Bloomberg Línea — Quando o engenheiro escocês James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor no século XVIII, ele teve que convencer os industriais a substituir os cavalos por seu produto. Para ter uma unidade de comparação compatível com a realidade da época, foi cunhado o termo horsepower (hp) – ou cavalo-vapor (cv), na tradução para o português.
O termo é usado até hoje na indústria automobilística. No entanto, os cavalos já não são mais usados como meio de transporte ou de força – exceto no esporte.
Na visão do CEO da Porsche do Brasil, Peter Vogel, a analogia pode ser aplicada ao processo de eletrificação no mercado automotivo.
“Os elétricos são um caminho sem volta. Os últimos carros a combustão a persistir serão provavelmente os de corrida”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea, durante evento recente de inauguração do espaço Tempo By Porsche, em São Paulo.
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O conceito de horsepower, segundo Vogel, permeou o processo criativo do fundador da própria Porsche – não à toa o símbolo da marca é um cavalo.
Ele afirma que as novas montadoras que estão chegando ao mercado não têm a mesma tradição da Porsche. “Conseguimos oferecer o que vem da nossa história, especialmente das competições. As outras marcas não têm 50 anos de corridas.”
Em meio ao avanço acelerado dos carros elétricos, com destaque para marcas chinesas como a BYD, Vogel observa que a Porsche mantém um portfólio que atende a todos os consumidores. “Temos excelentes carros elétricos, especialmente agora com o Cayenne, e outros a combustão tão bons quanto, como o 911”, diz.
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Em sua avaliação, é o consumidor que decide: a demanda não pode ser de “cima para baixo” e, para ser bem-sucedido na estratégia, é preciso oferecer de tudo. “Nós, como companhia, faremos o que o cliente demandar, mas a tendência é clara. O mercado caminha para elétricos, ainda que, talvez, um pouco mais devagar do que esperávamos.”
Neste contexto, Vogel diz que a indústria dispõe de inúmeras possibilidades, incluindo combustíveis sintéticos, livres de emissões de CO2. “Agora, muitas empresas estão olhando para isso. Existe uma responsabilidade ambiental, nós temos essa responsabilidade e precisamos mudar”, ressalta.
Mídias sociais
Com o avanço massivo de conteúdos de influenciadores sobre carros nas redes sociais, as marcas de esportivos têm a oportunidade de atrair novos fãs, após um período de incertezas não só para o carro a combustão. A própria indústria automotiva vem enfrentando desafios com o avanço da cultura do uso em vez da posse – difundida por marcas como Uber, 99 e Netflix.
“Quando você compra um Porsche, ou se envolve com a marca, seja comprando um carro ou participando de eventos, mostramos aos clientes que não vendemos apenas produtos, mas um estilo de vida”, diz Vogel.
No último dia 4 de junho, foi inaugurado o espaço Tempo By Porsche, no Jardim Paulistano, em São Paulo. Definido pela marca como um hub cultural, a proposta é oferecer gastronomia e experiências que vão além do carro, incluindo arte, música e eventos.

Trata-se do primeiro hub permanente da Porsche nas Américas e um dos primeiros do mundo. O projeto foi idealizado pelo artista plástico Adonis Alcici em parceria com a Porsche Brasil e comporta, mediante reserva, 140 pessoas no dia a dia e até 250 em eventos exclusivos. A gestora Avenue, do Itaú, é patrocinadora master do projeto, o que segundo a empresa conecta a sua estratégia de relacionamento com públicos de alto engajamento.

A projeção inicial é que o espaço receba cerca de 18 mil clientes por mês, com serviços de café da manhã, almoço e jantar, de segunda a domingo.
Além da operação regular, o Tempo contará com um programa de membros com acesso a benefícios, eventos exclusivos e condições especiais no espaço. Em paralelo, proprietários Porsche poderão ter privilégios especiais, bem como a oportunidade de expor seus carros da marca no espaço do estabelecimento.
“Ainda não preenchemos toda a decoração. Teremos um clube de membros e cada um poderá trazer algo pessoal, incluindo seu próprio Porsche. Já temos fila de espera”, diz Adonis Alcici.
O artista explica que, assim como um carro esportivo, o conceito do espaço foi pensado com base em forma e função. Um exemplo disso foi o teto, que não possui forro e é composto de placas acústicas.
O símbolo da Tempo é uma ampulheta deitada. “Aqui o tempo não passa. Um dos nossos objetivos é criar uma marca sólida, com experiências marcantes para além dos fãs de Porsche”, afirma Alcici.
A montadora quer mostrar que a sua comunidade vai além do carro, afirma o diretor de marketing da Porsche Brasil, Gero Stanzel.
“É um estilo de vida, um clássico”, disse. Ele acrescentou que, mesmo São Paulo tendo seus muros cinzas, o novo espaço foi pensado especialmente para ela. “É uma cidade que tem o seu próprio tempo”, disse.
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