Bloomberg Línea — O Santander Brasil teve mais um resultado desafiador em seu balanço do segundo trimestre deste ano. A rentabilidade voltou a cair, com o ROE em 12,5%, em sua segunda queda consecutiva e bem abaixo dos 20% – patamar que se tornou referência frequente no setor e que não é atingido pelo Santander desde 2021.
O novo CFO do banco, Carlos Muñiz, defendeu, no entanto, que o cenário não deve se prolongar por muito tempo.
“Provavelmente no ano que vem vamos voltar a patamares mais razoáveis de rentabilidade. O grupo vai nos cobrar isso”, afirmou em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (29).
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Muñiz assumiu o cargo em maio, após a saída de Gustavo Alejo, que foi para a XP. O executivo espanhol tem 20 anos de atuação no Grupo Santander e, até então, ocupava a diretoria financeira global do segmento Santander Corporate & Investment Banking.
O CFO conduziu a teleconferência de resultados ao lado de Camila Toledo, diretora de relações com investidores. O novo CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, ex-B3, assumiu o posto no mês passado e não participou da divulgação.
O Santander Brasil enfrenta o desafio de rentabilidade desde o pós-pandemia, quando a maior exposição a linhas de crédito arriscadas deixou o resultado mais sensível aos juros altos e à inflação.
O momento também expõe uma disparidade crescente com a matriz. O Santander se tornou o banco mais valioso da zona do euro por valor de mercado, com lucro recorde no primeiro semestre. O grupo espanhol registrou lucro líquido atribuível de € 3,52 bilhões no segundo trimestre, acima dos € 3,33 bilhões esperados no consenso Bloomberg.
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Mudança de mix
A estratégia do Santander Brasil para recompor a rentabilidade passa por uma mudança no mix de crédito para uma estratégia mais conservadora.
O banco vem reduzindo a exposição a linhas mais arriscadas e ampliando a participação de operações com maior spread, sobretudo voltadas à alta renda. A consequência esperada seria uma normalização gradual do indicador de perdas com devedores duvidosos – o que ainda não se confirmou.
A provisão para devedores duvidosos (PDD) avançou 20,6% na comparação trimestral e 11,5% em 12 meses, para R$ 7,654 bilhões. A combinação entre margem pressionada e PDD em alta foi apontada por analistas como um dos principais detratores do balanço.
“A mudança de mix, num primeiro momento, pressiona o resultado. Há impacto [negativo] na receita, e ainda tem a PDD elevada. Mas, ao longo do tempo, esperamos colher os benefícios dessa estratégia”, disse Camila Toledo aos analistas. A expectativa do banco é que a receita volte a crescer a partir de 2027.
Os executivos reforçaram que, mesmo com as mudanças, o banco ainda mantém 40% da base de clientes pessoa física na baixa renda e que pretende reduzir essa fatia – sem citar projeções. Muñiz citou como exemplo da estratégia a queda de 30% na carteira de clientes com renda mensal inferior a R$ 4 mil nos últimos 12 meses.
O CFO também destacou o programa Santander Rewards como uma das principais apostas para ganhar espaço na alta renda. Lançado em abril, o programa de relacionamento adota uma lógica de gamificação que recompensa o grau de vínculo do cliente com o banco.
“Os números começam a provar que fizemos a escolha correta. Temos uma diferença de mais de 10 pontos nos níveis de satisfação entre quem já assinou e quem ainda não assinou o programa. Será uma das nossas principais alavancas na alta renda”, afirmou.
As units do Santander Brasil (SANB11) operavam em forte queda de 6,5% por volta das 12h30. No ano, os papéis acumulam baixa de 23,10% contra alta de 9,18% do Ibovespa no mesmo período.
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