunta com a Seatrium nesta quinta-feira (27), em Singapura.
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A iniciativa ocorre em um momento em que países da Ásia e de outras regiões buscam novas fontes de GNL além do Catar, que está praticamente impedido de exportar o combustível durante a guerra com o Irã.
Chambriard não apresentou um cronograma para o início de possíveis exportações de GNL pela Petrobras nem disse quanto a companhia investiria na iniciativa. Seria necessário construir uma instalação para liquefazer o gás antes.
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O Brasil é um dos maiores produtores de gás natural da América do Sul, graças aos reservatórios de petróleo e gás em águas ultraprofundas, sob uma espessa camada de sal na costa atlântica do país. Mas, em vez de ser comercializada, mais da metade do gás é reinjetada nos poços de petróleo para aumentar a produção de óleo.
“Exportamos muito petróleo bruto para a Ásia-Pacífico — é nosso principal destino”, disse Chambriard. “Olhando para o futuro, vemos que talvez também seja o principal destino do gás.”
As declarações de Chambriard na Ásia nesta quinta-feira ocorrem enquanto a estatal pode enfrentar um revés no Brasil. Uma proposta de regulamentação poderia obrigar empresas com participação significativa no mercado a disponibilizar parte da oferta de gás natural a outros concorrentes.
Ações da Petrobras (PETR4)
A Petrobras, fornecedora dominante no país, é contrária ao programa e argumenta que o setor já se tornou menos concentrado após a companhia firmar compromissos com o órgão antitruste brasileiro em 2019.
Executivos da Petrobras afirmaram que o programa criaria insegurança jurídica para investidores e poderia colocar em risco projetos de expansão da oferta doméstica de gás no Brasil. Qualquer mudança regulatória exigirá que a gigante do petróleo reavalie as premissas dos projetos de gás natural em andamento, disse Chambriard a investidores em teleconferência no início deste mês.
“Não somos uma ONG, somos uma empresa e precisamos ser lucrativos”, disse.
-- Com a colaboração de Lucia Kassai, Stephen Stapczynski, Peter Millard, Mariana Durao e Brandon Harden.
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